quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Le Celsa

As coisas andam tão corridas que só me dei conta hoje que ontem fez um mês que as aulas começaram. E, claro, fiquei pensando em tudo o que aconteceu nesse tempo.

Como já falei outras vezes, o ritmo de aulas é bem intenso e a programação, uma loucura. O horário é diferente a cada dia, a cada semana. Já tive disciplinas que foram encerradas.

Nesta semana, tive uma apresentação oral. Fiquei muito nervosa, embora o trabalho fosse em grupo. Os professores fizeram as críticas necessárias (e para todo o grupo, não só para mim). Não acho que foi uma présentation parfaite, mas também não foi a pior do mundo. E essa talvez seja uma das melhores consequências de ter vindo para a França mais velha -- a gente aprende que tudo bem fazer só o possível.


Já fiquei tensa por achar que nunca ia conseguir conversar com as pessoas da minha classe. Primeiro, porque elas são bem mais jovens e, claro, falam francês desde que nasceram. Isso significa que falam rápido e com gírias e expressões que não conheço/não conhecia. Mas, a cada dia, me surpreendo com o grupo. Sempre tem alguém que se aproxima para fazer uma pergunta, para oferecer ajuda...ainda não consegui ir a nenhum bar que eles combinaram, e tenho a sensação que estou em dívida por isso.

Eu era muito mais concentrada na primeira semana. Agora, acho que já acostumei com o tom de voz dos professores. É a única explicação que achei viável. Aí começo a viajar com alguma linha de pensamento. E isso, definitivamente, não é bom em nenhuma aula. Ainda mais em outro idioma.


Toda essa mistura de sentimentos é comum a outros brasileiros que vieram para cá estudar. E é muito engraçado conversar sobre isso principalmente com quem estuda na mesma escola que eu. Destaco três histórias que ilustram bem nosso dia a dia:

- Uma amiga me disse que tinha que terminar de ler um livro e estudar para a prova do dia seguinte. E completou 'Aí a professora vai ler e pensar 'ah, tadinha, ela escreve mal, mas pelo menos é esforçada';

- Uma outra amiga disse que está tentando falar francês sempre. E que elegeu dois tempos verbais: o présent e o passé composé. E se revolve por aí, porque é bem complicado ficar escolhendo os outros tempos no meio dos franceses;

- Um amigo falou que está acompanhando as aulas, mas sente dificuldades de intervir, comentar, porque faltam as palavras certas.

É um resumo do que a gente sente/está passando. Mas tenho certeza que todo mundo já percebeu a 'evolução' nessas últimas semanas. E isso não tem preço.

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