Desde que o ano começou (e mesmo antes disso), ando tendo dificuldades pra acordar. Nem ta tão frio, daquele jeito que da preguiça de sair da cama. Desde o primeiro dia do ano, tem feito oito, nove, dez graus. O que nem é inverno de verdade aqui, né. E eu gosto taaanto do inverno, espero tanto por ele. Mas bem. Não era esse o assunto desse post.
Na terça passada (dia 7), tava num desses dias de dificuldade para acordar. Era a primeira terça-feira do ano. Mas eu não tirei folga nesses dias entre Natal e Ano Novo, né. Pois então, fora os dias oficiais de festa, estive trabalhando em outros idiomas. O que, como todo mundo imagina, cansa pra caramba.
Pois bem. Cabeça cansada, preguiça e eu tava enrolando pra sair da cama. Até que tocou a campainha. Naquele momento em que eu tinha acabado de tirar a calça do pijama e tava so de calcinha. Sai correndo, coloquei a calça que ja ia colocar para ir ao trabalho, o casaco e abri a porta. Era um operario perguntando se podia começar as obras no MEU APARTAMENTO. Tipo dentro dele.
Eu sabia que ia ter um trabalho na coluna de agua do prédio. Sabia que devia começar assim, no começo do ano. Mas não imagina que seria dentro da minha casa, que, by the way, tinha terminado de organizar no fim de semana anterior.
Bem, deixei o pedreiro entrar para olhar a parede, mas avisei que não sabia se a obra poderia começar imediatamente. Quando ele saiu, liguei para a proprietaria, que estava fora de Paris, numa estação de esqui, e não atendeu. Procurei o telefone da sindica (que, na verdade, é uma funcionaria de uma empresa que administra o prédio). Ai a proprietaria ligou de volta, pediu desculpa dizendo que não tinha sido informada (e não foi mesmo, porque falamos sobre esse assunto antes de ela sair de viagem. Ela tentou falar com a sindica, que não tava trabalhando por causa dos feriados). Ai um vizinho tocou a campainha e falou “Moro no andar de cima, e queria te dizer que tudo bem deixar a chave com os pedreiros. Eu vou fazer isso. E que seu apto é o primeiro e, se atrasar aqui, vai atrasar todo o cronograma”. Ou seja, virei a vilã da historia.
A proprietaria ligou de novo e falou que a sindica disse que tudo bem deixar a chave. Eu ja tava sem paciência. Ja tinha começado a tirar as coisas das prateleiras ao lado da parede que seria quebrada. Ja tinha perguntado para o pedreiro se precisava desligar TV e internet (olha o sofrimento). Ja tava atrasada para o trabalho. Pois é. Enrolei um tanto na cama e mal sabia que teria tido um dia mais tranquilo se tivesse levantado logo que o despertador tocou.
Desci, entreguei a chave reserva para o pedreiro, que quis saber onde era a minha caixa de cartas. Claro que ele tentou falar meu sobrenome e parou na segunda silaba. Expliquei que era o mesmo nome que tava la, do lado da porta de entrada do apartamento.
Sai batendo o pé e mal humorada, com meu iPad e meu iPhone na bolsa. Foi o que me deu tempo de “salvar”. Cheguei a “esconder” o computador (esse apartamento mal tem armario, é engraçado falar assim) e os passaportes (pois é, todos são meus e verdadeiros). Se por acaso tivesse sido avisada, teria levado algo para o trabalho, onde tenho umas gavetas com chave.
Trabalhei meio irritada o dia todo. Cheguei em casa e, milagrosamente, tudo tava no lugar e nem tão empoeirado assim. Os amigos que sabiam da minha saga me perguntaram, assim que me viram on line: “E dai?”. Minha resposta: “Tudo bem, so estou sem uma parede”. Depois pensei no quanto essa frase é ambigua. Gente. Uma parede quebrada pode significar tanta coisa, né?
Os serviços dentro do meu apartamento acabaram em menos de uma semana. Sobrou uma parede remendada, que deve ser coberta pelo pintor, que so vai vir depois que todos os trabalhos no prédio acabarem.
Passei o fim de semana lavando as peças que tinham cheio de poeira e tentando limpar o chão, que ja não é novo...
Quando tudo parecia que tava acabando...era domingo (dia 12) e eu tava deitada vendo série no computador. Toca a campainha. Era o dono da loja que fica embaixo do meu apto, falando de um vazamento na loja dele e me pedindo para evitar usar muita agua até segunda de manhã. Ele era simpatico, educado, deixou claro que a culpa não era minha e provavelmente foi consequência das obras. Gente, sou brasileira, adoro um banho! Tive de me conter (mas ja tinha tomado banho antes. Ra!).
Conversei com a proprietaria, que voltou de viagem, e disse que ia conversar com a sindica sobre isso. Ok. Eu faria um esforço.
Segunda de manhã (dia 13), fui falar com o pedreiro responsavel pela obra sobre o vazamento na loja. “Isso sempre acontece. Cada obra que começamos, vem um vizinho reclamar”.
Falei com a proprietaria do meu apartamento, que ficou constrangida com tanta coisa acontecendo comigo e disse que vai tentar falar com a sindica para resolver esses problemas e, inclusive, agilizar a pintura nas paredes atingidas (uma foi quebrada e duas têm marcas, sabe).
Se fosse em outras épocas, eu estaria chorando, reclamando da vida. Sei bem, me conheço. Mas, né. Os prédios aqui são velhos. A gente sabe que precisa de obra pra melhorar tudo. Pena que tô dentro do apartamento onde passa a tal da coluna de agua.
Por enquanto, o resultado disso tudo é um up no meu francês. Passei do nivel mais-que-avançado, discutindo obras com pedreiros; tendo longas conversas pelo telefone com a proprietaria; tendo conversas com os vizinhos sobre como é importante trocar o encanamento velho; discutindo com o dono da loja embaixo de casa sobre como as obras sempre acabam influenciando em outros imoveis...
Ano novo precisa de renovações, né? Pois é. Bom 2014 pra gente.