Sinceramente, nunca fui a um evento desse no Brasil. Nem trabalhando, nem a passeio. Cheguei a combinar no ano passado, mas tive que fazer um curso de meteorologia (!!!) e estava muito cansada para sair depois. Eu tenho preguiça de eventos que mobilizam muita gente (menos do carnaval) e sempre achava dificil o acesso a alguns palcos interessantes.
Em SP, o que chama a atenção são os shows de artistas famosos. Me falaram que eles inclusive recebem pela apresentação, como se fosse qquer festival. Aqui na França é bem diferente. E bem interessante. A começar pela data: sempre ocorre em 21 de junho, o “solcistico” de verão. Este ano, caiu numa quinta-feira. E eu sempre ja estou bem cansada nessa “fase” da semana. Ai a Fernanda, sempre ela, me manda um e-mail para perguntar o que a gente ia fazer. Fui bem sincera. Respondi que o meu medo era sair e encontrar todos os musicos do metrô enfileirados e tocando Bamboleo ou Bésame mucho ou alguma letra que não entendo. Ela riu e tentou argumentar: “também estou cansada, mas é a Virada Cultural original. A gente vai se arrepender se não for”.
Coincidentemente, logo depois comecei a dar uma pesquisada nos eventos para o fim de semana. E achei um show do nosso grupo de samba favorito daqui, o Roda do Cavaco, no lugar de sempre, bem na Fête de la Musique. Ça veut dire: de graça!
No dia, até pensamos em alguma coisa mais “francesa”, um parque, uma musica classica, algum show que acabasse mais cedo. Comecei a procurar, mas não conhecia nenhum artista. E voilà a maior diferença: aqui a grande atração são os amadores. E ai caiu o maior temporal e decidimos ir ao bom e velho samba, pq sabiamos que era coberto.
Chegamos la e estava tendo uma aula de cavaquinho. Uma coisa surreal. Como o ambiente estava quieto (ng conversava além do prof), decidimos sair. Na rua, uns africanos passaram com a sua batucada. E, na esquina, vimos uns brasileiros tocando.
No fim das contas, como tudo que é brasileiro por aqui, o show atrasou. Mas foi um dos mais legais que ja vi. O clima era otimo, com brasileiros e franceses, crianças, adultos...todo mundo dançando e cantando. A seleção de musicas foi genial. E nem a fome atrapalhou.
No fim, la pelas 2h, desci a pé até em casa. O caminho todo estava cheio de gente. O 20eme parecia Salvador no carnaval (embora eu nunca tenha ido a Salvador no carnaval). Tinha batuques por todos os cantos.
Quando cheguei no meu quarteirão, tinha palco de hip hop e, um pouco mais pra frente, um povo dançando Black Eyed Peas. As ruas e calçadas estavam lotadas. Mas sem aquele medo, aquela preocupação de te levarem qquer coisa. Foi dificil alcançar o portão do prédio, meu celular tava sem bateria e eu não lembrava o novo codigo (que obviamente estava registrado no meu celular). Mas, mesmo assim, estava tudo bem. No fim, acabei usando o chaveiro de segurança e deu tudo certo.
A Fernanda foi dormir em casa e saiu mais cedo no dia seguinte. Ela tirou as fotos da sujeira em frente do meu prédio. Eu sai mais ou menos uma hora mais tarde e ja não tinha nada. A calçada tava toda molhada – imagino que fazia parte da limpeza. Alias, todas as fotos desse post foram feitas por ela! Merci, chérie.
Ha alguns dias, conheci um brasileiro que vem aqui todos os anos para a Fête de la Musique. Não acho que ninguém tem de virar assiduo. Mas super recomendo!
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