Semana
passada, a poluição atingiu niveis alarmantes na França. O governo federal
decidiu, então, liberar o transporte publico de sexta a domingo (14 a 17 de
março) na região de Paris e em outras areas de “aglomeração humana” – a ideia
era incentivar todo mundo a deixar os carros em casa, em troca de ônibus,
metrô, tramway e RER de graça. Em Paris, a prefeitura liberou ainda a vélib’ e
o autolib’ (bicicleta e carros elétricos de aluguel).
Eu ja morei
em SP e sofria muito no mês de agosto, quando a seca atingia recordes, a
umidade caia e era possivel ver aquela nuvem marrom em cima da cidade. Durante
5 anos, trabalhei no 16° andar de um prédio ao lado da Av. Paulista, o que dava
uma visão privilegiada da cidade, mas assustadora nessa época do ano. Sempre
tive ardência no olho e coceira no nariz. No fim do dia, costumava ficar com
dor de cabeça. Lembro de acompanhar o nivel de umidade relativa do ar, ao longo
do dia, com uma certa apreensão – mas isso também pq eu trabalhava em uma
redação e a gente tinha de informar logo o indice mais atual. Ainda mais quando
era recorde.
Na sexta
passada, 14 de março, pela manhã, eu ainda não sabia das medidas anunciadas pelo governo –
aqui deixei a redação, né. Achei estranho que as catracas do metrô estavam
liberadas. Li pelo Facebook de uma brasileira que tb mora por aqui que o
transporte publico havia sido liberado. Em seguida, vi tb nos sites dos jornais
daqui que, ao longo do dia, foram publicando fotos da cidade tomada por aquela
nuvem marrom horrorosa que a gente se acostuma a ver nas fotos de Pequim.
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| A torre, em agosto de 2012. E na sexta, 14 de março (Foto do Le Nouvel Observateur) |
Sinceramente,
não enxerguei essa nuvem. O maior incômodo que tive foi espirrar em sequência
durante o dia todo, como uma crise alérgica. Os olhos arderam no fim do dia. Não
achei o metrô e o ônibus mais lotados. E o trânsito continuava igual, embora
tenha vista mais autolibs’ que o normal. Cheguei em casa e passei o
adstringente pra limpar a pele – o mesmo que usava em SP. E o algodão ainda
estava bem mais limpo do que quando morava no Brasil.
No fim de
semana, so peguei ônibus no domingo, para ir ao cinema. Lo-ta-do. E tinha muita
gente que não estava acostumada com esse tipo de transporte – vi um casal
discutindo a ordem dos pontos, outro elogiando o trajeto que a linha faz (eu
sou super fã tb), duas amigas que ficavam de olhos nos ônibus que passavam em
cada parada (e comentando para onde podiam ir com alguns desses ônibus)...foi
interessante, mas acabei voltando a pé, exatamente para evitar o
empurra-empurra.
No fim de
semana, o governo anunciou a circulation alternée, uma espécie de rodizio na região de Paris. Os carros
com placa com final par devem ficar em casa. Na terça, sera a vez dos impares.
Devem esperar os primeiros resultados em relação à poluição para avisarem se o esquema
vai continuar. Hoje de manhã (segunda), fui pegar um café e dois diretores
estavam conversando sobre como fizeram para vir trabalhar (trabalho na
periferia, perto de Paris, mas em outra cidade). Um deles disse que o carro tinha
final da placa impar, mas ele decidiu pegar o tramway e um ônibus pra ver
quanto tempo demoraria para chegar. O outro falou que esta estudando como vai
fazer para vir trabalhar amanhã, pois teria que deixar o carro em casa. Um
deles sabia que sou brasileira e perguntou do rodizio em SP. Eu falei que é
permanente, e é para dois finais de placa por dia. Eles disseram que esperam
que não chegue a essa situação. Eu também espero que não chegue, obviamente.
Bem, o que eu tô pensando disso tudo? E assustador e triste que a situação tenha chegado a esse ponto. Claro que o governo tem medo da multa carissima que a União Europeia aplica nos casos extremos de poluição. Mas a maneira como todo mundo esta lidando com isso é bem diferente do que acontece no Brasil, eu acho – e aqui é so a minha opinião, de acordo com o que estou vendo e ouvindo. Primeiro, a liberação do transporte publico, dessa maneira, é inviavel no Brasil. Ja imagino os “empresarios” reclamando, ameaçando e etc. Depois, sinceramente, quem adere a essas medidas se não houver uma multa ou algo do tipo? Eu não imaginaria dois executivos conversando la num prédio da Marginal, ou la no limite do centro expandido, e procurando alternativas de chegar ao escritorio de transporte publico.
Bem, o que eu tô pensando disso tudo? E assustador e triste que a situação tenha chegado a esse ponto. Claro que o governo tem medo da multa carissima que a União Europeia aplica nos casos extremos de poluição. Mas a maneira como todo mundo esta lidando com isso é bem diferente do que acontece no Brasil, eu acho – e aqui é so a minha opinião, de acordo com o que estou vendo e ouvindo. Primeiro, a liberação do transporte publico, dessa maneira, é inviavel no Brasil. Ja imagino os “empresarios” reclamando, ameaçando e etc. Depois, sinceramente, quem adere a essas medidas se não houver uma multa ou algo do tipo? Eu não imaginaria dois executivos conversando la num prédio da Marginal, ou la no limite do centro expandido, e procurando alternativas de chegar ao escritorio de transporte publico.
Para terminar, dois links interessantes do Le Monde, ainda de sexta:
*Blogueiros comentando o "desaparecimento" da torre: http://bigbrowser.blog.lemonde.fr/2014/03/14/tour-eif-alerte-pollution-la-tour-eiffel-a-disparu/#xtor=RSS-32280322
*Mais fotos comparando Paris "normal" e "poluida": http://www.lemonde.fr/planete/article/2014/03/14/deux-photos-pour-se-rendre-compte-du-niveau-de-la-pollution_4383325_3244.html
*Blogueiros comentando o "desaparecimento" da torre: http://bigbrowser.blog.lemonde.fr/2014/03/14/tour-eif-alerte-pollution-la-tour-eiffel-a-disparu/#xtor=RSS-32280322
*Mais fotos comparando Paris "normal" e "poluida": http://www.lemonde.fr/planete/article/2014/03/14/deux-photos-pour-se-rendre-compte-du-niveau-de-la-pollution_4383325_3244.html
