Semana que vem eu completo um mês de Paris. Eu já havia visitado a França antes. Mas, somadas as três viagens de férias, fiquei pouco mais de 20 dias por aqui. O que significa que já dobrei minha estadia nesse país que gosto tanto.
Depois desse tempo, dá para fazer um balanço das primeiras impressões. Tá fácil? Não, não está. Lembro sempre que troquei uma vida já encaminhada por novos desafios. Não gosto de falar que joguei tudo para o alto porque vim para cá com um grande objetivo -- fazer um master professionnel na melhor escola de comunicação da França, que é vinculada a uma das universidades mais respeitadas do mundo, a Sorbonne. Aí é tudo novo -- o idioma, as pessoas com quem a gente divide o dia a dia, o supermercado e até a programação da televisão. Chego ao fim dos dias esgotada -- mas aí eu vejo cada prédio com telhado azul, lembro da torre, das pontes do Sena...e tudo isso já valeu a pena.
Aqui vão algumas características da minha versão francesa:
- Continuo saindo atrasada de casa, mas ando mais rápido que em SP. Sim, eu continuo saindo tarde de casa, mesmo tendo aulas, de vez em quando, às 10h. E aí vou correndo. Já cheguei a ultrapassar os franceses -- o que é incrível, porque eles estão mais acostumados às dezenas de degraus do metrô e são mais magros. Por isso, vão mais rápido...
- Estou me acostumando a ler em pé. É que comecei a ler os jornais distribuídos no metrô. E nem sempre tem lugar para sentar. Fico mega-orgulhosa quando consigo acabar pelo menos uma reportagem.
- Eu adoro o metrô. Todo mundo devia experimentar essa sensação de poder ir para qualquer canto da cidade, inclusive à noite, e chegar sã e salva em casa, sem precisar se preocupar com trânsito, com trombadinha que quer quebrar o vidro do carro, com blitz da Lei Seca...
- Gosto de cozinhar (Sério. Nem eu acredito nisso). Eu adoro ficar vendo as coisas no supermercado e pensar no que dá pra fazer em casa. A cozinha é apertada, o fogão tem só duas bocas e a geladeira é, na verdade, um frigobar. Mas já me virei bem com os parcos recursos.
- Faço contas todos os dias. Vida de estudante. Sem previsão de salário no fim do mês. Nem do ano. É isso.
- Consegui ficar 3 semanas sem comprar roupas. Me dava gastura pensar que ainda vou ter de fazer uma mudança (já que meu studio é provisório). Mas aí entrei no site da H&M , tinha um aviso de solde e acabei indo para o Boulevard Haussmann. Mas gastei bem pouco. Mesmo.
- Ouço mais do que falo. Essa é a mudança mais drástica. Quem me conhece, sabe. Mas é que ainda tenho dificuldades de entrar numa conversa de franceses. Os mais jovens falam muito rápido e usam gírias. Eu até consigo entender a maior parte do que eles falam. Mas aí chega minha vez de falar e parece que quebra o ritmo da conversa, pq não falo tão rápido e me preocupo com construção de frases, tempo verbal e essas coisas. Ainda bem que tenho colegas brasileiros que estão passando pela mesma coisa. E nossa esperança é que, com o tempo, a gente consiga desenvolver uma 'intimidade' com o idioma.
((E me desculpem pq esse blog só tem fotos da torre. Não tenho culpa se ela aparece toda hora e fica bem em todos os registros))
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
domingo, 25 de setembro de 2011
Week-end
O fim de semana começou com encontro com amigos do Ifesp, a escola onde estudei francês, em um pub no Quai des Grands Augustins. Para chegar lá, desci na estação de metrô Saint Michel e, ao sair, dei de cara com a Notre-Dame. Se não me engano, foi a primeira vista que tive da Paris-turística, a long time ago, quando vim à cidade pela primeira vez. Na época, estávamos em um hotel mais afastado (que não faço ideia de onde fica) e pedimos para o taxista nos levar até um lugar 'animado'. Ele nos deixou em Saint Michel. E acho que tenho foto da Notre-Dame iluminada, à noite.
Desta vez, enquanto aguardava o pessoal, vi um grupo de patinadores passar ao lado da igreja e do pub. E o encontro com os outros brasileiros foi divertido.Voltei no táxi do outro post.
O sábado amanheceu quente, perfeito para o programado -- um pique-nique da rentrée da Paris IV, ao lado da Tour Eiffel. Depois de tantos comes e bebes, a gente começou a se revezar para ir ao banheiro. Claro que para as meninas era mais difícil, porque a fila era sempre enooorme. Nas primeiras vezes, descemos uma escadinha ao lado da torre. Mas aí esse banheiro fechou para limpeza. E chegou a hora de irmos à cabine que fica no caminho entre o metrô e a torre. Para quem não conhece, a cabine é até grandinha e, entre um usuário e outro, rola uma lavagem automática. Se alguém entra antes da limpeza, a porta fica abrindo e fechando. Sempre tem alguém que aprende esse esquema na fila. E o processo fica um pouco mais lento por isso.
Fui a essa banheiro com a Anastácia, uma amiga do Pedro que passou por Paris. Quando chegamos à fila, ficamos tensas com a quantidade de japoneses que estavam à frente. De repente, depois da lavagem, a porta abriu e TODAS as mulheres da excursão entraram juntas. Sério. Acho que eram cerca de dez. Ninguém acreditou. Em uns cinco minutos, a porta abriu e elas saíram. A gente comentou 'nossa, se os homens entrarem todos juntos, a gente tem de agradecer'. E aí a portinha fechou para a limpeza e, depois...todos os japoneses entraram juntos. E saíram logo. E aí só faltavam dois casais indianos estranhos na nossa frente. E tudo andou mais rápido. Ufa.
Voltando ao pique-nique, claro que fomos os últimos a ir embora, quando decidimos procurar alguma coisa para comer (porque tudo o que tínhamos levados já havia acabado). E aí fui passear no Carrossel em frente da torre. Não lembro exatamente quem teve a ideia, mas o fato é que eu e mais duas brasileiras animadas subimos nos cavalinhos. E a torre começou a piscar. E foi muito genial.
De lá, passamos num supermercado e achamos vinho barato, comemos um crepe e fomos até a Pont des Arts. Como a polícia não nos deixou entrar com nossa bebida, fomos para a beira do Sena.
O domingo foi dia de colocar a casa em ordem, lavar a roupa, dar uma olhada nas coisas da faculdade e ir à missa, agradecer tudo isso que está acontecendo. Era para começar a fazer um trabalho, mas não tive pique. E voilà. Temos outra semana pela frente.
Desta vez, enquanto aguardava o pessoal, vi um grupo de patinadores passar ao lado da igreja e do pub. E o encontro com os outros brasileiros foi divertido.Voltei no táxi do outro post.
O sábado amanheceu quente, perfeito para o programado -- um pique-nique da rentrée da Paris IV, ao lado da Tour Eiffel. Depois de tantos comes e bebes, a gente começou a se revezar para ir ao banheiro. Claro que para as meninas era mais difícil, porque a fila era sempre enooorme. Nas primeiras vezes, descemos uma escadinha ao lado da torre. Mas aí esse banheiro fechou para limpeza. E chegou a hora de irmos à cabine que fica no caminho entre o metrô e a torre. Para quem não conhece, a cabine é até grandinha e, entre um usuário e outro, rola uma lavagem automática. Se alguém entra antes da limpeza, a porta fica abrindo e fechando. Sempre tem alguém que aprende esse esquema na fila. E o processo fica um pouco mais lento por isso.
Fui a essa banheiro com a Anastácia, uma amiga do Pedro que passou por Paris. Quando chegamos à fila, ficamos tensas com a quantidade de japoneses que estavam à frente. De repente, depois da lavagem, a porta abriu e TODAS as mulheres da excursão entraram juntas. Sério. Acho que eram cerca de dez. Ninguém acreditou. Em uns cinco minutos, a porta abriu e elas saíram. A gente comentou 'nossa, se os homens entrarem todos juntos, a gente tem de agradecer'. E aí a portinha fechou para a limpeza e, depois...todos os japoneses entraram juntos. E saíram logo. E aí só faltavam dois casais indianos estranhos na nossa frente. E tudo andou mais rápido. Ufa.
Voltando ao pique-nique, claro que fomos os últimos a ir embora, quando decidimos procurar alguma coisa para comer (porque tudo o que tínhamos levados já havia acabado). E aí fui passear no Carrossel em frente da torre. Não lembro exatamente quem teve a ideia, mas o fato é que eu e mais duas brasileiras animadas subimos nos cavalinhos. E a torre começou a piscar. E foi muito genial.
De lá, passamos num supermercado e achamos vinho barato, comemos um crepe e fomos até a Pont des Arts. Como a polícia não nos deixou entrar com nossa bebida, fomos para a beira do Sena.
O domingo foi dia de colocar a casa em ordem, lavar a roupa, dar uma olhada nas coisas da faculdade e ir à missa, agradecer tudo isso que está acontecendo. Era para começar a fazer um trabalho, mas não tive pique. E voilà. Temos outra semana pela frente.
sábado, 24 de setembro de 2011
Le doute
Ontem saí e, como o metrô estava fechado, acabei pegando táxi pra voltar para casa. Foi um luxo, que acabou custando muito mais barato do que eu estava imaginando. E aí o motorista, um velhinho francês muito simpático, falou de política, elogiou a Dilma, comentou do tamanho do Brasil, perguntou há quanto tempo o país foi descoberto, me falou que quem fez os mapas do Cristóvão Colombo foram os magrebianos e, depois, pensou um pouco e me perguntou: 'por que no Brasil tem tanto travesti?'. Ele disse que morava meio perto do meu estúdio e que havia muito travesti num ponto da região. Eu não consegui responder.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Les filles
O aniversário de 450 anos de São Paulo foi um dos eventos em que mais trabalhei na vida. Na semana das comemorações, o Lula viajou para participar da inauguração (ou reinauguração) da fonte do Ibirapuera e eu fui credenciada, junto de outro repórter do jornal. Com jeitinho, meu editor falou 'olha, melhor vcs se arrumarem bem, porque é um evento importante, com o presidente e vários empresários'. Tudo bem. Lá fui eu de bota de saltão, camisa e escova nos cabelos. A programação era o outro repórter ir mais cedo, para também ver o movimento, a chegada das pessoas/políticos. Aí, no fim da tarde, caiu a maior chuva. O trânsito parou. E rolou o maior alagamento em Osasco. Adivinha o que aconteceu? Eu, que ainda tava na redação, fui parar no Jardim Rochdale, de galocha, que acabou nem adiantando, porque pisei num buraco e molhei a calça e os pés, antes de conseguir chegar ao bar onde vários moradores do bairro estavam 'abrigados'.
Enfim. Toda essa introdução -- que em jornalismo é chamada de nariz de cera -- é para contar que não costumava me arrumar, maquiar e tals, no meu dia a dia, porque realmente não adiantava. Repórter de cidades, mesmo fazendo muita matéria de política municipal, acaba entrando em umas roubadas. E a gente acaba abrindo mão dessa vaidade cotidiana.
Aí, depois, fui trabalhar às 7h da manhã. E usava a desculpa de 'acordar cedo' para não emperuar.
E eis que cheguei à França, onde a mulherada passa lápis preto e rímel para ir ao supermercado. Imagina então como é a sala de um master, com meninas na faixa dos 23 anos...
Eu até incorporei o rímel de vez em quando e sempre passo alguma coisa na boca, principalmente pra evitar ressecamento. Até aí, tudo bem. Mas hoje fui me tocar que minhas unhas estão horríveis. Péssimas. E aí que resolvi dar um jeito. Acabei de fazer o pé. Quer dizer. De tentar fazer isso. Se ficou bom? Eu não acho. Tanto que nem vou colocar foto. Mas tem uma coisa que foi fundamental para não ficar tãããão horrível assim: um esmalte que vem em uma espécie de pincel, que eu, minha irmã e minha mãe compramos nos Estados Unidos. A marca é Sally Hansen. Usei um rosa clarinho - foi fácil de 'aplicar' e fica bem discretinho. Recomendo. (E olha que nem tô ganhando nada de patrocínio)
**
Falando em cositas de meninas...aqui perto de casa tem pelo menos dois salões com especialistas em 'lissage brésilien' -- o que imagino que seja a escova progressiva. Mas é tudo em euros, né?
Enfim. Toda essa introdução -- que em jornalismo é chamada de nariz de cera -- é para contar que não costumava me arrumar, maquiar e tals, no meu dia a dia, porque realmente não adiantava. Repórter de cidades, mesmo fazendo muita matéria de política municipal, acaba entrando em umas roubadas. E a gente acaba abrindo mão dessa vaidade cotidiana.
Aí, depois, fui trabalhar às 7h da manhã. E usava a desculpa de 'acordar cedo' para não emperuar.
E eis que cheguei à França, onde a mulherada passa lápis preto e rímel para ir ao supermercado. Imagina então como é a sala de um master, com meninas na faixa dos 23 anos...
Eu até incorporei o rímel de vez em quando e sempre passo alguma coisa na boca, principalmente pra evitar ressecamento. Até aí, tudo bem. Mas hoje fui me tocar que minhas unhas estão horríveis. Péssimas. E aí que resolvi dar um jeito. Acabei de fazer o pé. Quer dizer. De tentar fazer isso. Se ficou bom? Eu não acho. Tanto que nem vou colocar foto. Mas tem uma coisa que foi fundamental para não ficar tãããão horrível assim: um esmalte que vem em uma espécie de pincel, que eu, minha irmã e minha mãe compramos nos Estados Unidos. A marca é Sally Hansen. Usei um rosa clarinho - foi fácil de 'aplicar' e fica bem discretinho. Recomendo. (E olha que nem tô ganhando nada de patrocínio)
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Falando em cositas de meninas...aqui perto de casa tem pelo menos dois salões com especialistas em 'lissage brésilien' -- o que imagino que seja a escova progressiva. Mas é tudo em euros, né?
terça-feira, 20 de setembro de 2011
En retard
Tem muita coisa acontecendo em Paris e sei que estou atrasada. Aulas, aulas e aulas. Ainda bem que a gente consegue ir a um pique-nique ou a uma festa diferente de vez em quando...
No domingo (18), teve a Lavage de la Madeleine, com direito a trio elétrico e tudo. Fiquei sabendo na véspera. Não sou a parte da família super ligada nesse tipo de evento. Mas fui à "micarretá" pelas ruas da capital francesa.
O evento começou com um cortejo de cerca de 4 km. Participaram do desfile grupos de maracatu, batucada, capoeira, boi...No trio elétrico, cantaram até uma versão de 'Je ne regrette rien', em francês mesmo, mas em ritmo de salsa. No fim, as baianas ainda jogaram água de cheiro. Foi quase como atravessar o oceano por algumas horas.
**
Mas em Paris as coisas tb dão errado. Ontem, antes de sair de casa, uma blusa minha rasgou e minha tiara simplesmente quebrou. A única que eu trouxe do Brasil. Hoje, saí tão apressada que acabei perdendo uma pashimina linda, linda, que comprei na Espanha. Todo mundo torcendo para a maré virar, por favor?
No domingo (18), teve a Lavage de la Madeleine, com direito a trio elétrico e tudo. Fiquei sabendo na véspera. Não sou a parte da família super ligada nesse tipo de evento. Mas fui à "micarretá" pelas ruas da capital francesa.
O evento começou com um cortejo de cerca de 4 km. Participaram do desfile grupos de maracatu, batucada, capoeira, boi...No trio elétrico, cantaram até uma versão de 'Je ne regrette rien', em francês mesmo, mas em ritmo de salsa. No fim, as baianas ainda jogaram água de cheiro. Foi quase como atravessar o oceano por algumas horas.
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Mas em Paris as coisas tb dão errado. Ontem, antes de sair de casa, uma blusa minha rasgou e minha tiara simplesmente quebrou. A única que eu trouxe do Brasil. Hoje, saí tão apressada que acabei perdendo uma pashimina linda, linda, que comprei na Espanha. Todo mundo torcendo para a maré virar, por favor?
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
L'anglais
Como se não bastasse estar fazendo um curso em francês, eu tenho aula de Corporate conversation, em inglês. Pois é, gente. Eu, que sempre trabalhei em redação. E para depois voltar ao modo 'francês' (pq claro que a aula de/em inglês é no meio do dia)? Juro. Não tenho mais idade pra tanta informação de uma vez...
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Lire, écrire, grandir
Esse é o nome de um programa que está passando na televisão agora à noite, falando sobre crianças na escola. E significa: ler, escrever, crescer. Achei apropriado para mim.
Hoje, uma professora que fala muito rápido me perguntou uma coisa. No meio da aula. Demorei pra responder, pra sair do modo 'concentrada para entender tudo' e entrar no 'formando frases em francês'. Depois fui conversar com ela e ela falou 'sei, sim, que vc é brasileira. E o Brasil é um país emergente, que está crescendo enquanto nós, da Europa, estamos caindo. Qualquer dúvida, me fala'. Achei bem simpática.
**
De manhã, terminei de fazer a inscrição administrativa e, finalmente, sou oficialmente uma aluna da Sorbonne.
**
Me toquei agora à noite que estou no inferno astral. Que coisa, né?
Hoje, uma professora que fala muito rápido me perguntou uma coisa. No meio da aula. Demorei pra responder, pra sair do modo 'concentrada para entender tudo' e entrar no 'formando frases em francês'. Depois fui conversar com ela e ela falou 'sei, sim, que vc é brasileira. E o Brasil é um país emergente, que está crescendo enquanto nós, da Europa, estamos caindo. Qualquer dúvida, me fala'. Achei bem simpática.
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De manhã, terminei de fazer a inscrição administrativa e, finalmente, sou oficialmente uma aluna da Sorbonne.
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Me toquei agora à noite que estou no inferno astral. Que coisa, né?
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Les rentrées
'Rentrée' é como os franceses chamam o reinício das aulas, ou do trabalho -- a volta pós-férias. Tipo hoje, para mim. Eu poderia falar que consegui chegar a tempo para a 'palestra' do primeiro dia de aula, apesar do problema na linha de metrô. Eu poderia falar que consegui entender praticamente tudo o que os diretores e coordenadores falaram, e até conversei com uma colega de sala. Eu poderia falar que, meudeus, tive meu primeiro dia de aula no Celsa, a escola de comunicação da Sorbonne. Eu poderia falar que o prédio é simpático, os alunos são bem novinhos e, claro, a maioria é francesa, mas nem me senti 'excluída'. Eu poderia contar que o professor não sabia falar o meu sobrenome e, nessa hora, pensei 'será que tudo bem se falar com meu sotaque mesmo?'. Eu poderia descrever outras sensações que, olha, não imaginei que sentiria novamente. Mas aí lembro que tive uma CRISE DE TOSSE na aula inaugural com o coordenador do curso. E estou morrendo de vergonha até agora.
**
E, nessa sequência de 're-primeiras vezes', ontem foi a vez de aprender a mexer na máquina de lavar roupas, que tem uma marca curiosa: Vedette. Bonito nome. Decidi que tinha que ser nesse fim de semana porque devo encontrar a proprietária do estúdio e, caso houvesse dúvidas, poderia falar para ela, né?
Comprei o sabão em pó em um mercadinho pequeno. Aqui, na verdade, ele vem em pastilhas. Como na caixa tinha o desenho de um gelzinho, pensei que nem precisava procurar amaciante.
Seguindo o plano estratégico de teste, separei umas roupas íntimas (vamos manter o nível familiar do blog) e umas duas blusinhas. Se desse tudo errado, as peças iam ficar por baixo mesmo. Procurei pelo estúdio o manual ou qquer informação específica sobre a Vedette, mas não achei. Então, coloquei lá cada peça de roupa, as pastilhas e liguei. Não sabia exatamente o que cada botão poderia significar, mas ok.
Tudo começou a girar, como era o esperado. E continuou girando. Achei que não tinha água, mas me aproximei e vi que tinha, sim.
Aí liguei o msn e vi o nome da minha mãe 'verdinho'. Pensei 'Ufa, ela vai poder me ajudar'. Dona Célia, coruja, achou uma gracinha a filha usar a máquina de lavar. Mas comecei a ficar preocupada. Fazia séculos que havia colocado a roupa e a mesma luzinha continuava piscando, indicando que a lavagem nem tinha passado para a segunda fase. Comentei, on-line. O conselho de mãe foi 'Liga para a dona do apartamento'. Mas eu ia ligar e falar o que? 'Oi, a máquina tá ligada mas a luzinha não muda?'. Achei melhor esperar. E, sem querer, declinei aquela ajuda que queria tanto.
De repente, passou para o enxágue. E, depois, a parte de centrifugar (existe esse verbo?). E a luz 'fin' começou a piscar. Voilà. Não é que tinha dado certo?
Fui feliz até a cozinha. Mas não consegui abrir a portinha redonda. Tentei apertar outro botão e...começou uma segunda lavagem. Juro. É muito difícil ser dona de casa...
Desencanei. Deixei lá, tudo girando, com água. Até a luzinha 'fin' piscar de novo.
Aí voltei, tirei a roupa, coloquei no varal (que não vai ter foto por razões óbvias). Mas a luz 'fin' continuou piscando. Me rendi ao Google. Procurei por manual das lavadoras Vedette. Mas ninguém ensinava a desligar (fica a dica para os fabricantes, hein?). Até que, depois de uma boa horinha, resolvi pesquisar novamente os botões, in loco. E achei um 'Arrêt'. Girei a flechinha pra lá e pronto. A luzinha parou de piscar.
((Arrêt significa parar. Eu já sabia))
Fim.
**
E, nessa sequência de 're-primeiras vezes', ontem foi a vez de aprender a mexer na máquina de lavar roupas, que tem uma marca curiosa: Vedette. Bonito nome. Decidi que tinha que ser nesse fim de semana porque devo encontrar a proprietária do estúdio e, caso houvesse dúvidas, poderia falar para ela, né?
Comprei o sabão em pó em um mercadinho pequeno. Aqui, na verdade, ele vem em pastilhas. Como na caixa tinha o desenho de um gelzinho, pensei que nem precisava procurar amaciante.
Seguindo o plano estratégico de teste, separei umas roupas íntimas (vamos manter o nível familiar do blog) e umas duas blusinhas. Se desse tudo errado, as peças iam ficar por baixo mesmo. Procurei pelo estúdio o manual ou qquer informação específica sobre a Vedette, mas não achei. Então, coloquei lá cada peça de roupa, as pastilhas e liguei. Não sabia exatamente o que cada botão poderia significar, mas ok.
Tudo começou a girar, como era o esperado. E continuou girando. Achei que não tinha água, mas me aproximei e vi que tinha, sim.
Aí liguei o msn e vi o nome da minha mãe 'verdinho'. Pensei 'Ufa, ela vai poder me ajudar'. Dona Célia, coruja, achou uma gracinha a filha usar a máquina de lavar. Mas comecei a ficar preocupada. Fazia séculos que havia colocado a roupa e a mesma luzinha continuava piscando, indicando que a lavagem nem tinha passado para a segunda fase. Comentei, on-line. O conselho de mãe foi 'Liga para a dona do apartamento'. Mas eu ia ligar e falar o que? 'Oi, a máquina tá ligada mas a luzinha não muda?'. Achei melhor esperar. E, sem querer, declinei aquela ajuda que queria tanto.
De repente, passou para o enxágue. E, depois, a parte de centrifugar (existe esse verbo?). E a luz 'fin' começou a piscar. Voilà. Não é que tinha dado certo?
Fui feliz até a cozinha. Mas não consegui abrir a portinha redonda. Tentei apertar outro botão e...começou uma segunda lavagem. Juro. É muito difícil ser dona de casa...
Desencanei. Deixei lá, tudo girando, com água. Até a luzinha 'fin' piscar de novo.
Aí voltei, tirei a roupa, coloquei no varal (que não vai ter foto por razões óbvias). Mas a luz 'fin' continuou piscando. Me rendi ao Google. Procurei por manual das lavadoras Vedette. Mas ninguém ensinava a desligar (fica a dica para os fabricantes, hein?). Até que, depois de uma boa horinha, resolvi pesquisar novamente os botões, in loco. E achei um 'Arrêt'. Girei a flechinha pra lá e pronto. A luzinha parou de piscar.
((Arrêt significa parar. Eu já sabia))
Fim.
domingo, 11 de setembro de 2011
La pluie
Eu fui assistir a "Meia-noite em Paris", do Woody Allen, um pouco atrasada. Várias pessoas já haviam comentado comigo sobre o filme. Aí, decidi ir ao cinema no dia em que avisei, no trabalho, que iria pedir demissão. Saí da redação meio agoniada. Não tinha dúvidas de que queria mesmo ir para Paris. Mas, depois da conversa com o chefe, eu estava, oficialmente, deixando para trás a estabilidade daquele emprego. E também a estabilidade em um bom apartamento, com meu carrinho; um dia a dia perto dos amigos e da família e onde todo mundo fala meu idioma.
O filme começa com quatro minutos de imagens de Paris. O protagonista fala que Paris é especialmente linda na chuva. E repete. Saí daquela sala escura com a sensação de que Woody Allen falava comigo. Respirei fundo e voilà. Ainda tinha toda uma mudança a ser feita...
E aí lembrei dessas cenas porque hoje choveu. Praticamente o dia todo. E eu saí pra andar e procurar guarda-chuva e, claro, tava tudo fechado. É domingo, né?
Estava quase 'curada' do resfriado, mas cheguei em casa bem molhada. E voltei a tossir. Mas Paris é linda na chuva. Eu concordo.
"That Paris exists and anyone could choose to live
anywhere else in the world will always be a mystery to me"
sábado, 10 de setembro de 2011
Le quotidien
Nem só de resolver burocracias vive um/a estudantes em Paris. Ainda bem. Hoje, fui até a Cité Universitaire. De lá, já conhecia a Maison du Brésil e algumas outras da vizinhança. Para quem não conhece, a "Cidade Universitária" de Paris tem diversos prédios, que levam os nomes de diversos países. Tem gramados imensos, onde é possível fazer pique-nique, praticar esportes ou ficar à toa -- aproveitando, agora, o fim do verão. Fiquei abismada quando desci do RER. O prédio da entrada principal é lindo. Aí enfrentei fila e estudantes chineses, mas tudo andou bem.
E aí encontrei o Pedro, que vai estudar na mesma 'escola' que eu. E a ideia era irmos até Saint Michel, mas saímos antes, fomos até a Pont Neuf. E eu vi, pela primeira vez, desde que cheguei, a Torre Eiffel. Tem alguma coisa mais Paris do que o Sena e a Torre no mesmo 'quadro'?
De lá, passamos pela Pont des Arts, onde os casais deixam seus cadeados. E jogam a chave na água. E sentamos à margem do Sena. E andamos até a torre. E demos informação para turistas perdidos.
Foi assim. O último dia útil de 'férias'. Porque estudante também se diverte com glamour. Ainda bem.
**
Mas é claro que há coisas que só acontecem comigo. Um casal de turistas me viu com uma pequena câmera na mão e pediu para que tirasse uma foto. Até me abaixei, tentei pegar a torre toda e a família (ainda tinha um bebê). Depois de todo o esforço, mostrei a foto 'Ficou bom?'. E o cara: 'Ãrrr...ok'. Juro. Cara no chão, né?
E aí encontrei o Pedro, que vai estudar na mesma 'escola' que eu. E a ideia era irmos até Saint Michel, mas saímos antes, fomos até a Pont Neuf. E eu vi, pela primeira vez, desde que cheguei, a Torre Eiffel. Tem alguma coisa mais Paris do que o Sena e a Torre no mesmo 'quadro'?
De lá, passamos pela Pont des Arts, onde os casais deixam seus cadeados. E jogam a chave na água. E sentamos à margem do Sena. E andamos até a torre. E demos informação para turistas perdidos.
Foi assim. O último dia útil de 'férias'. Porque estudante também se diverte com glamour. Ainda bem.
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Mas é claro que há coisas que só acontecem comigo. Um casal de turistas me viu com uma pequena câmera na mão e pediu para que tirasse uma foto. Até me abaixei, tentei pegar a torre toda e a família (ainda tinha um bebê). Depois de todo o esforço, mostrei a foto 'Ficou bom?'. E o cara: 'Ãrrr...ok'. Juro. Cara no chão, né?
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Merci beaucoup
Queria agradecer publicamete ao guardinha da entrada da Sorbonne pela Rue Saint-Jacques (que não é essa da foto, diga-se de passagem. Quando saí, ele já tinha ido embora). Hoje fui fazer matrícula e perguntei para ele onde era. Ele me orientou a procurar a sala onde estavam sendo feitas as inscrições para licence (semelhante à graduação). Cheguei e tinha uma fila de jovens adolescentes. Pedi informações para a responsável e ela me indicou outra sala, no terceiro andar. Porque, né? Estou em Paris e claro que ia enfrentar mais escadas, em qualquer lugar. No fim, peguei dois formulários para preencher. E continuamos resolvendo pendengas.
**
Andando até a Sorbonne, fiquei pensando que a parte mais legal de Paris é, para mim, aquela por onde passei em 2008, durante as férias com Mariana e Maria Rita. MR fez o convite e tornou o dia a dia mais animado. A Mari, que morava por aqui, nos apresentou o sistema de aluguel de bicicletas (que chama Vélib), nos mostrou a Place de la Sorbonne, o Quartier Latin, os vinhos de 3 euros no supermercado, nos levou até Montmartre, à Republique, à Cité Universitaire, à Versailles, ao Marais...Fez tudo ficar mais fácil. E aí eu acreditei que era assim. E voltei. E voltei.
Nessa viagem, descobri o segredo da magreza dos parisienses -- a caminhada. Como se anda nessa cidade! Vc caminha para chegar a uma estação de metrô, caminha dentro das estações até chegar ao trem (principalmente quando é para trocar de linha), caminha, caminha, caminha...e, no meio disso tudo, encontra escadas, muitas escadas. Cheguei em casa, ontem, com dor nas pernas. Aí tinha um email da coordenadora do meu curso que começava mais ou menos assim: "Bom dia! Espero que vcs tenham aproveitado as férias e armazenado energia para os próximos meses de estudo!". Resolvi ficar em casa, guardando a energia que nem tenho.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Bienvenue
"Senhoras e senhores, bem-vindos a Paris". Quando o comandante do voo da Tam fez esse anúncio, eu senti borboletas no estômago. Milhares delas começaram a se movimentar dentro de mim. Foi um misto de ansiedade, nervoso e, claro, satisfação. Cheguei. Je suis arrivée. De acordo com o piloto, os termômetros marcavam 20 graus no Charles de Gaulle, por volta das 16h15 de segunda-feira, 5 de setembro.
Não tive problema algum com a imigração, mas foi meio complexo carregar toda a bagagem. Fiquei me remoendo, porque sempre soube que o ideal era viajar com pouco. Mas, enfim. Peguei táxi e vi o céu da capital francesa com poucas nuvens e sol. Aos poucos, chegaram os prédios com telhado azul e aí senti as borboletas de novo. Cheguei ao estúdio que vou chamar de meu por, pelo menos, dois meses. Ainda bem que o prédio tem elevador -- foi o primeiro pensamento. Aqui dentro tem um armário com quatro portas, que ainda me deixa maravilhada. Acho que não vi nenhum tão grande nas centenas de fotos de outros imóveis que pesquisei. Mas, assim. Ele não é graaaaande. Mas tem quatro portas. Estou (bem) instalada.
Liguei a TV e tava passando Barrados no baile, em francês (aqui chamado de Beverly Hills). Era um episódio de Natal. Em seguida, passou Friends.
Desarrumei as malas, tomei banho, dei uma volta no quartier, voltei. Falei com algumas pessoas, continuei tentando arrumar minhas coisas. Chegou o cansaço. E assim foi minha chegada.
**
No dia seguinte -- também chamado de hoje --, acordei cedo, dei uma olhada no computador e fiz uns roteiros imaginários na cabeça. Fiquei arrasada porque esqueci um mapa de papel do metrô, daqueles que a gente leva na bolsa. Tive que pesquisar nos aplicativos e aí sim fui bater perna. Me perdi. Saí do prédio, virei para o lado errado. Conforme ia andando, sentia que a cidade ficava mais estranha. Vi lojas de roupas para travestis e até um top brilhante jogado no chão. Vi muitas lanchonetes e ficava meio que pesquisando o preço, pra ter uma ideia. Vi supermercados, praças. Resolvi dar meia volta. E lembrei que uma amiga me falou, ainda em SP: "Ah, tem uma parte boa do 17eme, mas depois da linha de trem é ruinzinho". Era isso. Eu cruzei a linha de trem antes de lembrar da dica.
Depois que consegui achar a estação de metrô que estava procurando, fui até a primeira parada, conforme havia planejado: a Capela da Medalha Milagrosa, na Rue du Bac. Cheguei atrasada, mas deu certo. Fui agradecer as graças recebidas no Brasil, em uma igreja francesa e tava rolando uma missa em italiano. Isso é mondialisation, minha gente.
Andei, andei, andei. Até dentro das estações de metrô. E voltei pra casa.
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Eu queria colocar uma foto. Mas, claro, esqueci a máquina em todos os momentos até agora. Porque eu sou assim, em Pira, em SP ou em Paris. Aí resolvi colocar um vídeo.
Não tive problema algum com a imigração, mas foi meio complexo carregar toda a bagagem. Fiquei me remoendo, porque sempre soube que o ideal era viajar com pouco. Mas, enfim. Peguei táxi e vi o céu da capital francesa com poucas nuvens e sol. Aos poucos, chegaram os prédios com telhado azul e aí senti as borboletas de novo. Cheguei ao estúdio que vou chamar de meu por, pelo menos, dois meses. Ainda bem que o prédio tem elevador -- foi o primeiro pensamento. Aqui dentro tem um armário com quatro portas, que ainda me deixa maravilhada. Acho que não vi nenhum tão grande nas centenas de fotos de outros imóveis que pesquisei. Mas, assim. Ele não é graaaaande. Mas tem quatro portas. Estou (bem) instalada.
Liguei a TV e tava passando Barrados no baile, em francês (aqui chamado de Beverly Hills). Era um episódio de Natal. Em seguida, passou Friends.
Desarrumei as malas, tomei banho, dei uma volta no quartier, voltei. Falei com algumas pessoas, continuei tentando arrumar minhas coisas. Chegou o cansaço. E assim foi minha chegada.
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No dia seguinte -- também chamado de hoje --, acordei cedo, dei uma olhada no computador e fiz uns roteiros imaginários na cabeça. Fiquei arrasada porque esqueci um mapa de papel do metrô, daqueles que a gente leva na bolsa. Tive que pesquisar nos aplicativos e aí sim fui bater perna. Me perdi. Saí do prédio, virei para o lado errado. Conforme ia andando, sentia que a cidade ficava mais estranha. Vi lojas de roupas para travestis e até um top brilhante jogado no chão. Vi muitas lanchonetes e ficava meio que pesquisando o preço, pra ter uma ideia. Vi supermercados, praças. Resolvi dar meia volta. E lembrei que uma amiga me falou, ainda em SP: "Ah, tem uma parte boa do 17eme, mas depois da linha de trem é ruinzinho". Era isso. Eu cruzei a linha de trem antes de lembrar da dica.
Depois que consegui achar a estação de metrô que estava procurando, fui até a primeira parada, conforme havia planejado: a Capela da Medalha Milagrosa, na Rue du Bac. Cheguei atrasada, mas deu certo. Fui agradecer as graças recebidas no Brasil, em uma igreja francesa e tava rolando uma missa em italiano. Isso é mondialisation, minha gente.
Andei, andei, andei. Até dentro das estações de metrô. E voltei pra casa.
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Eu queria colocar uma foto. Mas, claro, esqueci a máquina em todos os momentos até agora. Porque eu sou assim, em Pira, em SP ou em Paris. Aí resolvi colocar um vídeo.
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