sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Bilbao, Pays Basque, Espagne

Eu tinha algumas folgas para tirar e decidi aproveitar o feriado de 15 de agosto – festa religiosa da Assunção de Nossa Senhora (e o pais é laico, pois é). No começo, pensei em ir para o Sul da França, conhecer Marseille e alguma praia bonita la de perto. Mas ai conversei com uma amiga e decidi ir visita-la em Bilbao, no Norte da Espanha. Ou melhor, no Pais Basco. Consegui passagens mais em conta em voos diretos, graças à emenda que meu chefe me permitiu fazer. Embarquei na quarta, dia 14, e voltei na segunda, dia 19 – quase uma semana de folga :-)

Sinceramente, eu conhecia o Atlético de Bilbao e sabia que a cidade tinha um modernoso museu Guggenheim. De resto, foi tudo uma boa surpresa.

Pra começar, Mayra foi me buscar no aeroporto e é sempre bom quando a gente chega e tem alguém pra abraçar, né? Fomos de ônibus para a cidade, pagando 1,40 euros pela passagem (e foi so o começo do meu espanto com a diferença dos preços em relação a Paris). A cidade é cortada pelo Rio Nérvion. Ao lado dele, ha enormes passeios onde sempre tem gente correndo, fazendo exercicios ou conversando; o museu que ja citei; e a Universidade Deusto, onde a amiga inteligente estudou. Da casa dela, fomos andando para o Casco Viejo, o centro antigo. Vi a praça quadrada da cidade (tipica da Espanha), igrejas, o teatro e outras belas construções. Tb vi a “marquinha” no chão, que indica que Bilbao faz parte do caminho de Santiago de Compostela (alias, fiquei chocada quando percebi que Santiago, em francês, é Saint-Jacques. Faz tempo, mas isso ainda me parece bizarro).


O museu Guggenheim em dois angulos. E uma ponte ao fundo
O cachorrinho de flores, que fica perto do museu
No dia seguinte à chegada, fomos à San Sebastian, que tb faz parte do caminho de Santiago/Saint-Jacques. Foi a minha primeira experiência com os “pintxos”, os tapas bascos. Almoçamos no centro antigo, do lado da praça quadrada da cidade, e ainda tomamos sangria. Mayra havia me contado que a cidade tinha praia. E, sim, tinha. Lotada. No maior estilo Boqueirão, na Praia Grande, em SP. E a maioria dos turistas era de franceses. Depois do almoço, ela tentou encontrar uma outra praia, mais pra frente. Andamos, andamos, debaixo de um sol forte e ao lado do parquinho montado para o verão. Chegamos a uma cerca, onde estava um guarda que repetia que sentia muito, mas a passagem estava fechada. De longe, podiamos ver a area mais vazia. Mas, para chegar la, os caminhos possiveis eram looongos e optei por voltar ao Boqueirão. Deitamos na areia, por volta das 17h. Fazia muito calor. Voltamos mais bronzeadas, à noite.


A marca do caminho de Santiago, em San Sebastian, e os pintxos com sangria
O proximo destino foi Santander, que ja era em outro “estado”, na Cantabria. A cidade é bem bem legal. Conhecemos, primeiro, a parte ao lado do porto. Depois, fomos andando até o palacio da Madalena, que funcionou como casa de praia da familia real. Tb estava quente, mas a caminhada até la foi bem agradavel – depois do passeio ao lado do mar, na região mais urbana, andamos por uma passarela ao lado das praias de areias finas e bem menos cheias do que a de San Sebastian. No palacio da Madalena, pegamos um trenzinho turistico para conhecer a area. Custou 2,15 euros, e foi interessante. Aprendemos que a Praia do Biquini ganhou esse nome porque algumas estrangeiras usaram maios de duas peças, na década de 30, naquele local. E todo mundo ficou escandalizado, na época. O interessante foi notar que a Espanha evoluiu tanto que hoje a mulherada faz topless na boa, sem causar espanto (e isso não é um comentario preconceituoso. Mas, né? A gente sempre repara nas diferenças entre os povos). Depois desse tour, deitamos na areia da Praia dos Perigos. Eu aproveitei para entrar no mar, de agua gelada e sem ondas. Chegamos em casa tarde, mas satisfeitas com o passeio.

No terceiro dia, pegamos o trem para Mundaka. Eu tinha conversado com um francês que morou em Bilbao e disse que Mundaka tinha “as mais belas ondas do Pais Basco”. Ok. Vamos eu e Mayra descobrir. No caminho, passamos por Guernica, a cidade que inspirou aquele quado do Picasso, que adoro (mas não deu tempo de parar...uma pena). Chegamos em Mundaka, que é uma pequena cidade bem interessante. Muita gente tava falando basco, e parecia que eram todos amigos de infância. Sabe interior? Então. Escolhemos um restaurante que servia comida que parecia bem caseira. Mayra disse que estava em duvida entre o frango e o bonito (como eles chamam atum). E ouviu “O atum é fresco, daqui”. Optamos por ele e tava bem gostoso. Depois, a gente não conseguia encontrar a tal praia cheia de ondas. A colega de viagem encontrou um mapa que explicava que as ondas apareciam no inverno. Pois é. Andamos um tanto, ao lado da costa de pedras, descemos uma escada e conseguimos chegar a uma tira de areia. Foi outro dia de mar tranquilo e de agua gelada, ouvindo os gritinhos das crianças espanholas que corriam em volta.


Placa simpatica em espanhol onde todo mundo falava basco. E o mar sem ondas
Voltando para Bilbao, encontramos os bascos, assim, ao pé da letra. Nessa época, a cidade tem a Semana Grande (Aste Nagusia, na lingua deles). Varias barracas com comida e bebida tipicas estavam montadas no centro e na beira do rio e as pessoas (inclusive os meninos) vestiam saia azul, blusa branca e uma faixa verde na cintura. As ruas estavam cheias. Tomamos banho e saimos meio correndo para ver os fogos, que ja haviam começado. Depois, ficamos na região do museu, onde estava tendo um show de um grupo basco, que todos os adolescentes conheciam.

No dia seguinte, Mayra teve de arrumar as coisas, ja que ela tinha passagem comprada pra voltar ao Brasil. Eu tirei um cochilo no começo da tarde. Depois, saimos para andar e aproveitar um pouco da festa tipica. Vimos umas danças bem interessantes, que me lembraram da Festa do Divino, de Piracicaba (acho que é a saudade da terrinha). Quer dizer, os moços usavam roupa branca e vermelha, mas tocavam castanholas. Teve tb um grupo de meninas que dançou com remos nas mãos e um senhor que ficou fazendo passinhos pulandinho em cima de um caixão sustentado por seis homens. Esse foi o mais impressionante. O tiozinho tava numa super performance e os coitados dos “apoiadores” transpiravam. Ainda comemos churros com chocolate e voltamos pra casa.

Segunda parti logo cedo, junto com a Mayra e suas malas. Ela foi minha companheira durante as festas de fim de ano por aqui. Foram dois Natais (em Strasbourg e Bruxelas, onde ela morou) e dois réveillons (ambos em Paris). Por isso, brinco que estarei orfã em dezembro e me convido para festejar com todo mundo que sei que vai estar por essas bandas. A vida na Europa tem dessas: a gente ganha novos amigos, mas tb esta sempre "perdendo" pessoas importantes.

Info pratique:
Para quem quer saber mais sobre Bilbao, o link da Wikipedia sobre a cidade (pois é. Me rendi. Nem acredito). Fui de Vueling, de Paris/Orly, pra la.
Fomos para San Sebastian e Santander de ônibus. As passagens ficaram em torno de 12 euros (ida e volta) e as viagens duraram entre uma e duas horas (cada trecho). O trem, para Mundaka, foi mais em conta, e demoramos uma hora pra chegar.

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