terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Le baptême

Ainda de "ressaca" depois de perder a minha avó, tive que retomar o foco. Ou pelo menos tentar. E aí que se alguém me perguntar hoje: quem é você? Eu respondo: étudiante en Master 2, neta da dona Ada, filha da Célia e tia-quase-madrinha do Miguel.

Seguindo essa lógica, hoje acordei, fiz várias coisas e fui para a aula. Saí cansada, meio desnorteada, pensando na quantidade enorme de trabalhos e provas desse mês. Cheguei em casa e lembrei que hoje era o dia do curso do batizado, na igreja aqui perto de casa, que chama Saint Joseph des Nations. E aí entra dona Ada, que me dizia que eu tinha de rezar para São José, porque Santo Antônio arruma namorado e já tava na hora de eu procurar marido, pai de família. Depois da nossa última desilusão conjunta (ela gostava muito do meu último ex-namorado), tenho a impressão que ela deu uma amenizada nas orações. Enfim. Retomando o assunto. Eu tava cansada, mas lembrei da vó Ada me falando bem de Saint Joseph. E lá fui eu.

Pra ninguém confundir: esse é o São José
Cheguei e a madame da sacristia nem sabia que ia ter curso de batismo. Me levou para uma sala ao lado da igreja, que tinha várias camas dessas de montar, com uma mesa enorme, e tive a impressão que o lugar funcionava como um albergue para sem-teto. Aí um monsieur que estava lá foi comigo até a secretaria da igreja, deu uma olhada num livro e viu que sim, tinha a preparação do baptême. Aí expliquei que sou brasileira, que vou para o Brasil batizar meu sobrinho e precisava de um atestado da preparação do sacramento. Sabe o que ele respondeu? 'Vc tem certeza? Porque na França só os pais fazem o curso. A madrinha não precisa'.

Parênteses. Sábado eu fui até a igreja perto da outra casa para perguntar do batismo, porque eu sabia que lá tinha uma comunidade portuguesa e talvez a preparação fosse em português. Claro que não tinha ninguém da comunidade no dia de informações para o batismo e, em francês, me disseram que eu tinha de procurar a minha paróquia. A madame foi até simpática e procurou numa listinha das igrejas de Paris. Chegando em casa, liguei para três igrejas da região. Ainda bem que, na mais próxima, disseram que tinha um curso nesta terça, e eu poderia participar. Eu falei com todo mundo. Expliquei que serei madrinha. E ninguém tinha me falado que nem precisava fazer o curso. Fecha parênteses.

Depois que o monsieur desinformado mas educado me disse que o curso não era obrigatório, eu fiz uma cara de meiga e respondi que, mesmo assim, queria participar porque no Brasil é obrigatório, COM CERTEZA. Afinal, sou neta da Ada e filha da Célia. Sei das formalidades da igreja ((essa última parte não falei pra ele)).

Aí fiquei quase duas horas, com outras três mães francesas, ouvindo um padre e uma senhora muito simpática explicarem todos os rituais de batismo na França. C'est-à-dire, se um dia tiver um filho nesse país, já sei até que é indicado trocar de roupa logo depois do batismo em si, dentro da igreja, e deixar o bebê sair com uma roupa branca, que significa a purificação. E ainda vou voltar à l'église amanhã, para pegar o atestado.

Aí cheguei em casa supercansada. Liguei o Skype para contar a minha saga e minha irmã (a mãe do Miguel) me diz: 'Vou te contar um segredo. Mamãe falou com o padre. Ele vai abrir uma exceção e os padrinhos não vão precisar fazer o curso'.

O que eu não faço por esse gatinho?

2 comentários:

  1. Lu querida, a cada que passa fico mais orgulhosa de você.
    Cumpridora dos deveres, estudante com garra,luta pelo que quer e chega lá....GRANDE MENINA...
    Parabéns pelo dia de ontem, dever cumprido.
    Sua admiradora,
    mama
    Celia

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  2. Pronto. Já tenho a carta, em francês.
    Que bom que vc tem orgulho de mim. Eu me inspiro em vcs.
    Saudadeeeees!
    bjo

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