terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Le carnaval parisien

Nuossa. Faz tempo que não escrevo aqui. Até me esqueci de contar como foi o carnaval. Então, esse post vai ser basicamente sobre isso. Depois 'atualizo'.

Eu, sinceramente, não estava botando muita fé no carnaval pariense. Mas também não estava sofrendo como a Fernanda, minha alma gêmea daqui. Acho que porque eu havia acabado de voltar do calor escaldante do Brasil e dá até um certo alívio não derreter cada vez que a gente sai na rua. Mas enfim. O carnaval tava lá, no calendário. Eu sabia que uma hora ia querer ouvir uma bateria e tentei acreditar que acompanhar a transmissão pelo G1 seria suficiente.

Para não pensarmos muito nisso, sugeri um jogo de rugby no sábado à tarde. E lá fomos nós, eu e Fernanda, pessoas que gostam da folia, descobrir Saint Denis, uma cidade que fica aqui do lado de Paris. O estádio onde aconteceu o jogo foi o mesmo onde o Brasil perdeu a Copa de 1998. Logo, era importante conhecê-lo e seria interessante que isso não acontecesse num jogo de futebol, pq os franceses adoram lembrar da vitória deles.

Demorei pra baixar e acabei apagando, sem querer,
outras fotos melhores. Por isso a catedral está torta
Aproveitamos para conhecer a catedral de Saint Denis. Por fora, não é muito impressionante. Ou melhor, é. Mas lembra bem a Notre Dame e tantas outras que a gente conhece. Depois de entrarmos, descobrimos que é lá que ficam os restos mortais dos reis da França. Tinha até da Maria Antonieta. O lugar é frio, muito frio, mas vale a visita.

Estatuetas ficam espalhadas no fundo da igreja
Depois, procuramos um lugar para almoçar e, sinceramente, não foi fácil. Não tinha nada muito 'apresentável'. Acabamos pedindo quiche mas, mesmo assim, foi decepcionante. E seguimos para o jogo.

Antes do começo do jogo
O estádio é muito bonito. Sinceramente, não me lembro de ter visitado um lugar como esse no Brasil. Quando chegamos, uma banda estava tocando. Depois, houve uma tentativa de carnaval. Ça veut dire. Várias moças entraram dançando de biquíni e acessórios como de escolas de samba, seguidas por uma minibateria e uma ala de capoeiristas (????). Era um samba bem do fraco. Os franceses, na arquibancada, não entendiam nada. Eu e a Fernanda ficamos rindo. E as moças dançando, naquele frio. Elas deram a volta no campo e depois entraram no gramado. De repente, um minicarro alegórico parou e algumas delas entraram. O locutor, tentando explicar o vexame, falava "Hoje é carnaval!". Mas ninguém se empolgou muito.

Pois é. Ninguém entendeu
E enfim o jogo começou. Paris (que usa um uniforme rosa) e Toulon (preto e vermelho). Já havia aprendido as regras básicas com o Eduardo, namorado da Fe. Mas ele não estava com a gente. Então, foi meio na raça. De qualquer maneira, eu acho muito engraçado aquele bando de homem, um em cima do outro, e a bola saindo voando do meio dessa confusão. Foi bem legal, um empate de 19 a 19, arrancado nos últimos segundos, literalmente.
A foto ainda é do aquecimento
Depois do jogo, fomos para a Cidade Universitária, onde rolou uma festa de carnaval de verdade, levando em consideração todo o contexto. A gente tava meio cansada e não seguimos a 'orientação' de irmos fantasiadas. Ficamos arrependidas. Ainda bem que os organizadores deixaram umas máscaras pretas para os desavisados (merci, Pedro). O jeito foi dançarmos parecendo a "tiazinha" depois da fama. E tocou marchinha. Jorge Ben. E teve cerveja gelada. O que mais a gente podia querer?

Parte do bloco 'Vai, tiazinha', na festa de sábado
Domingo teve carnaval de rua. Eram oito ou nove blocos, um atrás do outro. Uma zona. Tinha de tudo -- até um povo com cara de boliviano, sabe? As baterias se misturavam. Mas foi animado. E serviu pra mostrar, principalmente, que carnaval não combina com frio. É um pouco estranho tentar acompanhar os grupos sem luvas. Tava sol, mas não tava quente. Pelo menos descobri uma escola de samba aqui (chama Aquarela).

Uma bateriazinha pra quem tava em crise de abstinência
Observação: esse post é quase uma homenagem. Feeeer (Bochembuzo), escrevi pq vc falou que tá com saudades!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Un petit cadeau

Meu pai viveu boa parte da vida dele com três mulheres em casa. Todos os aniversários, nós escolhíamos camisas lindas na loja de um amigo dele, lá no interior. Tentávamos ousar, escolher um xadrez vermelho, alguma coisa meio rosa. Toda vez que isso acontecia, ele passava na loja e trocava. Sem mágoas. A gente tentava, mas, no fundo, sabia que ia acabar assim.

Depois, eu e minha irmã mudamos de cidade. Começamos a comprar "pólos". Para evitar transtornos, escolhíamos sempre alguma coisa azul ou branca. No máximo, verde escuro, amarelo claro ou cinza. Nada de muita ousadia, porque não é mesmo a cara dele.

Até que mudei pra Paris. E tava lá, andando pela Champs Elysées e pensando em um presente para ele. E vi a Lacoste, com cartazes imensos de soldes. Entrei. Um vendedor muito simpático me atendeu. Depois que expliquei minha preocupação com o tamanho (meu pai tem ombros largos e os franceses me parecem menores), ele me ajudou a chegar a um modelo mais tradicional e até elogiou meu francês. O último passo, porém, era só meu -- escolher a cor. Naquele momento, depois da última prova do master e com tanta coisa na cabeça, esqueci de todos os aniversários do Augusto e dos dias dos pais da minha vida. A Luciane que tava lá na loja era aquela que já morava havia quase cinco meses em Paris. Que já gostava de bota de pelos, de brilho durante o dia, muita maquiagem e cabelo armado. Que estava empolgada com a nova coleção chegando às lojas e com as cores fortes. E aí puxei uma pólo verde. Verde bem verde. Verde tipo abacate, sabe? 

Cheguei ao Brasil no dia do aniversário dele, um dos homens mais importantes da minha vida (porque agora tem o Miguel, né??). Empolgadíssima, tirei da mala a pólo da Lacoste. Ele ficou feliz, claro. Experimentou, tentou falar que tava bom. Mas tava grande. Pouca coisa. Mas num tava caindo bem. Pegamos uma outra blusa dele da mesma marca e, de fato, era um número menor. Tudo bem. Sugeri trocar. Alguns dias depois, discretamente, minha mãe veio me falar que era melhor escolher uma outra cor. Mais discreta. Claro. Nessa hora, a ficha caiu.

Voltei pra Paris, passei uma tarde na biblioteca da escola e cheguei pensando que tinha de trocar o presente, né? Procurei a nota e vi que o prazo para échange tinha acabado havia um dia. Na minha cabeça, programei todo o drama. Ia jogar a frase mágica 'Je suis brésilienne'. Aí era só fazer uma cara de perdida.

Bem, hoje coloquei casaco e cachecol e fui para a Champs Elysées. Uma senhora loira e muito simpática me atendeu e disse que era só subir e procurar uma blusa para a troca. Falei com o vendedor do andar de cima. Ele foi procurar o número. "Não tem mais", falou. Mas continuou procurando. Até que achou. "Tenho só uma! Vc deu sorte!". Na hora que olhei, dei risada. Juro. Porque eu já tinha lembrado de todos os aniversários e dias dos pais. Mas tive de descer e fazer a troca, sem nem precisar do texto decorado. E cá estou com uma pólo laranja. Para o meu pai, aquele que gosta de tons pastéis. Era isso ou isso.

E enfim. Tô pensando no que fazer com ela. Se tiver coragem o suficiente para enviar pra ele, tenho de avisar que é um modelito verão. Bem verão. A cara do Brasil. E a cor da próxima estação (isso é verdade, todas as coleções primavera por aqui são laranjas ou verdes). Enfim. Não tive coragem de contar pra ele ainda. Vim aqui pra desabafar.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Brésil

Acabei de voltar de 'miniférias' de dez dias no Brasil. Nesse período, eu:
- conheci o Miguel;
- revi família e amigos;
- me apaixonei pelo Miguel;
- fui à casa da minha avó e senti um vazio enorme, que parece que nunca vai ter fim;
- apertei o Miguel;
- fiz as unhas, depilei com cera quente e cortei cabelo;
- batizei o Miguel;
- fui a dois churrascos e comi muita comida da minha mãe;
- me diverti com o Miguel;
- dormi bastante;
- ajudei a cuidar do Miguel;
- remexi em algumas coisas antigas;
- beijei o Miguel e quase fui beijada por ele (pq ele ainda não sabe fazer tudo, né?);
- fui ver XV 0 x 2 Catanduvense, debaixo de chuva, no estádio;
- não me cansei de olhar para o Miguel.

Fazendo um balanço, é óbvio que o Miguel roubou toda a minha atenção. Ele é muito mais lindo, cheiroso e simpático do que qualquer um pode imaginar vendo as fotos. Foi muito duro sentir a falta que minha avó faz. Mas foi muito bem sentir o coração enchendo cada vez que via os olhinhos azuis do meu sobrinho. Eu queria que os dois tivessem se conhecido.