quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Joyeux Noël

Espero que o Natal de todo mundo tenha sido ótimo. Eu viajei para Strasbourg, na fronteira com a Alemanha. Fiquei na casa da Mayra, ex-estagiária fofa, que faz master em Relações Internacionais, e preparou quitutes muito bons para a ceia. Fui de trem (a viagem de Paris até lá dura pouco mais de duas horas). A cidade é linda (tem uma arquitetura meio alemã) e se intitula 'capitale de Noël'. Tem vários marchés de Noël, com barracas que vendem principalmente guloseimas (como vinho quente/vin chaud e pães, bolos e biscoitos dos mais variados tipos) e enfeites característicos dessa época do ano.

Marché de Noël
Tudo muito decorado na 'capitale de Noël'
Mais um prédio enfeitado
Praça Kleber. Isso sim é árvore de Natal (apesar da falta de enfeites vermelhos)
Há outros pontos 'turísticos', que não são atração só na época do Natal. Por exemplo: o Rio Reno, o Palácio Rohan (construído pelo Rei Luís14) e o Parlamento Europeu (as fotos aí embaixo seguem essa ordem).

Parece Lego, né? O Reno e as casinhas bonitinhas de Strasbourg
Palácio bonitinho para Luís 14 passar férias na Alsace
Bandeiras e estátua no Parlamento Europeu
Já que fui pra lá, resolvi investir na culinária local (e tem outra coisa pra fazer nesse frio? A gente sempre quer comer). No primeiro dia, foi chucrute no restaurante mais antigo de Strasbourg. No última dia, até demos uma passeada por Kehl, uma cidade alemã do outro lado da fronteira (onde fazia sol), mas estava tudo fechado e voltamos para a França -- onde comemos uma tarte flambée, que parece uma pizza, mas sem o molho de tomate. Se vc está buscando conselhos, eu digo: vale a pena conhecer Strasbourg.

E não é que faz sol na Alemanha?

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Mes vacances

Nada mais original do que fazer uma redação/post 'minhas férias', né? Pois é. Estou de vacances desde sexta, dia 16. Aí, no sábado, dia 17, já segui para Chamonix, uma cidade francesa nos Alpes. Para chegar lá, eu, a Anna e a Suzana pegamos um avião até Genebra, na Suíça, e seguiríamos de trem para o destino final. MAS a SNCF (companhia francesa de trem) não colaborou. Quando chegamos à gare onde pegaríamos o trem para os Alpes, vimos que ela estava fechada.

Depois de atravessarmos a cidade,
encontramos a Gare Eaux Vives fechada
Pedimos informação e nos disseram que passava um ônibus em frente a uma placa, e que devíamos esperar lá. Esperamos. Esperamos. Esperamos. 15 minutos depois da hora marcada, um motorista do transporte público suíço nos disse que já havia visto uns japoneses que passaram pela mesma situação que a nossa e nos aconselhou a mudar a tática. Resultado: voltamos para o aeroporto e acabamos comprando uma passagem de ônibus que saía de lá. Bem mais simples, bem mais rápido. Em pouco mais de duas horas chegamos à Chamonix.

Ana e eu, chegando aos Alpes

Vista da avenida em frente à gare, logo que desembarcamos
Cidade fofa, parece toda decorada para o Natal, com os telhados e as ruas cheias de neve. Só faltaram fitas vermelhas e Papai Noel por todo o canto. Fomos caminhando da gare até o hotel. Aliás, dá para atravessar a cidade andando mesmo. O que dificulta é a neve -- e as nevascas foram ficando mais fortes a cada dia.

Nosso hotel novinho!
Ficamos no hotel Le Faucigny, que acabou de ser inaugurado (a festa, inclusive, foi na noite em que chegamos). Fomos as primeiras a ocupar nosso quarto. Que era bonitinho, moderninho. Mas o banheiro estava sem aquecimento e água quente no primeiro dia. Vejabem.

Isso sim é árvore de Natal (nem precisa de enfeites)
No segundo dia, fomos esquiar. Ou melhor. Elas foram. Eu tentei, mas só andei pra trás. No segundo dia, acordei entendendo o esporte. Cheguei à pista, dei uma observada, coloquei o esqui e saí andando. Sério. Nem parecia a mesma pessoa. Acabei fazendo uma aula com uma instrutora, que deu dicas preciosas. Mas depois deu uma travada de novo. Ainda bem que aproveitei o meu momento atleta destemida.

Eu sou aquela de calça branca e jaqueta verde no fundo
A gente estava prevendo ficar 3 dias em Chamonix e dois em Genebra. Mas acabamos estendendo nosso séjour nos Alpes. No último dia, o plano era subir o teleférico que dá acesso às pistas mais altas pra fotografar a paisagem (inclusive o Mont Blanc). Mas nevou demais e o tempo estava completamente fechado. Acabamos aproveitando pra andar mais pela cidade.

Que medo de tentar tirar esses carros do lugar
E nunca mais parou de nevar

Além da paisagem e do esqui, vale destacar a comida de Chamonix. No primeiro dia, fomos a um restaurante típico indicado pelo hotel e comemos foundie de queijo. No segundo, escolhemos um prato com carne na pedra, sabe? (igual no Brasil, quando chegam pedaços de carne e nós preparamos na mesa). No terceiro, foi a vez da raclette. E aconselho todo mundo a comer a raclette de verdade, daqui da França. Muito bom. No quarto dia, acabei voltando à minha querida sopa de cebola.

Deu pra perceber que a alimentação é reforçada, né? Só assim pra ter energia pra enfrentar o frio. Aliás, quando estávamos lá, usamos o termômetro da farmácia como referência. Na nossa última noite de Chamonix, fazia -4ºC. Mas com certeza a sensação térmica era de muito menos.

**
Então, depois de 4 dias nessa geleira, pegamos um ônibus de volta para Genebra. Chegamos à Suíça e devia estar uns 4ºC (positivos). Mas todo mundo sentiu calor, tirou luvas e cachecol. É impressionante como o corpo vai se acostumando...

Dormimos uma noite no Hotel Bernina. Bem localizado e agradável. Fica do lado de uma cervejaria onde, obviamente, demos uma passada na primeira noite. Experimentamos a cerveja especial do Natal (bière de Noël) e comemos uma pizza. Mas tudo é mais difícil onde existe a possibilidade de falar alemão. Uma simples redonda feita com uma espécie de bolacha em vez de massa chama FLAMMENKUECHES (claro que copiei esse palavrão da foto abaixo).

Cardápio simpático, com foto pra ajudar turistas que não falam alemão
Enfim. No dia seguinte, passamos na sede da ONU, no lago de Genebra e demos uma volta pela cidade.

A ONU, a cadeira com a perna quebrada
e alguns manifestantes
Lago enoorme e com água limpinha, limpinha (dá pra ver o fundo)

Claro que compramos chocolate antes de embarcamos de volta para casa. E é sempre uma sensação muito boa chamar Paris de 'casa'.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Football (ou só foot, para os íntimos)

Eu não decidi vir para Paris de uma hora para a outra. O processo de candidatura não é fácil e inclui um diploma de proficiência do idioma. Além das aulas de francês (inclusive o curso específico para o teste de proficiência), tive de juntar todos os diplomas da minha vida, ir atrás de tradução juramentada, fazer muitas cartas de motivação, pesquisar cada universidade, cada curso, cada tipo de inscrição. Claro que, durante esse tempo, não tinha certeza de que embarcaria. Sempre tive medo de não ser aceita.

O engraçado é que, antes de receber as respostas, em algumas ocasiões, eu sentia que estava 'me despedindo' da minha 'antiga vida', para começar uma nova trajetória. Lembro perfeitamente de um jogo do XV de Piracicaba contra o Guarani, logo depois do carnaval, no Estádio Barão de Serra Negra, na cidade onde nasci. Eu estava no meio das inscrições, bem estressada e ansiosa. Acabei indo ao jogo meio de surpresa -- cheguei em casa na hora que meu pai estava saindo e o acompanhei. No meio da partida, a torcida do XV começou a gritar, com o sotaque característico e bateu um vento na arquibancada. Na hora, pensei: 'se tudo der certo, vou sentir falta disso'.

E não é que o XV foi vencendo, vencendo e em maio voltei ao estádio e comemorei a vitória na final da série A2 do Campeonato Paulista? Foi emocionante estar lá com meu pai, um tio e alguns primos. E toda a torcida com o sotaque mais caipira do mundo -- com muito orgulho! ((aliás, para quem ainda não entendeu, é por isso que o blog chama Mudando o érre. Divirtam-se com o hino do XV aqui embaixo)).



Achei um vídeo com imagens da final. Eu sou são-paulina, já fui campeã do mundo com o Raí e o Rogério Ceni. Já comemorei vitórias da seleção brasileira nas Copas. Mas, olha, essa festa do XV foi tão legal quanto todos esses momentos de glória dos 'grandes'.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Il me manque

Nessa montanha-russa de sentimentos, hoje foi o dia de querer que o tempo passe logo para encontrar o Miguel. O sobrinho mais lindo do mundo completou dois meses, com direito a bolo, salgadinhos e amigo-secreto com os amigos do prédio. O mais engraçado é que é uma das pessoas que mais me fazem falta aqui na França. E nem o conheço, assim, tête à tête. Quando fevereiro chegar, vou morder aquela bochechinha. Já deixei avisado.

Se existe bebê mais lindo, eu não conheço

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Il fait froid

Nota mental que vale para todo o inverno: quando a Météo diz que vai chover, desencana de usar sapatilha. A meia-calça é sua melhor amiga, mas não é invencível diante dos 4ºC. Tá frio, gente.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

3 mois à Paris

Completei 3 meses de Paris no começo desta semana. Passamos pela fase de experiência. Agora, já dá para me sentir mais à vontade para pedir comida nos restaurantes, perguntar das cores e tamanhos de roupas, insistir na cerveja de 50 cl, ir ao supermercado, fazer 2 ou 3 baldeações de metrô para chegar a algum lugar. Acho que já dei alguns passos importantes.

Eu já adorava a Paris da torre Eiffel, do Arco do Triunfo, de Saint Germain, do Marais, dos museus, dos telhados azuis. Agora, estou aprendendo a entender a Paris dos franceses, com plans e discussões filosóficas todos os dias, com seriado americano dublado e eternos programas de debate sobre tudo. Estou mais apegada à moda de cachecol de lã até o meio do rosto, das botas estranhas de inverno, dos casacos de pelinho.

Três meses. Ainda não sei se é "só" ou "já".

Pra comemorar, a Champs Elysées decorada para o Natal

domingo, 4 de dezembro de 2011

Dans un nouveau quartier

Cada semana nessa "nova" vida parece um mês. Quando chega a quinta-feira e pensamos no que aconteceu no fim de semana passado, parece que foi há séculos. É muita informação por dia. Muita coisa para tentar entender, tentar fazer parte, tentar se apropriar.

Essa semana foi ainda mais intensa. Mudei de apartamento. Estava planejando já trazer alguma mala na quarta-feira, dia 30, quando vim pegar as chaves. Mas não consegui, porque tive aulas antes e uma reunião com o rapporteur universitaire (orientador) depois disso.

Aliás, a quarta-feira foi um dia diferente. Eu adorei o apartamento (tinha alugado depois de ver fotos. Não deu para visitar porque estava ocupado) e achei a região legal. A proprietária é muito simpática, me deu uma caixa fofa de chocolate e explicou como os equipamentos do imóvel funcionavam, assim como o regulamento do prédio. Ainda elogiou meu francês -- disse que ficou impressionada com os emails.

Depois, encontrei o rapporteur, que é o coordenador do meu curso. E ele também elogiou minha escrita. Disse que escrevo melhor do que alguns alunos da sala. Saí da reunião pisando nas nuvens.

Voltando ao déménagement, acabei trazendo as coisas em duas viagens, na quinta e na sexta. Na sexta, quando estava vindo, o taxista perguntou "É mudança?". E eu "é, sim". E ele "para vcs, jovens, esse bairro (o novo) é ideal. É mais barato, tem mais coisa para fazer. Você vai gostar muito". Quase agradeci pelo "vcs".

Literalmente, eu subi na vida. Estava no quinto andar e vim para o nono. Agora, tenho um banheiro grande, com box e armário embaixo da pia. Além disso, tenho uma cama (e não um sofá que tenho de abrir todas as noites).



Os dois primeiros dias em que acordei no novo apartamento foram nublados, com chuva e frio. Mas nada disso me impediu de dar umas voltas pelo quartier. Fiquei ainda mais feliz quando vi que tem até supermercado aberto de domingo aqui na frente.