terça-feira, 26 de junho de 2012

Fête de la Musique

Diz a lenda que a Fête de la Musique inspirou a Virada Cultural de SP. Para quem não sabe do que estou falando, explico bem por cima: são eventos que preveem uma série de shows musicais gratuitos por toda a cidade. Na França, a festa ocorre desde 1982. Segundo o site oficial, o modelo começou a ser “exportado” em 1985, no “ano europeu da musica”.

Sinceramente, nunca fui a um evento desse no Brasil. Nem trabalhando, nem a passeio. Cheguei a combinar no ano passado, mas tive que fazer um curso de meteorologia (!!!) e estava muito cansada para sair depois. Eu tenho preguiça de eventos que mobilizam muita gente (menos do carnaval) e sempre achava dificil o acesso a alguns palcos interessantes.

Em SP, o que chama a atenção são os shows de artistas famosos. Me falaram que eles inclusive recebem pela apresentação, como se fosse qquer festival. Aqui na França é bem diferente. E bem interessante. A começar pela data: sempre ocorre em 21 de junho, o “solcistico” de verão. Este ano, caiu numa quinta-feira. E eu sempre ja estou bem cansada nessa “fase” da semana. Ai a Fernanda, sempre ela, me manda um e-mail para perguntar o que a gente ia fazer. Fui bem sincera. Respondi que o meu medo era sair e encontrar todos os musicos do metrô enfileirados e tocando Bamboleo ou Bésame mucho ou alguma letra que não entendo. Ela riu e tentou argumentar: “também estou cansada, mas é a Virada Cultural original. A gente vai se arrepender se não for”.

Coincidentemente, logo depois comecei a dar uma pesquisada nos eventos para o fim de semana. E achei um show do nosso grupo de samba favorito daqui, o Roda do Cavaco, no lugar de sempre, bem na Fête de la Musique. Ça veut dire: de graça!

No dia, até pensamos em alguma coisa mais “francesa”, um parque, uma musica classica, algum show que acabasse mais cedo. Comecei a procurar, mas não conhecia nenhum artista. E voilà a maior diferença: aqui a grande atração são os amadores. E ai caiu o maior temporal e decidimos ir ao bom e velho samba, pq sabiamos que era coberto.

Chegamos la e estava tendo uma aula de cavaquinho. Uma coisa surreal. Como o ambiente estava quieto (ng conversava além do prof), decidimos sair. Na rua, uns africanos passaram com a sua batucada. E, na esquina, vimos uns brasileiros tocando.




No fim das contas, como tudo que é brasileiro por aqui, o show atrasou. Mas foi um dos mais legais que ja vi. O clima era otimo, com brasileiros e franceses, crianças, adultos...todo mundo dançando e cantando. A seleção de musicas foi genial. E nem a fome atrapalhou.

No fim, la pelas 2h, desci a pé até em casa. O caminho todo estava cheio de gente. O 20eme parecia Salvador no carnaval (embora eu nunca tenha ido a Salvador no carnaval). Tinha batuques por todos os cantos.



Quando cheguei no meu quarteirão, tinha palco de hip hop e, um pouco mais pra frente, um povo dançando Black Eyed Peas. As ruas e calçadas estavam lotadas. Mas sem aquele medo, aquela preocupação de te levarem qquer coisa. Foi dificil alcançar o portão do prédio, meu celular tava sem bateria e eu não lembrava o novo codigo (que obviamente estava registrado no meu celular). Mas, mesmo assim, estava tudo bem. No fim, acabei usando o chaveiro de segurança e deu tudo certo.

A Fernanda foi dormir em casa e saiu mais cedo no dia seguinte. Ela tirou as fotos da sujeira em frente do meu prédio. Eu sai mais ou menos uma hora mais tarde e ja não tinha nada. A calçada tava toda molhada – imagino que fazia parte da limpeza. Alias, todas as fotos desse post foram feitas por ela! Merci, chérie.


Ha alguns dias, conheci um brasileiro que vem aqui todos os anos para a Fête de la Musique. Não acho que ninguém tem de virar assiduo. Mas super recomendo!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Le plan, la feijoada, la samba, les années 40...

Eu sei que estou atrasada. A impressão que tenho, agora, é que tenho de correr atras, recuperar o tempo. Mas não acho que foi perdido.

Nas ultimas semanas, recebi as visitas mais queridas (e depois tenho de escrever sobre isso), e com elas andei como turista pelas ruas de Paris, procurando informações, dando passos mais lentos, aproveitando os museus e até Versailles. Viajei, conheci novos lugares, aprendi novas teorias, dei risada alto e não chorei nem nas despedidas. Mas ai que as visitas se foram e agora é hora de retomar o plano inicial: eu vim pra estudar, certo? Fico repetindo isso, pra ver se consigo evoluir no mémoire.

Pra tentar re-entrar no clima de "vim estudar em Paris", nada como um encontro com brasileiros que estão por aqui. Cada um com sua meta e sua expectativa.
O plano era reunir no sabado (passado) e me concentrar no domingo.

Minha casa tava quase cheia. O fogão pequeno segurou a onda e fizemos uma feijoada. O arroz era minha responsabilidade e, aiquevergonha, ficou quase um sushi gigante de tão empapado. Ainda bem que todo mundo foi gentil e disse que ele tava bom, na mistura com o feijão.

Depois do almoço, uma sonequinha coletiva e samba. Quer dizer. Falaram que era samba. Chegamos no fim de uma roda que estava até animada. Ai pagamos para entrar em outro ambiente. O "show" demorou duas horas para começar (o que, descobrimos, é uma das caracteristicas dos brasileiros e tudo o que tem a ver com isso por aqui). E ai sobem uns franceses no palco e dizem "Bem-vindos à Lapa dos anos 40". Era o que faltava.

Depois de uma semana cansativa, esperamos até a 1h da madrugada e pagamos em euro pra entrar numa apresentação de seresta, sabe? Poderia ser legal, se não fosse uma balada. Depois ainda esperamos o DJ acertar na musica, mas ele tb não colaborou.

Eu e a Fe, sempre ela, voltamos para casa a pé, depois da pior balada que enfrentamos em Paris. O unico saldo positivo foi que descobrimos que estamos a um grau de separação do Chico Buarque. Sim, ele mesmo. O Chico jogava bola com um brasileiro que saiu decepcionado, antes de nos, da "Lapa-antiga".

Pra arrematar o fim de semana de surpresas, meu vizinho bateu na porta de casa em pleno domingo de manhã.

Ele: Vc entende francês?
Eu: Sim
Ele: Vc é italiana?
Eu: Não
Ele: E a sua amiga?
Eu: Não
Ele: Mas vcs são de onde?
Eu: Somos brasileiras
Ele: E que minha mãe é siciliana e eu sei que os italianos falam mais alto. Mas aqui na França todo mundo fala baixo. E a sua janela fica proxima da minha e eu so queria pedir, gentilmente, para vcs falarem mais baixo. Eu sei que é cultural, mas aqui se fala baixo e é domingo

DETALHE: Domingo de manhã, a gente tava acabando de acordar. Ninguém nem tinha forças para gritar. Mas, enfim. Como a gente ja sabia, na França, fale como os franceses. Ou vão te achar italiana! Fica a dica.