10 Things About Living Abroad: No Turning Back
http://thoughtcatalog.com/rachel-rae/2013/11/10-things-about-living-abroad-no-turning-back/
Quando comentei com a minha mãe, comecei a ler e chorei. Incrivel como todo mundo que morou fora se reconhece nessas linhas. Incrivel como todo mundo se reconhece em varios textos sobre esse mesmo assunto, mesmo tendo saido de paises diferentes, tendo se mudado para paises diferentes, tendo conhecido pessoas diferentes, tenham escolhido quartiers diferentes...Mudar, assim, de “vida”, é muita coisa. E é assustador parar para pensar e ver a quantidade de coisas novas que passamos nesse tempo...eu diria que a cada dia temos, pelo menos, uma surpresa. Pelo menos.
Para deixar registrado, vou usar a lista como base e tentar relembrar porque me reconheci em cada um desses items. Desde a introdução (o texto original esta em italico e em inglês).
Moving around the world teaches you many things. It isn’t for everyone. It takes a special type of person to be able to do what we do. Packing up all your things into two carry-on bags and two checked pieces of luggage is struggles in itself, and to generalize imagine being a woman! I could only bring 10 pairs of shoes! Your mother will go through that luggage and make you narrow it down to seven cardigans instead of 17 and she will remind you that those shorts still don’t fit and haven’t fit for 3 years, you should probably just let them go. Along with letting those shorts go you are also letting go of friendships, relationships, comfort.
Como ja falei aqui, algumas vezes, a gente não decide morar fora e entra no avião. No meu caso, voltei a estudar francês, fiz provas do idioma, procure cursos de mestrado, paguei a tradução de documentos, montei dossiês...e nada disso me preparou o suficiente para a hora de dizer “sim, vou mudar”. Depois de receber todas as respostas das universidades nas quais apliquei, tinha de indicar a escolha definitiva. Definitiva. Ou seja. Depois daquele OK, ja era. Enrolei alguns dias. So o fiz com a minha mãe do lado, apoiando a decisão. Depois, sonhei varias noites com as reuniões com os chefes para falar sobre essa minha decisão. Ai veio esse momento da mudança. Esvaziar um apartamento de dois quartos. Não fiz mudança com caminhão nem nada. Fui levando o que dava para a casa dos meus pais (e agradeço todos os dias por ter o apoio deles). Decidi doar algumas coisas e tive uma agonia profunda quando os caras da instituição de caridade sairam da minha casa. Dai chegou a hora das duas malas de 32 quilos. Não adianta. Não da para resumir sua vida a isso. Ainda mais quando vc sai de um pais tropical, em direção ao frio europeu. Sofri, sofri, sofri. Meus pais não interferiram. Mas guardaram muita coisa la na dispensa deles. Itens que – surpresa? – eu nem lembro, obviamente não uso e so reforçam essa percepção de que a gente consome demais, demais, demais. Mas enfim. Das coisas, a gente desapega mais facil. Mas eu ainda deixei uma irmã gravida, uma avo fofa chorando no portão, amigos da vida toda…a sorte é que os laços de verdade sobrevivem. Isso é bem brega, mas a cada dia percebo que é mais verdade.
A wise man told me that the reason we move to new countries is because we are either running from or running to something. I laughed and thought he was crazy. I just wanted a change; there was no rationale to my choice. The more I thought about it, the more I realized he was right. I wasn’t just running from something, I was sprinting as far as I could. What I didn’t realize was that this choice has now started the foundation of my future. Just like a tattoo, that first little taste and you want more and more. No turning back.
Isso é muito estranho. Essa sensação de fugir de algo para algum lugar é uma boa tradução. E também é uma lição. Que, sim, muda a gente la no fundo. Pra sempre. (e dai que tem coisa muito mais pessoal no meio disso tudo e acho que fico timida de expor tudo isso).
1. Freedom. A new sense of freedom. Freedom to do and go as I please. Freedom to travel. Freedom to make choices without a safety net. Freedom to be yourself.
Vc chega sozinha em uma cidade. Vc pode ser quem quiser. Pode sair sozinha conversando com estranhos. Pode tomar um porre. Pode passar a noite acordada no computador ou andando de ônibus. Sei la. Eu sou filhinha de papai do interior, nem consigo pensar em nada muito radical. Mas ai vc chega sozinha em uma cidade e a liberdade te assusta. Num primeiro momento, em vez de socializar, vc se fecha. Vc tem medo de falar e as pessoas não te entenderem, vc começa a achar problemas em viajar sozinha (mesmo tendo feito isso em outras férias e, bem, em ter vindo sozinha para essa cidade). Vc começa a procurar apoio. De repente, vc encontra algumas pessoas novas e vc é vc. Vc se reconhece como nunca antes. Esse paragrafo ficou horrivel, mas é assim que acontece. Tudo louco, tudo desordenado. E vc tem liberdade para continuar desse jeito.
2. Watching your life at home pass by. Birthdays come and go. Marriages. Deaths. Life doesn’t stop and wait for you.
Eu sempre digo que não sou do nucleo que casa. Na igreja, com festa e tals. E na mesma época que vim pra ca, tive um casamento de uma amiga de infância e de uma prima. Teve meu aniversario, comemorado com pessoas que eu tinha acabado de conhecer. Em seguida, o Miguel nasceu. Em seguida, infezmente, minha avo morreu. O mundo continua, sim. E, de vez em quando, it sucks.
3. Math skills strengthen as you are always trying to convert your local currency to your home country. You know it is even better when you convert your new currency to your previous country. Everything is still in pesos for me.
Na verdade, isso acontece no começo. E dai vc até perde a fome pensando que, puxa, cada refeição é muito cara. Mas dai vc começa a ver que tem coisa que, puxa, é bem mais barata – como algumas peças de roupa. Essa vida de comparação é muito complicada e confunde muito a cabeça. Até vc decidir não converter mais. E um passo muito importante nesse processo de estar num outro pais, de viver uma nova vida.
4. Communication. Responding to someone in any language but the language they are speaking.
Até hoje eu tenho esse problema. Ja estou aqui ha mais de dois anos. E me mudei – de novo – recentemente (isso é assunto para outro post). Dai que entrei no taxi, falei o endereço para o motorista e ouvi “vc pode escrever no seu celular? Tenho dificuldade de entender o sotaque”. Hello. O moço tb não era francês. E dai que eu mostrei uma mensagem que tinha enviado com o endereço e, obviamente, ele repetiu o jeito que falei. Não tinha nenhuma dessas letras mais dificeis (tipo o “u”), nem “e” pronunciado diferente. Garanto.
5. Stories. The stories you will have to tell for the rest of your life are so unbelievable most people will think you are exaggerating. Hospitals. Airports. Dentists. You try getting your point across in any means possible. And do I mean ANY means possible.
Ja acontece isso. As vezes nem eu acho que passei por tanta coisa em dois anos. E meus amigos dão muita risada às minhas custas. Nunca fui para o hospital e nem tive problema no aeorporto, mas encontrei uma dentista brasileira que passava as férias, na infância, na cidade em que nasci. Peguei ônibus errado de madrugada, sai de Paris sem nem saber e deu bem certo, no fim das contas. Fui cantada por um jamaicano chato que, para tentar me conquistar, pediu para a minha amiga me entregar uma pulseira de coco que ele comprou na Paraiba. Invento palavras em francês e em inglês o tempo todo. Tenho uma amiga que criou codigos para avaliar as pessoas na balada e isso rende historia todas as vezes que usamos esse codigo. Sai com um menino e, na semana seguinte, o amigo dele me ligou, dizendo que tinha me visto antes na balada e que estava interessado em mim. O menino que sai passou o telefone e nunca me procurou. Dormi na cama de solteiro no quarto da residência estudantil da minha melhor amiga. Com ela junto. Voltei andando da balada, conversei com estranhos no meio do caminho. Fiz amigos no samba.
6. You realize little holidays and moments you didn’t think mattered are the ones that make you the most homesick.
Eu falo que fico meio de feriado quando é feriado no BR e ninguém entra no Face, ninguém ta disponivel pra conversar. Nessas horas, me sinto à deriva. E queria estar junto com todo mundo no BR.
7. Growth. As much as you hate to admit it with each move you grow. You learn the best ways to pack, meet new friends, get around, and survive.
A gente sabe, né? E o maior clichê, mas tb resume tudo. Vc aprender a passar por tudo. Por bem ou por mal.
8. Adrenaline. Those thrill seekers jumping off canyons and out of airplanes have nothing compared to boarding a plane and traveling to an unknown place. Not knowing anyone. Not knowing your surroundings. Not knowing the language. Now that is a real adrenaline rush.
Entrar no avião sem saber o que vai encontrar. Saber que vai estar longe de casa em momentos importantes, de felicidade ou de tristeza. Ter que apresentar trabalhos acadêmicos escritos ou para a sala. Ter de trabalhar em outro idioma. E depois de um tempo perceber como ja aprendeu tanta coisa. Mas ai tropeçar e perceber que ainda tem tanta coisa pra saber. E depois ter uma mudança dos chefes. E depois mudar de casa e estar em outro quartier. E uma eterna adrenalina. Eterna.
9. Patience. Realizing no one understands you. No one cares. Ordering food, getting in a taxi and normal every day tasks take patience. Nothing is ever easy. A 10-minute task at home will take you 60 minutes. Accept it.
Foi essa parte que destaquei no Facebook. Pq eu sempre falo. Vim pra ca pra ter paciência. Vim pra aprender a esperar. Ja evolui muito e espero que tenha sido suficiente. Logo que comecei o estagio, eu falava que demorava dez minutos para cada frase. Um outro estagiario sempre prestava atençao no meu tempo de resposta e constatou que muitas vezes era verdade. E, tipo, era conversa informal. Imagina para os chefes...
10. Having to say hello for the first time and having to say goodbye for the final time. Not many people get to experience this, but I have perfected it. This could quite possibly be the hardest and most dreaded part of my life.
Ainda hoje me confundo. Até porque, na França, tem gente que fala “bonjour” às 20h, no inverno (quando começa a escurecer às 17h). Se esta claro, ja chego falando “bonjour”. Mas, depois do almoço, tenho dificuldades para me despedir. Vai ver que por isso que eles inventaram o “sair à francesa”. Assim, ninguém precisa escolher como vai se despedir.
Start slow, go to a new place. Alone. Go to a city by yourself. Go on a vacation, alone. Throw yourself out there. Your own sink or swim. When you begin to panic and want to go home that is when your fight or flight will kick in. That true inner strength will shine through. You will fight it out and you will thank yourself later. I know I did.
Eu concordo: é um voo sem volta, e vc vai se agradecer por isso. Num tô na melhor fase da minha viagem. Mas concordo. Concordo de verdade.
A wise man told me that the reason we move to new countries is because we are either running from or running to something. I laughed and thought he was crazy. I just wanted a change; there was no rationale to my choice. The more I thought about it, the more I realized he was right. I wasn’t just running from something, I was sprinting as far as I could. What I didn’t realize was that this choice has now started the foundation of my future. Just like a tattoo, that first little taste and you want more and more. No turning back.
Isso é muito estranho. Essa sensação de fugir de algo para algum lugar é uma boa tradução. E também é uma lição. Que, sim, muda a gente la no fundo. Pra sempre. (e dai que tem coisa muito mais pessoal no meio disso tudo e acho que fico timida de expor tudo isso).
1. Freedom. A new sense of freedom. Freedom to do and go as I please. Freedom to travel. Freedom to make choices without a safety net. Freedom to be yourself.
Vc chega sozinha em uma cidade. Vc pode ser quem quiser. Pode sair sozinha conversando com estranhos. Pode tomar um porre. Pode passar a noite acordada no computador ou andando de ônibus. Sei la. Eu sou filhinha de papai do interior, nem consigo pensar em nada muito radical. Mas ai vc chega sozinha em uma cidade e a liberdade te assusta. Num primeiro momento, em vez de socializar, vc se fecha. Vc tem medo de falar e as pessoas não te entenderem, vc começa a achar problemas em viajar sozinha (mesmo tendo feito isso em outras férias e, bem, em ter vindo sozinha para essa cidade). Vc começa a procurar apoio. De repente, vc encontra algumas pessoas novas e vc é vc. Vc se reconhece como nunca antes. Esse paragrafo ficou horrivel, mas é assim que acontece. Tudo louco, tudo desordenado. E vc tem liberdade para continuar desse jeito.
2. Watching your life at home pass by. Birthdays come and go. Marriages. Deaths. Life doesn’t stop and wait for you.
Eu sempre digo que não sou do nucleo que casa. Na igreja, com festa e tals. E na mesma época que vim pra ca, tive um casamento de uma amiga de infância e de uma prima. Teve meu aniversario, comemorado com pessoas que eu tinha acabado de conhecer. Em seguida, o Miguel nasceu. Em seguida, infezmente, minha avo morreu. O mundo continua, sim. E, de vez em quando, it sucks.
3. Math skills strengthen as you are always trying to convert your local currency to your home country. You know it is even better when you convert your new currency to your previous country. Everything is still in pesos for me.
Na verdade, isso acontece no começo. E dai vc até perde a fome pensando que, puxa, cada refeição é muito cara. Mas dai vc começa a ver que tem coisa que, puxa, é bem mais barata – como algumas peças de roupa. Essa vida de comparação é muito complicada e confunde muito a cabeça. Até vc decidir não converter mais. E um passo muito importante nesse processo de estar num outro pais, de viver uma nova vida.
4. Communication. Responding to someone in any language but the language they are speaking.
Até hoje eu tenho esse problema. Ja estou aqui ha mais de dois anos. E me mudei – de novo – recentemente (isso é assunto para outro post). Dai que entrei no taxi, falei o endereço para o motorista e ouvi “vc pode escrever no seu celular? Tenho dificuldade de entender o sotaque”. Hello. O moço tb não era francês. E dai que eu mostrei uma mensagem que tinha enviado com o endereço e, obviamente, ele repetiu o jeito que falei. Não tinha nenhuma dessas letras mais dificeis (tipo o “u”), nem “e” pronunciado diferente. Garanto.
5. Stories. The stories you will have to tell for the rest of your life are so unbelievable most people will think you are exaggerating. Hospitals. Airports. Dentists. You try getting your point across in any means possible. And do I mean ANY means possible.
Ja acontece isso. As vezes nem eu acho que passei por tanta coisa em dois anos. E meus amigos dão muita risada às minhas custas. Nunca fui para o hospital e nem tive problema no aeorporto, mas encontrei uma dentista brasileira que passava as férias, na infância, na cidade em que nasci. Peguei ônibus errado de madrugada, sai de Paris sem nem saber e deu bem certo, no fim das contas. Fui cantada por um jamaicano chato que, para tentar me conquistar, pediu para a minha amiga me entregar uma pulseira de coco que ele comprou na Paraiba. Invento palavras em francês e em inglês o tempo todo. Tenho uma amiga que criou codigos para avaliar as pessoas na balada e isso rende historia todas as vezes que usamos esse codigo. Sai com um menino e, na semana seguinte, o amigo dele me ligou, dizendo que tinha me visto antes na balada e que estava interessado em mim. O menino que sai passou o telefone e nunca me procurou. Dormi na cama de solteiro no quarto da residência estudantil da minha melhor amiga. Com ela junto. Voltei andando da balada, conversei com estranhos no meio do caminho. Fiz amigos no samba.
6. You realize little holidays and moments you didn’t think mattered are the ones that make you the most homesick.
Eu falo que fico meio de feriado quando é feriado no BR e ninguém entra no Face, ninguém ta disponivel pra conversar. Nessas horas, me sinto à deriva. E queria estar junto com todo mundo no BR.
7. Growth. As much as you hate to admit it with each move you grow. You learn the best ways to pack, meet new friends, get around, and survive.
A gente sabe, né? E o maior clichê, mas tb resume tudo. Vc aprender a passar por tudo. Por bem ou por mal.
8. Adrenaline. Those thrill seekers jumping off canyons and out of airplanes have nothing compared to boarding a plane and traveling to an unknown place. Not knowing anyone. Not knowing your surroundings. Not knowing the language. Now that is a real adrenaline rush.
Entrar no avião sem saber o que vai encontrar. Saber que vai estar longe de casa em momentos importantes, de felicidade ou de tristeza. Ter que apresentar trabalhos acadêmicos escritos ou para a sala. Ter de trabalhar em outro idioma. E depois de um tempo perceber como ja aprendeu tanta coisa. Mas ai tropeçar e perceber que ainda tem tanta coisa pra saber. E depois ter uma mudança dos chefes. E depois mudar de casa e estar em outro quartier. E uma eterna adrenalina. Eterna.
9. Patience. Realizing no one understands you. No one cares. Ordering food, getting in a taxi and normal every day tasks take patience. Nothing is ever easy. A 10-minute task at home will take you 60 minutes. Accept it.
Foi essa parte que destaquei no Facebook. Pq eu sempre falo. Vim pra ca pra ter paciência. Vim pra aprender a esperar. Ja evolui muito e espero que tenha sido suficiente. Logo que comecei o estagio, eu falava que demorava dez minutos para cada frase. Um outro estagiario sempre prestava atençao no meu tempo de resposta e constatou que muitas vezes era verdade. E, tipo, era conversa informal. Imagina para os chefes...
10. Having to say hello for the first time and having to say goodbye for the final time. Not many people get to experience this, but I have perfected it. This could quite possibly be the hardest and most dreaded part of my life.
Ainda hoje me confundo. Até porque, na França, tem gente que fala “bonjour” às 20h, no inverno (quando começa a escurecer às 17h). Se esta claro, ja chego falando “bonjour”. Mas, depois do almoço, tenho dificuldades para me despedir. Vai ver que por isso que eles inventaram o “sair à francesa”. Assim, ninguém precisa escolher como vai se despedir.
Start slow, go to a new place. Alone. Go to a city by yourself. Go on a vacation, alone. Throw yourself out there. Your own sink or swim. When you begin to panic and want to go home that is when your fight or flight will kick in. That true inner strength will shine through. You will fight it out and you will thank yourself later. I know I did.
Eu concordo: é um voo sem volta, e vc vai se agradecer por isso. Num tô na melhor fase da minha viagem. Mas concordo. Concordo de verdade.
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