“Uma vez
fui viajar e não voltei. (...)
Vivi além da minha
imaginação. Contrariei expectativas e acumulei riquezas imateriais. Permiti ao
meu corpo e à minha mente experimentar outros estados de vivência e
consciência.
Redescobri o que me
fascina. Senti calores no peito e dei espaço para meu coração acelerar mais do
que uma rotina qualquer permitiria.”
Foi mais ou menos isso o que aconteceu comigo
nesse tempo de vida francesa. Paris tem a torre, o Arco, o Louvre, o Sena. Tudo
isso que eu ja conhecia e que, ainda hoje, me fascina. Mas a “minha” Paris tem
outros contornos.
“Minha” Paris é feita de sensações que eu nem
sabia mais que poderia ter. Não posso esquecer tantos momentos de nervoso, de
ansiedade, de angustia, de imaginar que nada nunca ia dar certo. Mas, no fim, ta
tudo funcionando. Paris me ensinou, acima de tudo, a ter paciência e mais
confiança (em mim, nas pessoas, na vida).
“Minha” Paris tb tem uma multidão de gente.
Recebi, literalmente, as MELHORES visitas. Queridos que, eu sei, conseguiram
enxergar um pouco do que eu gosto aqui. Ganhei amigos incriveis, desses de
estrada que o texto fala, que tenho certeza que estarão sempre perto. Ainda reencontrei
pessoas que continuam no Brasil, mas me escreveram, me contaram das suas
novidades, e até uma amiga de infância que me encontrou durante sua viagem de
férias com o marido e, de repente, foi como se a gente nunca tivesse se
separado. Paris me ensinou que quem é importante nunca sai de verdade da sua
vida, nem fica longe, por mais que um oceano tente atrapalhar o contato fisico.
“Minha” Paris tem malas, mudanças e andanças.
Até agora, foram quatro estudios – todos menores do que o apartamento em que eu
morava em SP, antes de vir para ca. Nenhum deles “ao lado” da escola ou do
trabalho, como tb era no Brasil. Paris me ensinou que “minha casa” é muito mais
do que o que vejo entre as paredes e me fez repensar a noção de publico, de
usar o espaço da cidade (os parques, as margens de rios e canais, as piscinas
da prefeitura).
“Minha” Paris me fez enxergar diferente esse
lance de “diferenças culturais”. “Minha” Paris, na verdade, é quase uma novela
da Gloria Perez. “Minha” Paris tb tem samba, coxinha, moqueca e feijoada. “Minha”
Paris fala mais português do que eu imaginei que falaria. E aprendi (ou tô aprendendo) que tudo tem seu tempo e seu lugar.
Bem, “minha” Paris ainda não me ensinou tudo. E
ainda bem que vou continuar aprendendo.





