sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Dans le métro

Todo mundo poderia escrever um livro sobre as historias do metrô de Paris. Ja existem varios, inclusive. Uma amiga linda ja até escreveu uma matéria sobre isso (e recomendo a leitura, claro).

Normalmente, os franceses não puxam papo. Todo mundo sabe. Mas o metrô tem muito mais que franceses, né. E dai que a gente pode encontrar gente a fim de conversa. Domingo, eu tava indo à casa de uma amiga. Quando entrei na composição, tirei o cachecol e tava com o cabelo preso e fones de ouvido. Um menino senta do meu lado e gesticula. Ignorei a primeira vez. Ele continuou gesticulando. Tirei o fone e teve inicio o seguinte dialogo:
Ele - O que significa?
Eu – O quê?
Ele – Eu falei que achei a sua tatuagem bonita. O que significa essa estrela?
Eu – Nada especial.
Ele – Mas aqui na França tudo tem um significado.
Eu – Mas eu não sou francesa.
Ele – De onde você é?
Eu – Sou brasileita.
Ele – Ah? Da Bretanha? [Comentario: Gente. Bretanha é onde, né?]
Eu, com cara de “comoassim?” – Pois é, da Bretanha.
Ele –Eu não conheço a Bretanha. Fica no Norte da França, né? Eu conheço a Escandinavia, que fica mais pro Norte, né. A Noruega.
Eu – Ah, eu não conheço.
Ele – Sabe que la tem muito menos preconceito, né? Aqui na França, é muita gente te olhando, é estranho, é ruim.
Eu – Olha, não faço ideia...Não conheço a Noruega...
Ele – Vc é casada?
Eu – Sou [né? Qual é o tipo de resposta que eu daria?]
Ele – Ah, você tem filhos?
Eu – Tenho. Dois. [Ja olhando desesperadamente para o mapa da linha de metrô e contando quantas estações faltavam]
Ele – Seu marido é francês? 
Eu – Sim, ele é francês. 
Ele – Ai, que sorte dos seus filhos que têm todos os papiers, né [ele quis dizer cidadania e tals]
Eu – Normal, né. da familia
Ele – Olha, foi muito bom conversar com vc. Bom domingo e boas festas.
E desceu. Uma estação antes de mim.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Dans un autre pays

Publiquei esse texto no Facebook ha alguns dias:

10 Things About Living Abroad: No Turning Back
http://thoughtcatalog.com/rachel-rae/2013/11/10-things-about-living-abroad-no-turning-back/

Quando comentei com a minha mãe, comecei a ler e chorei. Incrivel como todo mundo que morou fora se reconhece nessas linhas. Incrivel como todo mundo se reconhece em varios textos sobre esse mesmo assunto, mesmo tendo saido de paises diferentes, tendo se mudado para paises diferentes, tendo conhecido pessoas diferentes, tenham escolhido quartiers diferentes...Mudar, assim, de “vida”, é muita coisa. E é assustador parar para pensar e ver a quantidade de coisas novas que passamos nesse tempo...eu diria que a cada dia temos, pelo menos, uma surpresa. Pelo menos.

Para deixar registrado, vou usar a lista como base e tentar relembrar porque me reconheci em cada um desses items. Desde a introdução (o texto original esta em italico e em inglês).

Moving around the world teaches you many things. It isn’t for everyone. It takes a special type of person to be able to do what we do. Packing up all your things into two carry-on bags and two checked pieces of luggage is struggles in itself, and to generalize imagine being a woman! I could only bring 10 pairs of shoes! Your mother will go through that luggage and make you narrow it down to seven cardigans instead of 17 and she will remind you that those shorts still don’t fit and haven’t fit for 3 years, you should probably just let them go. Along with letting those shorts go you are also letting go of friendships, relationships, comfort.
Como ja falei aqui, algumas vezes, a gente não decide morar fora e entra no avião. No meu caso, voltei a estudar francês, fiz provas do idioma, procure cursos de mestrado, paguei a tradução de documentos, montei dossiês...e nada disso me preparou o suficiente para a hora de dizer “sim, vou mudar”. Depois de receber todas as respostas das universidades nas quais apliquei, tinha de indicar a escolha definitiva. Definitiva. Ou seja. Depois daquele OK, ja era. Enrolei alguns dias. So o fiz com a minha mãe do lado, apoiando a decisão. Depois, sonhei varias noites com as reuniões com os chefes para falar sobre essa minha decisão. Ai veio esse momento da mudança. Esvaziar um apartamento de dois quartos. Não fiz mudança com caminhão nem nada. Fui levando o que dava para a casa dos meus pais (e agradeço todos os dias por ter o apoio deles). Decidi doar algumas coisas e tive uma agonia profunda quando os caras da instituição de caridade sairam da minha casa. Dai chegou a hora das duas malas de 32 quilos. Não adianta. Não da para resumir sua vida a isso. Ainda mais quando vc sai de um pais tropical, em direção ao frio europeu. Sofri, sofri, sofri. Meus pais não interferiram. Mas guardaram muita coisa la na dispensa deles. Itens que – surpresa? – eu nem lembro, obviamente não uso e so reforçam essa percepção de que a gente consome demais, demais, demais. Mas enfim. Das coisas, a gente desapega mais facil. Mas eu ainda deixei uma irmã gravida, uma avo fofa chorando no portão, amigos da vida toda…a sorte é que os laços de verdade sobrevivem. Isso é bem brega, mas a cada dia percebo que é mais verdade.

A wise man told me that the reason we move to new countries is because we are either running from or running to something. I laughed and thought he was crazy. I just wanted a change; there was no rationale to my choice. The more I thought about it, the more I realized he was right. I wasn’t just running from something, I was sprinting as far as I could. What I didn’t realize was that this choice has now started the foundation of my future. Just like a tattoo, that first little taste and you want more and more. No turning back.
Isso é muito estranho. Essa sensação de fugir de algo para algum lugar é uma boa tradução. E também é uma lição. Que, sim, muda a gente la no fundo. Pra sempre. (e dai que tem coisa muito mais pessoal no meio disso tudo e acho que fico timida de expor tudo isso).

1. Freedom. A new sense of freedom. Freedom to do and go as I please. Freedom to travel. Freedom to make choices without a safety net. Freedom to be yourself.
Vc chega sozinha em uma cidade. Vc pode ser quem quiser. Pode sair sozinha conversando com estranhos. Pode tomar um porre. Pode passar a noite acordada no computador ou andando de ônibus. Sei la. Eu sou filhinha de papai do interior, nem consigo pensar em nada muito radical. Mas ai vc chega sozinha em uma cidade e a liberdade te assusta. Num primeiro momento, em vez de socializar, vc se fecha. Vc tem medo de falar e as pessoas não te entenderem, vc começa a achar problemas em viajar sozinha (mesmo tendo feito isso em outras férias e, bem, em ter vindo sozinha para essa cidade). Vc começa a procurar apoio. De repente, vc encontra algumas pessoas novas e vc é vc. Vc se reconhece como nunca antes. Esse paragrafo ficou horrivel, mas é assim que acontece. Tudo louco, tudo desordenado. E vc tem liberdade para continuar desse jeito.

2. Watching your life at home pass by. Birthdays come and go. Marriages. Deaths. Life doesn’t stop and wait for you.
Eu sempre digo que não sou do nucleo que casa. Na igreja, com festa e tals. E na mesma época que vim pra ca, tive um casamento de uma amiga de infância e de uma prima. Teve meu aniversario, comemorado com pessoas que eu tinha acabado de conhecer. Em seguida, o Miguel nasceu. Em seguida, infezmente, minha avo morreu. O mundo continua, sim. E, de vez em quando, it sucks.

3. Math skills strengthen as you are always trying to convert your local currency to your home country. You know it is even better when you convert your new currency to your previous country. Everything is still in pesos for me.
Na verdade, isso acontece no começo. E dai vc até perde a fome pensando que, puxa, cada refeição é muito cara. Mas dai vc começa a ver que tem coisa que, puxa, é bem mais barata – como algumas peças de roupa. Essa vida de comparação é muito complicada e confunde muito a cabeça. Até vc decidir não converter mais. E um passo muito importante nesse processo de estar num outro pais, de viver uma nova vida.

4. Communication. Responding to someone in any language but the language they are speaking.
Até hoje eu tenho esse problema. Ja estou aqui ha mais de dois anos. E me mudei – de novo – recentemente (isso é assunto para outro post). Dai que entrei no taxi, falei o endereço para o motorista e ouvi “vc pode escrever no seu celular? Tenho dificuldade de entender o sotaque”. Hello. O moço tb não era francês. E dai que eu mostrei uma mensagem que tinha enviado com o endereço e, obviamente, ele repetiu o jeito que falei. Não tinha nenhuma dessas letras mais dificeis (tipo o “u”), nem “e” pronunciado diferente. Garanto.

5. Stories. The stories you will have to tell for the rest of your life are so unbelievable most people will think you are exaggerating. Hospitals. Airports. Dentists. You try getting your point across in any means possible. And do I mean ANY means possible.
Ja acontece isso. As vezes nem eu acho que passei por tanta coisa em dois anos. E meus amigos dão muita risada às minhas custas. Nunca fui para o hospital e nem tive problema no aeorporto, mas encontrei uma dentista brasileira que passava as férias, na infância, na cidade em que nasci. Peguei ônibus errado de madrugada, sai de Paris sem nem saber e deu bem certo, no fim das contas. Fui cantada por um jamaicano chato que, para tentar me conquistar, pediu para a minha amiga me entregar uma pulseira de coco que ele comprou na Paraiba. Invento palavras em francês e em inglês o tempo todo. Tenho uma amiga que criou codigos para avaliar as pessoas na balada e isso rende historia todas as vezes que usamos esse codigo. Sai com um menino e, na semana seguinte, o amigo dele me ligou, dizendo que tinha me visto antes na balada e que estava interessado em mim. O menino que sai passou o telefone e nunca me procurou. Dormi na cama de solteiro no quarto da residência estudantil da minha melhor amiga. Com ela junto. Voltei andando da balada, conversei com estranhos no meio do caminho. Fiz amigos no samba.

6. You realize little holidays and moments you didn’t think mattered are the ones that make you the most homesick.
Eu falo que fico meio de feriado quando é feriado no BR e ninguém entra no Face, ninguém ta disponivel pra conversar. Nessas horas, me sinto à deriva. E queria estar junto com todo mundo no BR.

7. Growth. As much as you hate to admit it with each move you grow. You learn the best ways to pack, meet new friends, get around, and survive.
A gente sabe, né? E o maior clichê, mas tb resume tudo. Vc aprender a passar por tudo. Por bem ou por mal.

8. Adrenaline. Those thrill seekers jumping off canyons and out of airplanes have nothing compared to boarding a plane and traveling to an unknown place. Not knowing anyone. Not knowing your surroundings. Not knowing the language. Now that is a real adrenaline rush.
Entrar no avião sem saber o que vai encontrar. Saber que vai estar longe de casa em momentos importantes, de felicidade ou de tristeza. Ter que apresentar trabalhos acadêmicos escritos ou para a sala. Ter de trabalhar em outro idioma. E depois de um tempo perceber como ja aprendeu tanta coisa. Mas ai tropeçar e perceber que ainda tem tanta coisa pra saber. E depois ter uma mudança dos chefes. E depois mudar de casa e estar em outro quartier. E uma eterna adrenalina. Eterna.

9. Patience. Realizing no one understands you. No one cares. Ordering food, getting in a taxi and normal every day tasks take patience. Nothing is ever easy. A 10-minute task at home will take you 60 minutes. Accept it.
Foi essa parte que destaquei no Facebook. Pq eu sempre falo. Vim pra ca pra ter paciência. Vim pra aprender a esperar. Ja evolui muito e espero que tenha sido suficiente. Logo que comecei o estagio, eu falava que demorava dez minutos para cada frase. Um outro estagiario sempre prestava atençao no meu tempo de resposta e constatou que muitas vezes era verdade. E, tipo, era conversa informal. Imagina para os chefes...

10. Having to say hello for the first time and having to say goodbye for the final time. Not many people get to experience this, but I have perfected it. This could quite possibly be the hardest and most dreaded part of my life.
Ainda hoje me confundo. Até porque, na França, tem gente que fala “bonjour” às 20h, no inverno (quando começa a escurecer às 17h). Se esta claro, ja chego falando “bonjour”. Mas, depois do almoço, tenho dificuldades para me despedir. Vai ver que por isso que eles inventaram o “sair à francesa”. Assim, ninguém precisa escolher como vai se despedir.

Start slow, go to a new place. Alone. Go to a city by yourself. Go on a vacation, alone. Throw yourself out there. Your own sink or swim. When you begin to panic and want to go home that is when your fight or flight will kick in. That true inner strength will shine through. You will fight it out and you will thank yourself later. I know I did.
Eu concordo: é um voo sem volta, e vc vai se agradecer por isso. Num tô na melhor fase da minha viagem. Mas concordo. Concordo de verdade.


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Annecy

Morar na Europa pode causar um estresse a mais na vida das pessoas – é muito lugar para conhecer. De vez em quando, me bate um pânico de que não aproveito a facilidade de pegar trem ou pagar uma passagem de avião barata para ir passar o fim de semana em uma cidade historica, linda, que sempre quis conhecer.

Claro que a organização das viagens depende de tempo e dinheiro. No meu primeiro ano aqui, não tinha nenhum dos dois, e acabei aproveitando mais depois de outubro, quando terminei o mémoire e assinei o primeiro contrato :-) Esse ano melhorou, mas ainda não foi o suficiente. Ainda falta principalmente dinheiro, né?

Mas ai, com esse negocio de ter de aproveitar tudo, fui para Annecy, na divisa entre França e Suiça, no feriado de 11 de novembro (feriado do Armisticio da Primeira Guerra). Peguei trem no sabado e fiquei até segunda (são quatro horas de viagem, saindo de Paris). Fiquei num Ibis bem localizado, ao lado do Centro Velho. Hotel honesto, quarto pequeno, mas OK.

A cidade é uma gracinha. Tem esse centro medieval, com ruas estreitas, uns canais com agua gelada correndo bem forte, restaurantes com a tradicional comida da Savoie, essa região abençoada, especialista em foundue e raclette, entre outras delicias. Ai também tem um lago imeeeenso, com os Alpes ao fundo.

A previsão era de bastante frio naquele fim de semana. Mas não chegou nos 4 graus. Consegui andar bastante, conhecer o castelo, as igrejas (até estranhei a enorme quantidade delas). Tem, inclusive, a igreja de São Francisco de Sales que, lembrei depois, é padroeiro dos jornalistas.

As arvores estavam com suas folhas amarelas, ventou um pouco. Mas nada que comprometesse as caminhadas. No inverno, a cidade deve ficar linda e gelada. Na primavera, cheia de flores. Espero voltar.

Logo volto com as fotos.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Sur le long chemin

Depois de completar dois anos em outro pais, eu notei bem uma coisa : não sou nem brasileira nem francesa. Vivo oscilando entre essas duas pontas, na verdade. Não que meu sonho seja mudar de nacionalidade. Gosto muito de ser brasileira e principalmente de habitos como abraçar, sorrir, dançar, comer coxinha e beber cerveja gelada. Mas, passando tantos meses em outro pais, é natural perder algumas “habilidades”.

Ao mesmo tempo, é obvio que não sou francesa. Não debato politica ou qualquer outro assunto com a mesma propriedade que eles – nem no futebol, que todo mundo acha que brasileiro é especialista. Bem, não tenho o mesmo dominio do idioma. Tenho peito, bunda e coxa, o que não é normal nas moiçolas nascidas por aqui. E por ai vai...

Dai que, semana passada, cheguei para trabalhar e uma colega bem legal me chamou para a “cremaillère” dela, que seria “na sexta”. Traduzindo, é uma open house francesa. Ela disse que não ia convidar muita gente – algumas pessoas daqui, o time de basquete do namorado dela e alguns amigos do casal. Falou que ia mandar email, com o endereço. Eu, que acho que ja conheço um pouco dos habitos franceses, tava esperando o email, né? Normalmente, eles avisam com antecedência, marcam no calendario do Outlook e ainda confirmam perto da data. Como nada chegou até quinta, tinha certeza que a tal da festa seria na semana seguinte.

Pois então, na quinta, me convidei para assistir ao ja lendario jogo França e Ucrânia, de classificação para a Copa do Mundo, com uns amigos brasileiros. Na sexta de manhã, voilà, recebo o email confirmando o adresse e o horario para chegar à cremaillère.

De repente, me deu uma tensãozinha. Me toquei que nunca tinha ido a uma cremaillère assim, 100% francesa. Graçasadeus que tem uma francesa aqui no trabalho que morou no Brasil (e em Singapura) e entende dessas duvidas de quem esta longe da sua terra. Mandei um email “sorry, mas não sei as regras de etiqueta. Tem de levar presente? Coisa pra beber/comer?”. Gentilmente, ela disse que ia sair daqui e passar no Monoprix mais proximo para comprar um petit cadeau. Claro que aceitei ir junto. No caminho, ainda brincamos quando ela disse que a gente tava chegando “na hora, como estava escrito no email”, e não “na hora como os brasileiros, com um tanto de atraso”.

Desmarquei o fute – e ouvi umas boas reclamações dos amigos brasileiros que, como eu, vivem com um pé la outro ca e acho que ja estão se acostumando a programar as soirées.

Fui à cremaillère. Gente. Um dos apartamentos mais legais que ja vi na minha vida parisiense. Um salão + cozinha enorme, com quarto, banheiro espaçoso e ainda uma sacada (não tirei foto pq nem lembrei disso. Franceses não costumam ficar com o celular na mão o tempo todo e eu, por incrivel que pareça, deixei o meu na bolsa e nem teria coragem de ficar registrando o ambiente). A casinha deve ter, sei la, uns 60 metros quadrados. O que significa minusculo para os padrões dos “meus” que moram no Brasil. No entanto, eu fiquei maravilhada. Achei lindo, confortavel, genial. E poderia aqui descorrer sobre a diferente do “ter” e “ser” e da preguiça que me deu das mansões e carros imensos que vi no Brasil. Mas, bem, não é o objetivo desse post. Até pq eu bem que me acostumaria a tanto espaço se estivesse morando ainda no Brasil.

Voltando à fête: tinha uma mesa cheia de petiscos, uma menina fazendo mojitos, mais cerveja e vinho, claro. Não tinha televisão e, por isso, alguns amigos dos donos do apto chegaram com um projetor e usaram o computador para transmitir, na parede enorme, o jogo de futebol. E a França perdeu. Talvez eu fosse a unica da sala que ainda acreditasse na vitoria dos bleus antes do jogo começar. E durante. E depois. Fiquei realmente triste com o resultado (2 a 0 para os ucranianos. Ucranianos. Vejabem). E fui embora logo depois da derrota, pq ja tava passando da quantidade necessaria de vinho num evento com pessoas do trabalho.

França e Ucrânia, em foto emprestada do L'Equipe
E isso agora me fez pensar em outra coisa. Tb estou no meio do caminho entre os jornalistas e os não-jornalistas.

Então, é isso. Eu sei que esse post ficou confuso. E nem era a intenção. Mas é um post assim, em alguma parte do caminho a ser percorrido.

E fica a dica: se decidirem mudar de vida, estejam preparados para a fase “mais ou menos”. Parece chato. Mas não é. Parece confuso. E é bem pior do que isso. C'est ma vie.

UPDATING: acabei de publicar esse texto e encontro a imagem seguinte no Facebook. Recado do destino? hahaha


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Les journalistes

Note to self: mesmo que vc abandone o jornalismo, de vez, nunca abandone os jornalistas. São eles que vão te chamar pra tomar cerveja em plena quarta à noite (sem feriado na quinta). São eles que vão insistir para a saideira. São eles que vão rir com vc das piadas que a gente faz da vida real :-)

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

La manicure

Como falei antes, tava de férias no Brasil. Logo depois que cheguei, ja no primeiro dia, fui ao salão fazer as unhas e a escova progressiva, como toda brasileira que mora no exterior ou passa um tempo fora. Tinha marcado sobrancelhas tb, mas esqueci e fui a outra mulher com a minha mãe.

Ja nesse dia, a manicure comentou que minhas unhas estavam muito curtas e fracas. Sim, eu como unha (desculpa, mas odeio a conjugação do verbo roer). E dai pensamos num plano de tentar refazer o trabalho toda semana, pra ficar com as mãos mais bonitinhas. Deu quase certo, pq acabei viajando um tanto e não deu tempo de fazer as unhas três vezes. Fiz duas, mas ja voltei com a mão mais apresentavel. Trouxe na mala uma base fortificante, que comprei no Paraguai (pois ééé, fui pra la. E juro que a base é da boa e original).

Essa semana, reparei que minhas unhas cresceram e quis manter assim. Procurei telefones de manicures brasileiras e avaliei as possibilidades perto do trabalho, ja que saio cedo de casa e volto tarde -- ta quase tudo fechado quando tô por la. Ontem, duas unhas quebraram. E foi um alerta. Hoje tava livre na hora do almoço, fui até um “salão” perto do trabalho mesmo e estreei na manicure francesa.

Esmalte bem clarinho, para evitar sustos
(o machucadinho foi arte minha, antes de ir à manicure)
Como ja sabia, elas não tiram cuticula. O processo é mais rapido do que o brasileiro: primeiro ela lixa o comprimento das unhas, depois a superficie (com aquela lixa mais leve). Depois passa um liquido para amolecer as cuticulas e, com o palito, vai empurrando e limpando embaixo da unha. Ai pega um lencinho umidecido, limpa cada unha e passa os esmaltes. Foram duas “mãos”. Em seguida, a base e um acelerador de secagem (que parece um oleo de secagem que a gente usa). O resultado? Engraçado, para quem esta acostumada a frequentar salão e acompanhar as amigas que fazem unha da maneira brasileira. Como era de se esperar, ela passa esmalte basicamente no meio (ja que não tem palito com algodão pra limpar depois). As bordas ficam meio tortas. Depois que seca, da a impressão que o esmalte ja é meio velho, sabe. Pq fica aquele espaço embaixo sem nada, ou com acumulo do produto. Enfim. Para mim, acho que ta otimo, porque não tenho a minima habilidade para fazer isso em casa. No maximo, uma base, que acabo arrancando em seguida.

Enquanto a manicure (super sympa, chamada Angès) fazia seu trabalho, conversamos um pouco e ela foi me explicando que a francesinha, aqui (French mains), é so passar o esmalte branco emcima mesmo. E ela elogiou que o branco da minha unha é bem branco, o que é otimo, segundo ela. Falamos da dificuldade de deixar crescer a unha, uma vez que tenho o habito de roê-las. Ela comentou “ainda bem que cresceu, se não, não daria pra fazer manicure, né?”. Ou seja. Pra elas, manicure é lixar.

Agora vamos à parte mais dificil: a financeira. A maioria dos salões que têm manicure e depilação cobra uma “assinatura” – normalmente, vc fecha planos de seis meses, que te garantem desconto. Em casos de redes de beleza, os cartões valem para todas as unidades, inclusive em outras cidades ou até pais. Se vc não tem assinatura, paga bem mais caro. Ainda ha de se considerar que qualquer tipo de serviço, aqui, é bem mais caro do que no Brasil. Então, nessa brincadeira de deixar as mãos mais bonitas, acabei gastando quase 80 euros (elas cobram a mais para passar o esmalte).

Achei vantagem fazer a assinar nessa rede (Body Minute), pq eles têm tb depilação e é muito facil de encontrar lojas por ai. Perto de casa tem pelo menos duas. E ja tenho amigas que usaram esse serviço e recomendam.

Na verdade, é um misto de salão de beleza e clinica de estética. Eles oferecem também massagem redutora, bronzeamento artificial e esfoliação, por exemplo. Enquanto esperava, peguei um folheto de um programa de redução de medidas. E eles oferecem inclusive so os produtos. Segundo o catalogo, um deles age em zonas “rebeldes” do corpo -- bunda, coxas e quadril. Rebeldes. Pois é.

Tenho rebeldia de sobra

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Un peu bizarre

Voltei de férias (isso merece post à parte). Trouxe bombons Sonho de Valsa para o pessoal do trabalho. Ja na segunda-feira, tava la, super simpatica, distribuindo. Fui à sala dos gerentes, explicando que era “chocolate do Brasil”. Uma delas pega o bombom, lê meio rapido, começa a balançar os ombros num ritmo meio salsa e diz “Uhu! So-nho-de-val-za”. Ju-ro.

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Hoje (sexta), tava quietinha aqui tentando trabalhar (cadê a concentração depois das férias?), quando uma diretora me chama. A gente nem trabalha juntas, sabe. Fiquei meio preocupada até. Entrei na sala dela, ela fechou a porta. Eu tava com meu caderno (da um ar profissional e tals). Ela fala “não precisa do caderno, é rapido”. E me mostra um vidrinho do oleo de amêndoas da Natura, me pergunta como usar. Diz que alguém deu para ela e ela tava em duvidas se usava para tomar banhou ou depois disso. Expliquei que tem gente que fala que é bom para evitar estrias também (mas claro que não sabia falar estria e aprendi uma nova palavra: vergeture. E ela ainda falou “Ah, aquela coisa que as gravidas têm na barriga”. Tipo. Francesa não engorda no peito e na bunda, então so tem estria na gravidez, na barriga).