quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

L'espagnol

Como todo mundo sabe, ha uns quatro, cinco anos, decidi que queria morar na França. Mais precisamente em Paris. Uma das primeiras decisões praticas foi aprender francês. Tinha estudado na época da faculdade, mas a professora tinha um namorado belga, que morava na Bélgica. Dai que ela voltou das férias gravida desse namorado, decidiu morar na Bélgica com ele e o curso de francês acabou. Estava no terceiro ou quarto semestre. Bem no começo. Depois, quando ja tinha meu salario, tentei umas aulas particulares com uma professora brasileira que estudou na Sorbonne (eu achava chiquérrimo). Mas ela era meio maluca, acabava desmarcando aulas em cima da hora, e dai eu acabei fazendo a mesma coisa e tudo desandou. Foram as minhas duas tentativas, antes de “mergulhar” no idioma.

Bem, a primeira tentativa, com a professora do namorado belga, foi bem mais significante. Nessa época, eu estudava na escola de idiomas da universidade – era uma estrutura pequena, na verdade, e decidi fazer francês quando uns amigos montaram um grupo. A gente se divertia muito e eu achava que ia usar o idioma numa cobertura de Jogos Olimpicos ou Copa do Mundo. A gente tinha desconto conforme fosse optando por mais idiomas. Então, na época, eu estudava inglês, francês e espanhol. O primeiro, por necessidade, pra não esquecer tudo que aprendi la na escola do interior. O segundo, porque seria util um dia, né. E o terceiro porque...bem, porque...ficou bem barato, tinha la uma turma de sabado de manhã (!!!) e é bom falar espanhol, né. Bem...eu nunca gostei. Claro que o fato de ter aula de sabado de manhã, quando vc é universitaria morando numa cidade diferente da sua familia, atrapalha bastante. Eu saia de sexta e queria voltar para a casa dos meus pais no fim de semana. E as aulas atrapalhavam bem. E eu não me empolguei. Sempre achei que tava falando portunhol, que era uma coisa meio paraguaia. Não foi pra frente. Acho que fiz tipo dois ou três semestres.

Nessa época, eu vim pela primeira vez para a Europa. O plano era estudar inglês na Inglaterra. Fiquei dois meses. Viajei nos fins de semana. Me apaixonei perdidamente por Londres e tinha certeza que iria morar la um dia. Conheci Paris, tão incrivelmente linda. Fiquei boquiaberta quando vi a torre, que tinha uma contagem regressiva para o ano 2000 (pois é, entregando a idade...). Tenho fotos lindas da Sacre Coeur, do Arco...mas achei o metrô fedido. E consegui falar francês. Nas lojas, meu amigos me chamavam e eu estava achando que sabia tu-do. O espanhol, coitado, ficou escondido. Mesmo quando viajei para os paises que falavam esse idioma, consegui me virar com o meu portunhol sem regra nenhuma.

Até que eu mudei pra Paris, comecei a trabalha numa empresa que tem filiais em paises que falam espanhol. E percebi que, sobretudo na América Latina, ha pessoas que falam espanhol e nao falam inglês. Ja que falo com essas pessoas, decidi aprender espanhol. E, ha três semanas, estou estudando esse “novo” idioma. O esquema é singular: faço aula presencial e por telefone, que vale como uma conversação. Ja achei estranho, mas hj acho util, ja que devo conversar pelo telefone com quem fala espanhol, né.


Quanto ao nivel, pedi para começar do começo, mas, segundo os professores, sou uma “falsa iniciante”, ja que o português é minha lingua materna e é obvio que ha similaridades. Entendo bastante os textos escritos e o que os professores falam, mas tenho enorme dificuldade para falar e escrever.


Esta sendo bem produtivo. Em três semanas, ja estou pelo menos falando melhor, e tenho muita informação de gramatica (que me fazia muita falta). Mas o mais engraçado é ter mais um idioma nessa minha rotina ja meio maluca. Hoje, por exemplo, quinta-feira. Comecei o dia com a aula de conversação em espanhol, uma hora falando e pensando assim. Sai, vim pra ca e todo mundo falando em francês sobre o tempo, a chuva e etc. Dai tinha uma reunião com o meu chefe, em inglês. Dai que chega uma hora que tudo mistura e da um no. E eu respondo “gracias” para o meu chefe. Ele riu. Claro. E vamos de novo nessa vida de acostumar com a troca de idiomas – uma hora funciona, isso eu ja aprendi.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Les pickpockets

Sempre falo que uma das coisas que mais gosto daqui é a sensação de segurança. Poder voltar a pé à noite, pegar ônibus de madrugada e essas coisas. Mas é obvio que, como uma capital que recebe milhares de turistas todos os anos, Paris tem problemas em relação a isso. O principal deles, acho, são os pickpockets, como são chamados os “trombadinhas”. Ano passado, a Globo News fez uma reportagem sobre como elas agem. Em sua maioria, são adolescentes “roms”, que cercam a vitima e colocam a mão no bolso/na bolsa (o video é esse abaixo).


Normalmente, elas agem em grupo, sem abordar diretamente a pessoa – o que a gente chama de furto no Brasil. Mas minha prima chegou a ser cercada por algumas dessas adolescentes, que pediam dinheiro, perto do Louvre, no ano passado. Um policial chegou e dispersou o grupo.

Mais de uma vez, no metrô, ouvi o maquinista alertar para a presença de pickpockets em determinados vagões. Inclusive na linha 12, num domingo, o maquinista havia acabado de avisar que havia pickpockets nos dois ultimos vagões e um sem-teto entrou para pedir dinheiro. Ele começou o discurso pedindo desculpas por atrapalhar a viagem e, em seguida, gritou “olha, os pickpockets! Sai pickpocket, vcs atrapalham todo mundo. Não vão roubar nada aqui”. Ele tava um pouco bêbado e as meninas sairam xingando o rapaz.

Ontem, porém, levei um susto, de verdade. Quando cheguei à minha linha de metrô, percebi que fui empurrada na hora das portas fecharem. Achei estranho, pq o vagão nem estava lotado. Olhei para tras e vi que era um grupo de jovens. Ja achei que eram estudantes felizes indo juntos para algum lugar – porque isso sempre acontece, em qualquer lugar, né. Quando fui olhar de novo, percebi que uma menina baixinha estava com a mão dentro da mochila de um rapaz que estava de costas pra ela. Mexi um pouco minha cabeça e vi que o rapaz era um turista japonês. Imediatamente, segurei minha bolsa e pus as mãos nos bolsos do casaco, pra ver se estavam abertos. Um senhor que estava ao meu lado fez a mesma coisa. Eu sou bem medrosa e comecei a tremer – mas acho que era mais nervoso mesmo. Não sabia o que fazer. Uma menina muito bonita que estava mais perto, com o namorado, foi mais corajosa ou pensou mais rapido que eu e avisou o japonês. No mesmo instante, as pickpockets começaram a gritar. Uma delas chamou a atenção do japonês pedindo informação. Mas ela falava baixo, bem perto dele, eu não consegui entender que lingua era. Ele tentou ajudar, balançando a cabeça – ou so estava sendo simpatico. A menina muito bonita ainda tentou avisar de novo o japonês. Foi quando a menor de todas, a que roubou a mochila, começou a gritar, em inglês, que essa menina muito bonita era ladra e tinha roubado a carteira do japonês. Nisso a porta abriu, pq chegamos na outra estação. As roms sairam, fazendo bagunça, meio que enrolando para saber se o japonês também sairia, se daria para elas fugirem, eu acho. Uma delas estava gravida e ficava fazendo sinais ameaçando a menina muito bonita.

Quando a porta voltou a fechar (e as roms estavam na plataforma), uma japonesa se aproximou do japonês, provavelmente perguntando o que aconteceu. Eles começaram a conversar, ela virou e viu que a mochila dele estava aberta. A menina muito bonita olhou para mim e fizemos uma cara de “fazer o quê?”. Eu desci na estação seguinte, com o estômago embrulhado. Tentei falar para o japonês que ele deveria procurar alguém do metrô, mas ele aparentemente não entendia inglês...foi horrivel.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Janvier

Tenho a sensação que 2014 chegou (me) atropelando. Certeza que Gloria Perez tem inveja de um roteiro tão criativo e bagunçado.

Resolvi, então, fazer uma retrospectiva:
- Começando por 31 de dezembro, que esta praticamente incluido no pacote, porque ja tem essa sensação de “ano novo”, mesmo no inverno europeu. Levei um cano de dois amigos brasileiros que estavam em Paris e iriam passar o réveillon em casa. Na verdade, eles não são muito sociaveis e não cabe muita gente em casa. Então, tinha confirmado com eles e convidado mais uma amiga. No dia 31, à tarde, eles me avisam que acharam melhor voltar para o hotel, porque nem ligam pra essa comemoração. WHAT? Desesperada, escrevi para essa amiga (que na ultima hora tinha desistido de ir para o Brasil para as festas de fim de ano, ainda bem). Começamos a pesquisar as alternativas. Em algumas horas, marcamos um fondue na casa dela, com uma familia bem legal que ta por aqui e confirmamos uma festa la perto mesmo. Tudo assim, na correria. Acabou dando certo. Eu tinha até uma garrafa de  champagne e claro que passamos a meia-noite levemente felizes pela “superação” no finalzinho do ano velho.

- Tive de pagar uma facada de garantia para a proprietaria do meu apartamento, assim, logo apos o réveillon. E dai que, né. Fiquei sem dinheiro bem no mês dos “soldes”, aquela promoção dos sonhos em que botas e casacos são vendidos pela metade do preço. Mesmo assim, não consegui me segurar, negociei uma folga e comprei um bilhete de trem para a Italia.

- Na primeira semana do ano, encontrei um rapaz que “conheci” por meio de um app. Odeio isso. Odeio site, odeio apps que mostram as pessoas como catalogo. Mas tentei. Não funcionou.

- Nessa mesma época, fiz uma carteirinha ilimitada para o cinema. Pago 20 euros por mês, eu acho, e posso ver quantos filmes quiser. Logo depois que fechei o plano, teve uma retrospectiva dos melhores do ano passado. Resultado: fui ao cinema três dias seguidos e agora tô virando meio a compulsiva dos lançamentos. Tenho de ficar sabendo de tudo, ou acho que estou perdendo tempo. Alias...um dos filmes que vi da retrospectiva era alemão. Gente, e a dificuldade de coordenar o ouvido em alemão e as legendas em francês? Nem tinha percebido como ja gosto tanto de filme em inglês com legenda em francês.

- Na primeira terça-feira do ano (logo, dia 7), fui acordada pelo pedreiro que avisou que teria de entrar na minha casa para fazer obras, tipo, naquela hora. E obviamente não tinha com quem deixar a chave, né. Eu ainda tinha de sair para trabalhar e foi um drama para decidir tudo e tentar organizar minhas coisas. Detalhe que tinha muita coisa nas prateleiras da sala, que tive de jogar correndo no quarto. Fechei a porta que da para a “suite” (falando assim, parece que é um apartamento de verdade, né). No segundo dia, depois das obras, cheguei em casa e a porta tava aberta. Não sei se eu deixei, ou foram os pedreiros. Me preocupei com a sujeira no quarto (poeira, né?) e com gente estranha entrando no banheiro, sabe. Num gosto dessa ideia. Antes que critiquem, não é preconceito. E a minha casa, oras. E ai, eu me pergunto, depois dessa primeira semana de ano: privacidade pra quê, né? Gloria Perez com inveja que minha vida ta assim, um computador logado e sem senha. Acabaram a obra em quatro dias, mas tenho uma parede remendada em casa (eles trocaram o encanamento de agua, de toda uma coluna do prédio, pelo que entendi). Segundo a proprietaria, a ordem é esperar um mês para pintar, pq tem de secar tudo direitinho.

- Na segunda semana util do ano (13 a 17), trabalhei alucinadamente. No dia 16, tinhamos um grande projeto para entregar. Entrei mais cedo, sai mais tarde, e deu tudo certo. Sabe quando vc não consegue fazer mais nada quando chega em casa? Quando fica tão quebrada mentalmente que parece que o cansaço todo tb é fisico? Foi assim. E para tentar me recuperar, passei o fim de semana todo largada em casa. Acabei ficando apaixonada por uma série que eu achava bobinha, Chicago Fire. Na verdade, fiquei o domingo inteiro me apaixonado pelo Kelly Severide, um dos protagonistas, que na vida real vem a ser namorado da Lady Gaga. Como assim, meu povo?

- Na terceira semana util do ano, tive minha avaliação anual. Eu tinha isso nos tempos de redação, não vou mentir. Mas num era essa coisa “corporate”, né. E também era na época que eu trabalhava em um so idioma. Quer dizer, eu estudava francês, lia coisas em inglês o tempo todo, mas né. Num era oficial. Dai que, quando meu chefe foi fazer os comentarios sobre a minha pessoa, a primeira coisa que ele falou foi: “Vc fala muito I don’t agree”. Respira fundo, né. Ai ele continuou: “mas eu gosto muito. Mostra um pouco da sua coragem, do seu posicionamento. Vc não concorda comigo, mas sempre argumenta e eu acho valido”. Ok. Nunca mais reclamaremos da chefia, né.

- Ainda na terceira semana util do ano, fui procurar minha maquina fotografica. E cadê? Minha casa é pequena e mal tem armario. Revirei tudo e nada dela. Ou seja. Fiz um email cheio de cuidados para explicar pra proprietaria que não quero mais estranhos dentro de casa. Num quero escândalo nem vou acusar. Moro sozinha. Se foram os pedreiros, eles sabem meus horarios e que moro sozinha. Quero evitar confusão. So isso. Mas fiquei bem nervosa, e ainda tava de TPM. Imagina do dramalhão.

- Depois do annual appraisal e da maquina desaparecida, tirei folga e fui para a Italia (era por isso que eu tava procurando a maquina). Me hospedei em Torino, onde os dois furões do dia 31 aluagaram um apartamento. Alias, que apartamento, Brasil. Todo mundo devia passar uns dias num lugar como esse, com vista para os Alpes. Alias, foi la onde vi neve pela primeira vez na temporada: nos Alpes. Em Torino so nevou depois que fui embora L  Mas nada de tristeza porque a Italia é a Italia – e tem italianos. Italianos as vezes atormentam, pq é aquela coisa que vivo desde sempre na familia: todo mundo fala alto, anda sem olhar pro lado, gesticula...Depois de dois anos na França, por incrivel que pareça, vc começa a se acostumar com o silêncio e a maior organização. Num quero ser chata. Mas enfim. Tem o lado bom: os italianos. Os policiais italianos merecem toda a atenção. Meus amigos criaram uma teoria: os comandantes devem ser todos bichas que ficam escolhendo mais bonitos para os batalhões. Olha, eles têm bom gosto. Lembra que eu tava sem dinheiro? Mas num resisti. E provavelmente me endividei quando comprei uma polo para o Miguel na loja da Ferrari. Que glamour, né.

- Voltei. E o trabalho continua assim, acelerado. O pessoal da firrrma (pode escolher o sotaque desse r) combinou de sair pra jantar. Eu fiquei de reservar, pq era num brasileiro. Tinha certeza que era na quinta. Na quarta, me perguntam “reservou? Seu chefe num vai pq viajou, né?”. E eu “quero ver quantos vão. E meu chefe chega hj à noite, pode ir amanhã com a gente”. E todos: “Mas é hoje”. Oi? Depois eles contaram tudo e acharam que eu ia ligar. Nem ouvi essa conversação e nem reservei. Resultado: a francesa fofa que fala português ligou às 18h30 pra reservar mesa pras 20h. Segundo eles, foi uma combinação verdadeiramente “à la brésilienne”, por minha culpa. Eu comi picanha, teve gente que se esbaldou na feijoada e outro na moqueca.

- Dia 31 de janeiro, tinha uma lista que eu tinha de checar no trabalho. Esqueci. Esqueci. De ultima hora, enlouqueci com isso.

- Na primeira semana de fevereiro, teve uma seminario do trabalho em um chateau. Fiz uma apresentação em francês e outras duas participações assim, em voz alta, em francês. O tempo todo com informação nova, em outro idioma. Voltei pra casa cansadésima, acabada.

- No fim da primeira semana de fevereiro, eu tinha de mandar uns links para meus chefes. Tipos chefes mesmo. Eles tinham pedido uma mudança que o site da empresa não fazia assim, automaticamente. Ai que, seguindo orientação de colegas, tive de trocar os codigos HTML de três paginas do site, nos quatro idiomas disponiveis. Imagina tudo isso numa sexta à tarde. HTML + quatro idiomas. Fui embora às 22h.

Espero, sinceramente, que seja so esse começo. Pq, olha, é muita emoção pra quem ja passou dos 30.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Provins

Provins é uma cidade medieval bem perto de Paris que foi declarada patrimônio mundial pela Unesco. Como uma cidade medieval, tem uma muralha imensa, uma igreja antiga com uma praça em frente, casinhas de pedra e um clima diferente. 

Para chegar a Provins, a partir de Paris, basta pegar um trem na Gare de l’Est. Depois de cerca de uma hora, vc chega à pequena gare. A caminhada até o centro é rapida, mesmo durante a chuva (sim, o tempo não tava dos melhores nessa "viagemé). No sabado em que estive por la (28 de dezembro), as caixas de som penduradas nos postes dessa região tocavam jazz americano e parecia que a gente tava no cenario errado de um filme americano. Mas era bonitinha. Cidade pequena, né. Todo mundo parecia se conhecer.

Sou eu, em Provins.

Depois de uma pequena subida, chegamos à parte mais antiga. Encontramos uma livraria medieval, que tinha uma série de livros sobre a Idade Média e a historia da França, outros tantos com receitas (inclusive um livro dedicado exclusivamente aos pratos feitos com “legumes esquecidos”), muitos cavaleiros da época das Cruzadas, outras miniaturas de fadas e anjos, espadas e escudos medievais para as crianças e uma infinidade de tipos de tarô. A livraria, inclusive, tinha teias de areia que davam a sensação de estarem la desde, opa, a Idade Média.

Na pequena cidade com a muralha, a praça, a igreja, as casas de pedra, nos escolhemos almoçar numa creperia bem simpatica. Pedimos sucos naturais – recebemos as frutas cortadas e o espremedor. Diante do espanto, a garçonete explicou “Aqui vc tem de se esforçar”. Mas foi facil, né.

Meu suco, de laranja e limão (a xicara era para cidra, nao para o suco)

Foi tudo facil. A cidade é bem legal. Em uma determinada época do ano, os moradores se vestem com roupas medievais e fazem um festival com comida e outras atrações “tradicionais”. 

Provins também tem uma rosarie (uma espécie de museu com a historia das rosas e mais de 300 variedades desse tipo de flor), que deve ser lindo na primavera. Nas lojas, também ha muita coisa com rosas. Experimentei um chocolate quente com aroma de rosas. Vale a pena. 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Des journalistes

Eu tenho saudade de muita coisa do Brasil. Do Miguel, principalmente. E da familia toda. Dos amigos. De churrasco, da comida da minha mãe. Do Rio de Piracicaba. De falar português o dia todo. E por ai vai...

Como ja falei antes, não decidi mudar porque minha vida era um saco. Eu tenho saudade inclusive do jornalismo. Das redações e até dos jornalistas (não de todos, é verdade).

Dai que, quando leio boas matérias de jornalistas em primeira pessoa, meu coração até aperta. E hoje fiquei aqui, me divertindo e morrendo de nostalgia quando encontrei esse link. Com a reprodução de um tweet soooo cute.



E não resisti a fazer minhas considerações (num curto muito quem tem opiniões sobre tudo nas redes sociais, mas o blog é meu, né) :

1- Que nervoso quando isso acontece!

At one point the president said, “Now, this isn’t public yet.” I perked up.
“Thirty percent of somethingsomethingsomething is mumblemumble,” he said.
I didn’t hear. I had failed as a journalist, so I went to the bathroom. 

2- E o dia que descobri que sou velha. Pelo menos nos Estados Unidos.

I guess that they were talking about the difficulty of doing political outreach on Snapchat or one of this newer, less textual ilk? I’m not sure. Then the president drops this:

“It seems like they don’t use Facebook anymore,” he said.

Facebook is so uncool even the president of the United States knows it.

I am not sure who the they is. A White House representative I talked to afterward hypothesized that it might be the 18 to 34 year-olds whom the President hopes will sign up for the healthcare law.  Maybe it was the third-person singular, gender-neutral pronoun. I don’t know.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Les travaux

Desde que o ano começou (e mesmo antes disso), ando tendo dificuldades pra acordar. Nem ta tão frio, daquele jeito que da preguiça de sair da cama. Desde o primeiro dia do ano, tem feito oito, nove, dez graus. O que nem é inverno de verdade aqui, né. E eu gosto taaanto do inverno, espero tanto por ele. Mas bem. Não era esse o assunto desse post.

Na terça passada (dia 7), tava num desses dias de dificuldade para acordar. Era a primeira terça-feira do ano. Mas eu não tirei folga nesses dias entre Natal e Ano Novo, né. Pois então, fora os dias oficiais de festa, estive trabalhando em outros idiomas. O que, como todo mundo imagina, cansa pra caramba.

Pois bem. Cabeça cansada, preguiça e eu tava enrolando pra sair da cama. Até que tocou a campainha. Naquele momento em que eu tinha acabado de tirar a calça do pijama e tava so de calcinha. Sai correndo, coloquei a calça que ja ia colocar para ir ao trabalho, o casaco e abri a porta. Era um operario perguntando se podia começar as obras no MEU APARTAMENTO. Tipo dentro dele.

Eu sabia que ia ter um trabalho na coluna de agua do prédio. Sabia que devia começar assim, no começo do ano. Mas não imagina que seria dentro da minha casa, que, by the way, tinha terminado de organizar no fim de semana anterior.

Bem, deixei o pedreiro entrar para olhar a parede, mas avisei que não sabia se a obra poderia começar imediatamente. Quando ele saiu, liguei para a proprietaria, que estava fora de Paris, numa estação de esqui, e não atendeu. Procurei o telefone da sindica (que, na verdade, é uma funcionaria de uma empresa que administra o prédio). Ai a proprietaria ligou de volta, pediu desculpa dizendo que não tinha sido informada (e não foi mesmo, porque falamos sobre esse assunto antes de ela sair de viagem. Ela tentou falar com a sindica, que não tava trabalhando por causa dos feriados). Ai um vizinho tocou a campainha e falou “Moro no andar de cima, e queria te dizer que tudo bem deixar a chave com os pedreiros. Eu vou fazer isso. E que seu apto é o primeiro e, se atrasar aqui, vai atrasar todo o cronograma”. Ou seja, virei a vilã da historia.

A proprietaria ligou de novo e falou que a sindica disse que tudo bem deixar a chave. Eu ja tava sem paciência. Ja tinha começado a tirar as coisas das prateleiras ao lado da parede que seria quebrada. Ja tinha perguntado para o pedreiro se precisava desligar TV e internet (olha o sofrimento). Ja tava atrasada para o trabalho. Pois é. Enrolei um tanto na cama e mal sabia que teria tido um dia mais tranquilo se tivesse levantado logo que o despertador tocou.

Desci, entreguei a chave reserva para o pedreiro, que quis saber onde era a minha caixa de cartas. Claro que ele tentou falar meu sobrenome e parou na segunda silaba. Expliquei que era o mesmo nome que tava la, do lado da porta de entrada do apartamento.

Sai batendo o pé e mal humorada, com meu iPad e meu iPhone na bolsa. Foi o que me deu tempo de “salvar”. Cheguei a “esconder” o computador (esse apartamento mal tem armario, é engraçado falar assim) e os passaportes (pois é, todos são meus e verdadeiros). Se por acaso tivesse sido avisada, teria levado algo para o trabalho, onde tenho umas gavetas com chave.

Trabalhei meio irritada o dia todo. Cheguei em casa e, milagrosamente, tudo tava no lugar e nem tão empoeirado assim. Os amigos que sabiam da minha saga me perguntaram, assim que me viram on line: “E dai?”. Minha resposta: “Tudo bem, so estou sem uma parede”. Depois pensei no quanto essa frase é ambigua. Gente. Uma parede quebrada pode significar tanta coisa, né?

Os serviços dentro do meu apartamento acabaram em menos de uma semana. Sobrou uma parede remendada, que deve ser coberta pelo pintor, que so vai vir depois que todos os trabalhos no prédio acabarem.

Passei o fim de semana lavando as peças que tinham cheio de poeira e tentando limpar o chão, que ja não é novo...

Quando tudo parecia que tava acabando...era domingo (dia 12) e eu tava deitada vendo série no computador. Toca a campainha. Era o dono da loja que fica embaixo do meu apto, falando de um vazamento na loja dele e me pedindo para evitar usar muita agua até segunda de manhã. Ele era simpatico, educado, deixou claro que a culpa não era minha e provavelmente foi consequência das obras. Gente, sou brasileira, adoro um banho! Tive de me conter (mas ja tinha tomado banho antes. Ra!).

Conversei com a proprietaria, que voltou de viagem, e disse que ia conversar com a sindica sobre isso. Ok. Eu faria um esforço.

Segunda de manhã (dia 13), fui falar com o pedreiro responsavel pela obra sobre o vazamento na loja. “Isso sempre acontece. Cada obra que começamos, vem um vizinho reclamar”.

Falei com a proprietaria do meu apartamento, que ficou constrangida com tanta coisa acontecendo comigo e disse que vai tentar falar com a sindica para resolver esses problemas e, inclusive, agilizar a pintura nas paredes atingidas (uma foi quebrada e duas têm marcas, sabe).

Se fosse em outras épocas, eu estaria chorando, reclamando da vida. Sei bem, me conheço. Mas, né. Os prédios aqui são velhos. A gente sabe que precisa de obra pra melhorar tudo. Pena que tô dentro do apartamento onde passa a tal da coluna de agua.

Por enquanto, o resultado disso tudo é um up no meu francês. Passei do nivel mais-que-avançado, discutindo obras com pedreiros; tendo longas conversas pelo telefone com a proprietaria; tendo conversas com os vizinhos sobre como é importante trocar o encanamento velho; discutindo com o dono da loja embaixo de casa sobre como as obras sempre acabam influenciando em outros imoveis...

Ano novo precisa de renovações, né? Pois é. Bom 2014 pra gente.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Bonne année!!

Eu tive dois anos sensacionais. Em 2011 e 2012, eu consegui o mundo. Mudei de pais, entrei num mestrado na universidade que eu achava a melhor do mundo, escrevi (aos trancos e barrancos, é verdade) um mémoire, encontrei um estagio numa empresa que seguia o perfil que procurava, assinei um contrato nessa mesma empresa. Conheci muita gente nova, muita gente especial – e um tanto de gente chata tb, é verdade. Foram dois anos de descobertas e de superação. Claro que teve decepção, claro que houve momentos em que achava que não ia dar certo. Mas, no fim das contas, foi acontecendo, foi sempre melhorando. Em 2013, a sensação é que as férias acabaram. Todo esse periodo de descoberta e de tanta novidade deu lugar à rotina. Uma rotina que acabei escolhendo, é verdade. Em 2013, eu escolhi ficar em Paris. Assinei um contrato de duração indeterminada. Em 2013, tive muitas despedidas, que foram ficando cada vez mais dificeis. Dai, reparei que estou conhecendo menos estudantes (que vêm para ca com data para voltar) e mais gente que tb escolheu Paris. Em 2013, aquela “aventura” que começou com uma simples possibilidade de morar na cidade-luz virou verdade. E não sei se eu estava preparada para isso. Essa mudança me trouxe velhos questionamentos, me fez sofrer por novos e velhos problemas. Quem me conhece sabe que adoro um drama – e ganhei um bem grande. Houve momentos em que o oceano parecia intransponivel. Houve momentos em que me sentia pequena, imatura, perdida. Aos poucos, eu fui entendendo que, de novo, era uma transição. Foi em 2013 que “abracei” essa minha nova vida. E ainda estamos aprendendo a conviver. Para 2014, espero novidades. Espero paz no coração. Espero ter saude para enfrentar os bons e maus momentos. E espero continuar realizando sonhos. Que seja um bom ano para todos nos.

Em Montmartre, no dia de Natal -- Keep walking...