sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Les valises

Cada vez que vai sair, a pessoa experimenta 302 peças de roupa, com todas as combinações possíveis. Aí olha para o guarda-roupa e pergunta: 'por que, meudeus, não comprei AQUELE vestido/AQUELA calça/blusa. Pra que tanta coisa que nem gosto?'. Ela até gosta dos seus sapatos, mas, quando faz as unhas do pé e quer variar um pouco, usa uma sandalinha mais bonitinha e seus dedos machucam, o pé dói...

E a pessoa em questão vai viajar, mudar para um país tão tão distante, do outro lado do oceano. E sabe que pode levar duas malas, com 32 quilos cada uma. E nada cabe. Ficam de fora roupas e sapatos que ela jura que precisava deles pra viver.

Um pouco estranho, né?

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Déménagement

Sim, a perspectiva de mudar para Paris é genial. Afinal, foi um longo processo desde as aulas de francês até o 'aceita' da universidade. Mas tem uma coisa bem difícil nesses últimos dias - a mudança.
Eu tenho de esvaziar o apartamento. Moro sozinha. Dois quartos. Cozinha. Sala. Armários. Minha vida em todos esses cômodos. É bem difícil avaliar papelada, jornais e revistas antigos, roupas...Só não mexi nas fotos. Acho que não consigo me desfazer delas.
Mas, olha. Bem mais fácil a vida dessa nova geração, que deixa tudo armazenado no computador. Ocupa menos espaço e, para jogar fora, é só apertar o delete. Eu tenho de exercitar meu lado geração Y.
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Decidi doar um monitor, um teclado e uma impressora bem bem velhos que estavam aqui em casa e não eram usados há muito tempo. Aí, marquei com a instituição que ajuda menores com deficiência mental. Acabei juntando revistas, livros, CDs e até umas peças de roupa. Os funcionários vieram buscar. Era tudo velharia, certo? Eu já estava cansada, querendo me livrar das tralhas, certo? Certo. Duas vezes. Mas eu chorei. Chorei feito criança. Chorei como eu sei fazer muito bem, mas não precisava nessa ocasião. Chorei e ainda liguei para os meus pais. Bem 15 anos.
É uma sensação estranha. Essa de desapegar. Eu tenho um pouco de dificuldade de passar por isso em plena TPM.
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Aí, além da mudança, tem as despedidas. Que começaram na semana passada.
Entre as coisas mais gostosas desse processo todo, está receber manifestações de carinho e apoio. Agora mesmo, uma amiga linda e são-paulina me mandou uma mensagem 'Eu já estou com saudades antes de vc partir'.
É. Eu quase chorei. Quase. Fechei a mensagem rapidinho.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

L'argent

Quando vc ganha em reais e tem de fazer as contas em euros, começa a pensar em opções como: faço a carteira de motorista internacional ou escova progressiva??

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Le visa

Dizem que é meio complicado conseguir o visto para entrar na França. Bem, eu fiquei nervosa. Olhei toda a papelada milhares de vezes, conferi as cópias, os originais, o dinheiro que tinha de levar e as fotos (3,5 cm por 4,5 cm). Na saída da minha casa para o consulado, não encontrava as fotos, fiquei mais nervosa e pensando se ia conseguir. Lá embaixo do prédio, perto da bandeira francesa, tava tremendo e tentando arrumar as coisas, pela última vez.

O plano B era parecer meiga, fazer um *plim* e convencer a atendente a liberar minha entrada usando a minha simpatia e, talvez, algumas lágrimas (afinal, chorar na frente de todo mundo é minha especialidade).

Contei com o apoio dos meus pais, que estavam aqui em SP. Minha mãe ficou perto de mim lá no consulado. Como se eu estivesse no primeiro dia de aula, sabe?

No fim, deu certo. A mocinha foi simpática e nem precisei usar meus artifícios supracitados. A senhora que analisou os documentos foi rápida, desconfiou só da liquidez da minha conta. Mas nada que a papelada não resolvesse. Elas me disseram pra buscar o passaporte daqui a cerca de duas semanas.

A essa altura, na minha lista de pendências, já risquei o visa. Ufa.