quinta-feira, 25 de abril de 2013

Vélib'

Tem dia que eu acordo errada, sabe ? Sem vontade de levantar, morrendo de canseira, sem vontade de escolher roupa, achando que ta tudo apertado...enfim. Hoje foi assim. Essa época de transição entre o inverno e o verão costuma ser meio traumatica, porque demoro pra me desapegar dos casacos e blusas quentinhas, da meia-calça que ajuda a apertar a barriga e a perna e etc. E dai que experimentei tudo e tudo parecia horroroso, até que decidi colocar camisa e uma bota de salto mais alto, pra dar a impressão que tô mais magra (pelo menos a impressão, né?).

E cheguei ao metrô atrasada, pensando que nem tinha tomado café. E dai que vi que a linha 4, que pego todos os dias, estava com problemas. Ontem a televisãozinha da estação de perto de casa dizia a mesma coisa e foi OK. Ai eu nem liguei e continuei andando. Peguei a linha de sempre e, na hora da correspondência, calculei a melhor maneira de sair do metrô. Quando coloquei o pé na plafatorma, ouvi, em português: “Ih, a 4 ta parada. Volta para o metrô e vamos até a 13”. Era meu chefe. Porque o metrô tem muitos vagões e claro que o meu chefe ia estar na minha frente, no dia que eu tô atrasada. Ai fomos conversando em português, fizemos a correspondência e ele me perguntou, no fim: “vc tem o cartão da Vélib?”. E eu, constrangida: “não”. E ele: “mas vamos pegar bicicletas e assim ganhamos tempo”. E foi assim que, às 9h, de um lindo dia de sol, estava eu de trench coat e bota de salto, andando de bicicleta nos arredores de Paris. E o tipo de coisa que deixa a gente feliz, né? E olha que eu nem sou daquelas fãs de academia que acha que seu dia muda depois de fazer exercicios e tals.

As bicicletas que podem ser alugadas
(mas não é dos pontos que usei hj. A foto é do
site de uma das "subprefeituras" daqui)
 Ai que cheguei ao trabalho vermelha (porque, na versão europeia, sou branca e fico com as bochechas vermelhas facinho facinho) e, em seguida, resolvi fechar o plano anual de aluguel de bicicletas e baixar o app que mostra onde ha velibs disponiveis e onde ha postos disponiveis para vc estacionar a sua. E é o tipo de coisa que recomendo. Pra todo mundo.

Ah, o app <3
A primeira vez que usei Vélib foram nas melhores férias do mundo, em 2008. Sedentarias empolgadas, eu e MRita resolvemos testar no dia que chegamos a Paris, depois de viajar durante a noite toda. Resultado: ficamos quebradas no dia seguinte, claro. Mas valeu a pena. Lembro que, seguindo nossa querida anfitriã, fomos do Quartier Latin para a Cité Universitaire. Desde que mudei para ca, não tinha feito isso ainda. E olha que tem um ponto na esquina desse meu apto.

O sistema "Vélib'" foi inaugurado em Paris em 2007. Segundo a Wikipedia (sorry, não achei fonte oficial -- os sites proprios estão com problemas), hoje, são 23 mil bicicletas espalhadas por 17 mil pontos na região. Nesses dias lindos e nem tão quentes, como os dessa época do ano, é uma otima maneira de se locomover. Tenho uma amiga que inclusive volta das baladas de velib. Para quem vem turistar, da para alugar por um dia.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Bienvenu dans mon monde


Eu ja falei da relação dos franceses com o clima. Pois é. Esta acontecendo de novo. A primavera realmente chegando – dias mais quentes e um sol “de verdade”, daqueles que brilha forte e esquenta. E o melhor: não esquenta muito (porque eu adoro o começo da primavera, mas continuo detestanto o calor se não estou de férias, na praia).

Hoje, no trabalho, sai para almoçar e o clima é, de fato, outro. As pessoas até mudam os topicos, sabe? Em vez de reclamarem do pais, do trabalho, do metrô, da vida, elas se divertem. Falamos de séries e das grandes empresas espanholas (Santander e Telefonica, por exemplo). Ai chegamos à independência da Catalunha. E dai que isso era tão longe de mim, que eu achava que esses “movimentos separatistas, gente, que coisa...”. Mas dai que começamos a discutir que, se eles querem separar, vão ter de passar por todo o processo para entrar na União Europeia, na zona do euro...e dai que começamos a falar de idiomas, de dialetos. E de tanta coisa. Que me toquei porque continuo chegando tão cansada em casa, mesmo ja estando mais acostumada com a troca de idiomas no dia a dia*. E muita informação.



*Eu não comentei aqui. Mas, desde janeiro, tenho um chefe novo. Que veio de Londres e, portanto, fala em inglês comigo. “Nossa, isso é otimo pra vc”, vc deve estar pensando. Sim, é. Mas pensa. Eu tava me acostumando com o francês, sabe? Assim, como lingua oficial. E dai começa tudo de novo a troca de linguas. E ha de se levar em consideração que fiquei algum tempo mergulhada no francês e perdi um tanto do inglês (mesmo tendo aulas no Master). E é isso: francês-inglês-português. O tempo todo. Tem hora que ter passado dos 30 pesa.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Nouvel an

Faz tempo que não venho aqui. Muito. E percebi que isso pode ser ruim. Porque é muito bom ter as memorias registradas. Aquela primeira impressao guardada. Depois de um tempo, a gente relê e ai as coisas tomam outra dimensão. Enfim.

2013 começou em uma soirée open bar. Com um sentimento estranho, sabe? Porque eu quis muita coisa pra 2011 e 2012. Mas o réveillon de 2013 foi assim, de vestido claro (como as brasileiras gostam, né? Pq aqui ninguém liga), mas sem saber o que desejar. Se tudo continuasse do mesmo jeito, ja estava legal. Mas a gente sempre quer mais, né?

E 2013 começou em uma soirée open bar, com uma mesa gigante cheia de brasileiros – mais importante, a maioria la da região do 019, onde o r é puxado de um jeito diferente. Ai que tinha musica, boa companhia que até inventou de pular sete ondas na frente do bar. Vai que funciona, né? Aqui, a gente abraça as nossas novas superstições.

Ai janeiro passou voando. Acabou com um fim de semana fantastico, com as visitas mais queridas. Susan Miller disse: “You are likely to have a beautiful event to attend on Saturday, January 26 - a wedding, anniversary, benefit, or other celebration. On this weekend, you'll be surrounded by lots of friendly faces”. Eu nem botava muita fé nela, mas foi lindo ter, ao mesmo tempo, três dos mais queridos amigos, aqueles que sempre apoiaram essa minha loucura de pegar as malas e parar em Paris.

Muito amor
Ai no começo de fevereiro, peguei o avião. De férias. No Brasil. Rodeada de novo por friendly faces. Mais que isso. Calor, de calor humano. E sofrimento com o calor da rua, sabe? Mas teve praia e carnaval do Rio. Era um plano. E deu certo. Teve bloco com dois dos amigos mais lindos que encontrei na vida. Teve Sapucai com a prima querida. Teve tantas manhãs de familia, com meu sobrinho roubando o mouse (ou qualquer outro objeto), correndo e a gente rindo atras dele. Mas eu voltei.
Carnaval na Sapucai (a foto ta péssima, mas garanto que foi legal)
E fui pra Berlim a trabalho. E voltei. E recebi duas visitas queridas: uma amiga de infância e uma outra prima querida. Que cresceu tanto, meudeus. Ela queria ver neve e ficou presa na estrada, dentro do ônibus, a caminho de Amsterdan. Eu nem sabia o que pensar. Ta, ela cresceu tanto. Ainda bem.
No meio do hotel, em Berlim, tinha esse aquario

O muro. Ou uma parte dele

Mas deu tudo certo. E nesse tempo foram dois fins de semana de viagem. Novas cidades, novo pais: Bordeaux e Roma. Conhecer a Italia com alguém tão italiana quanto eu foi bem legal. De quebra, duas netas de Francisco assistiram, ao vivo, a primeira bênção do papa Francisco. Dona Ada ficaria orgulhosa, eu sei. (e essa visita merece outro post. Vou tentar escrever logo)

La no Vaticano. Depois vou procurar a foto do papa (em outra janela, por sinal)
Ai que a vida aqui sempre tem movimento. Gente que chega, gente que vai, gente que volta. Não é legal se acostumar a despedidas e eu não quero “saber” me despedir. Paris me ensinou que ninguém é insubstituivel, mas a gente sobrevive. Minhas sextas ficarão mais vazias. Mas ninguém disse que seria facil. E é assim, né?

Pois é. Ta na hora de falar tchau :-(