quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

L'espagnol

Como todo mundo sabe, ha uns quatro, cinco anos, decidi que queria morar na França. Mais precisamente em Paris. Uma das primeiras decisões praticas foi aprender francês. Tinha estudado na época da faculdade, mas a professora tinha um namorado belga, que morava na Bélgica. Dai que ela voltou das férias gravida desse namorado, decidiu morar na Bélgica com ele e o curso de francês acabou. Estava no terceiro ou quarto semestre. Bem no começo. Depois, quando ja tinha meu salario, tentei umas aulas particulares com uma professora brasileira que estudou na Sorbonne (eu achava chiquérrimo). Mas ela era meio maluca, acabava desmarcando aulas em cima da hora, e dai eu acabei fazendo a mesma coisa e tudo desandou. Foram as minhas duas tentativas, antes de “mergulhar” no idioma.

Bem, a primeira tentativa, com a professora do namorado belga, foi bem mais significante. Nessa época, eu estudava na escola de idiomas da universidade – era uma estrutura pequena, na verdade, e decidi fazer francês quando uns amigos montaram um grupo. A gente se divertia muito e eu achava que ia usar o idioma numa cobertura de Jogos Olimpicos ou Copa do Mundo. A gente tinha desconto conforme fosse optando por mais idiomas. Então, na época, eu estudava inglês, francês e espanhol. O primeiro, por necessidade, pra não esquecer tudo que aprendi la na escola do interior. O segundo, porque seria util um dia, né. E o terceiro porque...bem, porque...ficou bem barato, tinha la uma turma de sabado de manhã (!!!) e é bom falar espanhol, né. Bem...eu nunca gostei. Claro que o fato de ter aula de sabado de manhã, quando vc é universitaria morando numa cidade diferente da sua familia, atrapalha bastante. Eu saia de sexta e queria voltar para a casa dos meus pais no fim de semana. E as aulas atrapalhavam bem. E eu não me empolguei. Sempre achei que tava falando portunhol, que era uma coisa meio paraguaia. Não foi pra frente. Acho que fiz tipo dois ou três semestres.

Nessa época, eu vim pela primeira vez para a Europa. O plano era estudar inglês na Inglaterra. Fiquei dois meses. Viajei nos fins de semana. Me apaixonei perdidamente por Londres e tinha certeza que iria morar la um dia. Conheci Paris, tão incrivelmente linda. Fiquei boquiaberta quando vi a torre, que tinha uma contagem regressiva para o ano 2000 (pois é, entregando a idade...). Tenho fotos lindas da Sacre Coeur, do Arco...mas achei o metrô fedido. E consegui falar francês. Nas lojas, meu amigos me chamavam e eu estava achando que sabia tu-do. O espanhol, coitado, ficou escondido. Mesmo quando viajei para os paises que falavam esse idioma, consegui me virar com o meu portunhol sem regra nenhuma.

Até que eu mudei pra Paris, comecei a trabalha numa empresa que tem filiais em paises que falam espanhol. E percebi que, sobretudo na América Latina, ha pessoas que falam espanhol e nao falam inglês. Ja que falo com essas pessoas, decidi aprender espanhol. E, ha três semanas, estou estudando esse “novo” idioma. O esquema é singular: faço aula presencial e por telefone, que vale como uma conversação. Ja achei estranho, mas hj acho util, ja que devo conversar pelo telefone com quem fala espanhol, né.


Quanto ao nivel, pedi para começar do começo, mas, segundo os professores, sou uma “falsa iniciante”, ja que o português é minha lingua materna e é obvio que ha similaridades. Entendo bastante os textos escritos e o que os professores falam, mas tenho enorme dificuldade para falar e escrever.


Esta sendo bem produtivo. Em três semanas, ja estou pelo menos falando melhor, e tenho muita informação de gramatica (que me fazia muita falta). Mas o mais engraçado é ter mais um idioma nessa minha rotina ja meio maluca. Hoje, por exemplo, quinta-feira. Comecei o dia com a aula de conversação em espanhol, uma hora falando e pensando assim. Sai, vim pra ca e todo mundo falando em francês sobre o tempo, a chuva e etc. Dai tinha uma reunião com o meu chefe, em inglês. Dai que chega uma hora que tudo mistura e da um no. E eu respondo “gracias” para o meu chefe. Ele riu. Claro. E vamos de novo nessa vida de acostumar com a troca de idiomas – uma hora funciona, isso eu ja aprendi.

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