quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Merci, SP

Eu não ia escrever mais nada no blog hoje. Porque tenho milhares de coisas pra fazer. Mas é aniversário de São Paulo e um monte de gente está por aí, fazendo declarações. Eu não pude deixar de pensar na minha relação com a cidade. Foi SP que me trouxe para Paris. Na verdade, foi SP que me transformou no que eu sou hoje. Foi ela que me ensinou a trabalhar, tirou meu medo de dirigir, me deu tantos amigos...Foi lá que passei os melhores anos da minha vida.

Eu lembro do começo do meu 'relacionamento' com SP. Depois de fazer os vestibulares e antes de saber os resultados, peguei um ônibus em Campinas (SP) para Balneário Camboriú (SC). Quando ele parou na rodoviária do Tietê, na Zona Norte da capital, olhei para aquela movimentação toda e pensei "Meu Deus, eu nunca vou conseguir andar sozinha aqui". Até comentei com meus pais.

Alguns meses depois, as aulas já tinham começado e atravessei a mesma rodoviária, numa sexta-feira, para pegar o ônibus de volta para Piracicaba (SP). Lembro até hoje da sensação de superação e do orgulho que senti de não ter mais medo e até estar começando a ficar mais íntima daquela pauliceia desvairada.

Hoje lembrei ainda que, quando falei pra minha mãe que fui aprovada por uma universidade de Paris, ela chorou (eu também, claro). Mas meu pai fez uma ponderação importante. Ele disse que, guardadas as devidas proporções, a minha mudança para fazer faculdade foi muito mais ousada do que essa. Eu saí de Piracicaba com 17 anos, rumo a São Bernardo do Campo. Que, para mim, era SP. Aos poucos, fui aprendendo a me virar na metrópole e cheguei à Av. Paulista. Aos poucos, meu mundo foi ficando bem maior do que aquela área que reúne tantos milhões de habitantes. Aos poucos, SP foi me deixando pronta para alçar novos voos. E aí, de repente, deixei a rodoviária para trás e fui até o aeroporto. Se não fosse SP, eu não estaria aqui.

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