quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Provins

Provins é uma cidade medieval bem perto de Paris que foi declarada patrimônio mundial pela Unesco. Como uma cidade medieval, tem uma muralha imensa, uma igreja antiga com uma praça em frente, casinhas de pedra e um clima diferente. 

Para chegar a Provins, a partir de Paris, basta pegar um trem na Gare de l’Est. Depois de cerca de uma hora, vc chega à pequena gare. A caminhada até o centro é rapida, mesmo durante a chuva (sim, o tempo não tava dos melhores nessa "viagemé). No sabado em que estive por la (28 de dezembro), as caixas de som penduradas nos postes dessa região tocavam jazz americano e parecia que a gente tava no cenario errado de um filme americano. Mas era bonitinha. Cidade pequena, né. Todo mundo parecia se conhecer.

Sou eu, em Provins.

Depois de uma pequena subida, chegamos à parte mais antiga. Encontramos uma livraria medieval, que tinha uma série de livros sobre a Idade Média e a historia da França, outros tantos com receitas (inclusive um livro dedicado exclusivamente aos pratos feitos com “legumes esquecidos”), muitos cavaleiros da época das Cruzadas, outras miniaturas de fadas e anjos, espadas e escudos medievais para as crianças e uma infinidade de tipos de tarô. A livraria, inclusive, tinha teias de areia que davam a sensação de estarem la desde, opa, a Idade Média.

Na pequena cidade com a muralha, a praça, a igreja, as casas de pedra, nos escolhemos almoçar numa creperia bem simpatica. Pedimos sucos naturais – recebemos as frutas cortadas e o espremedor. Diante do espanto, a garçonete explicou “Aqui vc tem de se esforçar”. Mas foi facil, né.

Meu suco, de laranja e limão (a xicara era para cidra, nao para o suco)

Foi tudo facil. A cidade é bem legal. Em uma determinada época do ano, os moradores se vestem com roupas medievais e fazem um festival com comida e outras atrações “tradicionais”. 

Provins também tem uma rosarie (uma espécie de museu com a historia das rosas e mais de 300 variedades desse tipo de flor), que deve ser lindo na primavera. Nas lojas, também ha muita coisa com rosas. Experimentei um chocolate quente com aroma de rosas. Vale a pena. 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Des journalistes

Eu tenho saudade de muita coisa do Brasil. Do Miguel, principalmente. E da familia toda. Dos amigos. De churrasco, da comida da minha mãe. Do Rio de Piracicaba. De falar português o dia todo. E por ai vai...

Como ja falei antes, não decidi mudar porque minha vida era um saco. Eu tenho saudade inclusive do jornalismo. Das redações e até dos jornalistas (não de todos, é verdade).

Dai que, quando leio boas matérias de jornalistas em primeira pessoa, meu coração até aperta. E hoje fiquei aqui, me divertindo e morrendo de nostalgia quando encontrei esse link. Com a reprodução de um tweet soooo cute.



E não resisti a fazer minhas considerações (num curto muito quem tem opiniões sobre tudo nas redes sociais, mas o blog é meu, né) :

1- Que nervoso quando isso acontece!

At one point the president said, “Now, this isn’t public yet.” I perked up.
“Thirty percent of somethingsomethingsomething is mumblemumble,” he said.
I didn’t hear. I had failed as a journalist, so I went to the bathroom. 

2- E o dia que descobri que sou velha. Pelo menos nos Estados Unidos.

I guess that they were talking about the difficulty of doing political outreach on Snapchat or one of this newer, less textual ilk? I’m not sure. Then the president drops this:

“It seems like they don’t use Facebook anymore,” he said.

Facebook is so uncool even the president of the United States knows it.

I am not sure who the they is. A White House representative I talked to afterward hypothesized that it might be the 18 to 34 year-olds whom the President hopes will sign up for the healthcare law.  Maybe it was the third-person singular, gender-neutral pronoun. I don’t know.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Les travaux

Desde que o ano começou (e mesmo antes disso), ando tendo dificuldades pra acordar. Nem ta tão frio, daquele jeito que da preguiça de sair da cama. Desde o primeiro dia do ano, tem feito oito, nove, dez graus. O que nem é inverno de verdade aqui, né. E eu gosto taaanto do inverno, espero tanto por ele. Mas bem. Não era esse o assunto desse post.

Na terça passada (dia 7), tava num desses dias de dificuldade para acordar. Era a primeira terça-feira do ano. Mas eu não tirei folga nesses dias entre Natal e Ano Novo, né. Pois então, fora os dias oficiais de festa, estive trabalhando em outros idiomas. O que, como todo mundo imagina, cansa pra caramba.

Pois bem. Cabeça cansada, preguiça e eu tava enrolando pra sair da cama. Até que tocou a campainha. Naquele momento em que eu tinha acabado de tirar a calça do pijama e tava so de calcinha. Sai correndo, coloquei a calça que ja ia colocar para ir ao trabalho, o casaco e abri a porta. Era um operario perguntando se podia começar as obras no MEU APARTAMENTO. Tipo dentro dele.

Eu sabia que ia ter um trabalho na coluna de agua do prédio. Sabia que devia começar assim, no começo do ano. Mas não imagina que seria dentro da minha casa, que, by the way, tinha terminado de organizar no fim de semana anterior.

Bem, deixei o pedreiro entrar para olhar a parede, mas avisei que não sabia se a obra poderia começar imediatamente. Quando ele saiu, liguei para a proprietaria, que estava fora de Paris, numa estação de esqui, e não atendeu. Procurei o telefone da sindica (que, na verdade, é uma funcionaria de uma empresa que administra o prédio). Ai a proprietaria ligou de volta, pediu desculpa dizendo que não tinha sido informada (e não foi mesmo, porque falamos sobre esse assunto antes de ela sair de viagem. Ela tentou falar com a sindica, que não tava trabalhando por causa dos feriados). Ai um vizinho tocou a campainha e falou “Moro no andar de cima, e queria te dizer que tudo bem deixar a chave com os pedreiros. Eu vou fazer isso. E que seu apto é o primeiro e, se atrasar aqui, vai atrasar todo o cronograma”. Ou seja, virei a vilã da historia.

A proprietaria ligou de novo e falou que a sindica disse que tudo bem deixar a chave. Eu ja tava sem paciência. Ja tinha começado a tirar as coisas das prateleiras ao lado da parede que seria quebrada. Ja tinha perguntado para o pedreiro se precisava desligar TV e internet (olha o sofrimento). Ja tava atrasada para o trabalho. Pois é. Enrolei um tanto na cama e mal sabia que teria tido um dia mais tranquilo se tivesse levantado logo que o despertador tocou.

Desci, entreguei a chave reserva para o pedreiro, que quis saber onde era a minha caixa de cartas. Claro que ele tentou falar meu sobrenome e parou na segunda silaba. Expliquei que era o mesmo nome que tava la, do lado da porta de entrada do apartamento.

Sai batendo o pé e mal humorada, com meu iPad e meu iPhone na bolsa. Foi o que me deu tempo de “salvar”. Cheguei a “esconder” o computador (esse apartamento mal tem armario, é engraçado falar assim) e os passaportes (pois é, todos são meus e verdadeiros). Se por acaso tivesse sido avisada, teria levado algo para o trabalho, onde tenho umas gavetas com chave.

Trabalhei meio irritada o dia todo. Cheguei em casa e, milagrosamente, tudo tava no lugar e nem tão empoeirado assim. Os amigos que sabiam da minha saga me perguntaram, assim que me viram on line: “E dai?”. Minha resposta: “Tudo bem, so estou sem uma parede”. Depois pensei no quanto essa frase é ambigua. Gente. Uma parede quebrada pode significar tanta coisa, né?

Os serviços dentro do meu apartamento acabaram em menos de uma semana. Sobrou uma parede remendada, que deve ser coberta pelo pintor, que so vai vir depois que todos os trabalhos no prédio acabarem.

Passei o fim de semana lavando as peças que tinham cheio de poeira e tentando limpar o chão, que ja não é novo...

Quando tudo parecia que tava acabando...era domingo (dia 12) e eu tava deitada vendo série no computador. Toca a campainha. Era o dono da loja que fica embaixo do meu apto, falando de um vazamento na loja dele e me pedindo para evitar usar muita agua até segunda de manhã. Ele era simpatico, educado, deixou claro que a culpa não era minha e provavelmente foi consequência das obras. Gente, sou brasileira, adoro um banho! Tive de me conter (mas ja tinha tomado banho antes. Ra!).

Conversei com a proprietaria, que voltou de viagem, e disse que ia conversar com a sindica sobre isso. Ok. Eu faria um esforço.

Segunda de manhã (dia 13), fui falar com o pedreiro responsavel pela obra sobre o vazamento na loja. “Isso sempre acontece. Cada obra que começamos, vem um vizinho reclamar”.

Falei com a proprietaria do meu apartamento, que ficou constrangida com tanta coisa acontecendo comigo e disse que vai tentar falar com a sindica para resolver esses problemas e, inclusive, agilizar a pintura nas paredes atingidas (uma foi quebrada e duas têm marcas, sabe).

Se fosse em outras épocas, eu estaria chorando, reclamando da vida. Sei bem, me conheço. Mas, né. Os prédios aqui são velhos. A gente sabe que precisa de obra pra melhorar tudo. Pena que tô dentro do apartamento onde passa a tal da coluna de agua.

Por enquanto, o resultado disso tudo é um up no meu francês. Passei do nivel mais-que-avançado, discutindo obras com pedreiros; tendo longas conversas pelo telefone com a proprietaria; tendo conversas com os vizinhos sobre como é importante trocar o encanamento velho; discutindo com o dono da loja embaixo de casa sobre como as obras sempre acabam influenciando em outros imoveis...

Ano novo precisa de renovações, né? Pois é. Bom 2014 pra gente.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Bonne année!!

Eu tive dois anos sensacionais. Em 2011 e 2012, eu consegui o mundo. Mudei de pais, entrei num mestrado na universidade que eu achava a melhor do mundo, escrevi (aos trancos e barrancos, é verdade) um mémoire, encontrei um estagio numa empresa que seguia o perfil que procurava, assinei um contrato nessa mesma empresa. Conheci muita gente nova, muita gente especial – e um tanto de gente chata tb, é verdade. Foram dois anos de descobertas e de superação. Claro que teve decepção, claro que houve momentos em que achava que não ia dar certo. Mas, no fim das contas, foi acontecendo, foi sempre melhorando. Em 2013, a sensação é que as férias acabaram. Todo esse periodo de descoberta e de tanta novidade deu lugar à rotina. Uma rotina que acabei escolhendo, é verdade. Em 2013, eu escolhi ficar em Paris. Assinei um contrato de duração indeterminada. Em 2013, tive muitas despedidas, que foram ficando cada vez mais dificeis. Dai, reparei que estou conhecendo menos estudantes (que vêm para ca com data para voltar) e mais gente que tb escolheu Paris. Em 2013, aquela “aventura” que começou com uma simples possibilidade de morar na cidade-luz virou verdade. E não sei se eu estava preparada para isso. Essa mudança me trouxe velhos questionamentos, me fez sofrer por novos e velhos problemas. Quem me conhece sabe que adoro um drama – e ganhei um bem grande. Houve momentos em que o oceano parecia intransponivel. Houve momentos em que me sentia pequena, imatura, perdida. Aos poucos, eu fui entendendo que, de novo, era uma transição. Foi em 2013 que “abracei” essa minha nova vida. E ainda estamos aprendendo a conviver. Para 2014, espero novidades. Espero paz no coração. Espero ter saude para enfrentar os bons e maus momentos. E espero continuar realizando sonhos. Que seja um bom ano para todos nos.

Em Montmartre, no dia de Natal -- Keep walking...