Como todo
mundo sabe, ha uns quatro, cinco anos, decidi que queria morar na França. Mais
precisamente em Paris. Uma das primeiras decisões praticas foi aprender francês.
Tinha estudado na época da faculdade, mas a professora tinha um namorado belga,
que morava na Bélgica. Dai que ela voltou das férias gravida desse namorado, decidiu
morar na Bélgica com ele e o curso de francês acabou. Estava no terceiro ou quarto
semestre. Bem no começo. Depois, quando ja tinha meu salario, tentei umas aulas
particulares com uma professora brasileira que estudou na Sorbonne (eu achava
chiquérrimo). Mas ela era meio maluca, acabava desmarcando aulas em cima da
hora, e dai eu acabei fazendo a mesma coisa e tudo desandou. Foram as minhas
duas tentativas, antes de “mergulhar” no idioma.
Bem, a
primeira tentativa, com a professora do namorado belga, foi bem mais
significante. Nessa época, eu estudava na escola de idiomas da universidade –
era uma estrutura pequena, na verdade, e decidi fazer francês quando uns amigos
montaram um grupo. A gente se divertia muito e eu achava que ia usar o idioma
numa cobertura de Jogos Olimpicos ou Copa do Mundo. A gente tinha desconto conforme
fosse optando por mais idiomas. Então, na época, eu estudava inglês, francês e
espanhol. O primeiro, por necessidade, pra não esquecer tudo que aprendi la na
escola do interior. O segundo, porque seria util um dia, né. E o terceiro
porque...bem, porque...ficou bem barato, tinha la uma turma de sabado de manhã
(!!!) e é bom falar espanhol, né. Bem...eu nunca gostei. Claro que o fato de
ter aula de sabado de manhã, quando vc é universitaria morando numa cidade
diferente da sua familia, atrapalha bastante. Eu saia de sexta e queria voltar
para a casa dos meus pais no fim de semana. E as aulas atrapalhavam bem. E eu
não me empolguei. Sempre achei que tava falando portunhol, que era uma coisa
meio paraguaia. Não foi pra frente. Acho que fiz tipo dois ou três semestres.
Nessa
época, eu vim pela primeira vez para a Europa. O plano era estudar inglês na
Inglaterra. Fiquei dois meses. Viajei nos fins de semana. Me apaixonei
perdidamente por Londres e tinha certeza que iria morar la um dia. Conheci
Paris, tão incrivelmente linda. Fiquei boquiaberta quando vi a torre, que tinha
uma contagem regressiva para o ano 2000 (pois é, entregando a idade...). Tenho
fotos lindas da Sacre Coeur, do Arco...mas achei o metrô fedido. E consegui
falar francês. Nas lojas, meu amigos me chamavam e eu estava achando que sabia
tu-do. O espanhol, coitado, ficou escondido. Mesmo quando viajei para os paises
que falavam esse idioma, consegui me virar com o meu portunhol sem regra
nenhuma.
Até que eu
mudei pra Paris, comecei a trabalha numa empresa que tem filiais em paises que
falam espanhol. E percebi que, sobretudo na América Latina, ha pessoas que
falam espanhol e nao falam inglês. Ja que falo com essas pessoas, decidi
aprender espanhol. E, ha três semanas, estou estudando esse “novo” idioma. O
esquema é singular: faço aula presencial e por telefone, que vale como uma
conversação. Ja achei estranho, mas hj acho util, ja que devo conversar pelo
telefone com quem fala espanhol, né.
Quanto ao
nivel, pedi para começar do começo, mas, segundo os professores, sou uma “falsa
iniciante”, ja que o português é minha lingua materna e é obvio que ha similaridades.
Entendo bastante os textos escritos e o que os professores falam, mas tenho
enorme dificuldade para falar e escrever.
Esta sendo
bem produtivo. Em três semanas, ja estou pelo menos falando melhor, e tenho
muita informação de gramatica (que me fazia muita falta). Mas o mais engraçado
é ter mais um idioma nessa minha rotina ja meio maluca. Hoje, por exemplo,
quinta-feira. Comecei o dia com a aula de conversação em espanhol, uma hora falando
e pensando assim. Sai, vim pra ca e todo mundo falando em francês sobre o
tempo, a chuva e etc. Dai tinha uma reunião com o meu chefe, em inglês. Dai que
chega uma hora que tudo mistura e da um no. E eu respondo “gracias” para o meu
chefe. Ele riu. Claro. E vamos de novo nessa vida de acostumar com a troca de
idiomas – uma hora funciona, isso eu ja aprendi.

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