"Walking streets alone and eating dinner at tables for one — maybe with a book, maybe not — you’re left alone for hours, days on end with nothing but your own thoughts. You start talking to yourself, asking yourself questions and answering them, and taking in the day’s activities with a slowness and an appreciation that you’ve never before even attempted. Even just going to the grocery store — when in an exciting new place, when all by yourself, when in a new language — is a thrilling activity. And having to start from zero and rebuild everything, having to re-learn how to live and carry out every day activities like a child, fundamentally alters you."
Então que hj vou deixar um texto e um link bem interessante. Eu gostei, pelo menos. E uma colega minha tb, pois foi ela publicou no Facebook.
http://thoughtcatalog.com/2012/what-happens-when-you-live-abroad/
(o titulo do post é o mesmo do romance do Albert Camus -- O Estrangeiro. Foi o primeiro que li em francês, ainda no Brasil. Depois, é claro, de uma série de Le Petit Nicolas.)
segunda-feira, 3 de junho de 2013
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Des mots et des expressions
Faz tempo que queria escrever sobre palavras e expressões em outros idiomas. Cada dia tenho uma surpresa. E cada vez mais acho engraçado como coisas que fazem sentido para mim, em português, são completamente fora do normal para os estrangeiros (mesmo aqueles que ja sabem muita coisa em português). Do mesmo jeito, ha trechos de frases dos franceses que não fazem muito sentido para mim.
Hoje, duas pessoas do trabalho estavam conversando:
- Tu m’as posé un lapin lundi (ao pé da letra, algo como vc me colocou um coelho na segunda-feira), disse um francês.
O outro, um estrangeiro, ficou meio perdido. Logo lembrei que ja passei pela mesma situação, mas com um amigo me dizendo de outra pessoa que “a posé un lapin” e eu com uma cara de interrogação, do tipo “pq ela te daria um coelho?”. Ai ele me explicou o que ele queria dizer: deu o cano, furou.
Tenho uma grande amiga francesa. Daquelas do coração. Nos trombamos em uma festa da firma, quando eu era estagiaria e ela estava esperando o visto para voltar ao Brasil para trabalhar. Ela ja tinha morado em SP durante cinco meses, para aprender o idioma e procurar emprego. E ja falava português incrivelmente bem. Almoçavamos uma ou duas vezes por semana, e dividiamos o tempo entre os dois idiomas. Um dia começamos a falar de expressões brasileiras. Estava meio cheia de tarefas no trabalho e acabei mandando um link pra ela com imagens dessas expressões. Falei pra ela dar uma olhada e depois me falar quais eram suas duvidas. Ela riu e disse que não entendeu quase nada. Comecei a explicar algumas coisas como “dar o cano”, “tirar agua do joelho”, “joao-sem-braço”...tentando lembrar de ressalvas: “isso não é pra falar no trabalho”, “isso so fale com suas amigas”...Algumas horas depois, ela me manda um e-mail: “Nossa, agora que percebi o que quer dizer esse joao-sem-braço. Vcs fazem brincadeira com isso? E sério?”. E ai eu pensei que, gente, não é nada politicamente correto. Depois, ela entendeu o espirito e chegou a falar para um amigo meu que “deu uma de joao-sem-braço”. Fiquei orgulhosa.
Antes de partir para o Brasil, essa mesma linda me deu dois livrinhos de bolso: um sobre palavrões franceses e outro sobre as expressões. Eu adoro ficar fuçando e tentando entender a origem de cada uma delas, mas claro que nem sempre existe uma explicação convincente. Em relação às palavras, elas são diferentes. E pronto. Por exemplo, se vc for a um restaurante e pedir gamba, vão te trazer camarão grande (o pequeno chama crevette).
Outro dia fui para a Italia com a minha prima e não deu para levar hidratante, por causa do tamanho do frasco e das restrições para o voo. A solução foi procurar um creme no mercadinho da esquina do hostel. Comprei um potinho tipo Nivea, que poderia fica na nécessaire até a volta para casa. Quando chegamos ao nosso quarto, li na tampa “para peles morbidas”. E descobri que morbida significa macio em italiano.
Tem gente que diz que da para vc saber se domina o idioma quando compreende as expressoes. Mas é sempre muito dificil saber de todas elas. Eu fico feliz de ainda ter muito o que descobrir em francês.
Hoje, duas pessoas do trabalho estavam conversando:
- Tu m’as posé un lapin lundi (ao pé da letra, algo como vc me colocou um coelho na segunda-feira), disse um francês.
O outro, um estrangeiro, ficou meio perdido. Logo lembrei que ja passei pela mesma situação, mas com um amigo me dizendo de outra pessoa que “a posé un lapin” e eu com uma cara de interrogação, do tipo “pq ela te daria um coelho?”. Ai ele me explicou o que ele queria dizer: deu o cano, furou.
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| A TV5 também tentou explicar o que a expressão significa. E eu "emprestei" essa imagem |
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| Entendeu? |
Outro dia fui para a Italia com a minha prima e não deu para levar hidratante, por causa do tamanho do frasco e das restrições para o voo. A solução foi procurar um creme no mercadinho da esquina do hostel. Comprei um potinho tipo Nivea, que poderia fica na nécessaire até a volta para casa. Quando chegamos ao nosso quarto, li na tampa “para peles morbidas”. E descobri que morbida significa macio em italiano.
Tem gente que diz que da para vc saber se domina o idioma quando compreende as expressoes. Mas é sempre muito dificil saber de todas elas. Eu fico feliz de ainda ter muito o que descobrir em francês.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Vélib'
Tem dia que eu acordo errada, sabe ? Sem vontade de levantar, morrendo de canseira, sem vontade de escolher roupa, achando que ta tudo apertado...enfim. Hoje foi assim. Essa época de transição entre o inverno e o verão costuma ser meio traumatica, porque demoro pra me desapegar dos casacos e blusas quentinhas, da meia-calça que ajuda a apertar a barriga e a perna e etc. E dai que experimentei tudo e tudo parecia horroroso, até que decidi colocar camisa e uma bota de salto mais alto, pra dar a impressão que tô mais magra (pelo menos a impressão, né?).
E cheguei ao metrô atrasada, pensando que nem tinha tomado café. E dai que vi que a linha 4, que pego todos os dias, estava com problemas. Ontem a televisãozinha da estação de perto de casa dizia a mesma coisa e foi OK. Ai eu nem liguei e continuei andando. Peguei a linha de sempre e, na hora da correspondência, calculei a melhor maneira de sair do metrô. Quando coloquei o pé na plafatorma, ouvi, em português: “Ih, a 4 ta parada. Volta para o metrô e vamos até a 13”. Era meu chefe. Porque o metrô tem muitos vagões e claro que o meu chefe ia estar na minha frente, no dia que eu tô atrasada. Ai fomos conversando em português, fizemos a correspondência e ele me perguntou, no fim: “vc tem o cartão da Vélib?”. E eu, constrangida: “não”. E ele: “mas vamos pegar bicicletas e assim ganhamos tempo”. E foi assim que, às 9h, de um lindo dia de sol, estava eu de trench coat e bota de salto, andando de bicicleta nos arredores de Paris. E o tipo de coisa que deixa a gente feliz, né? E olha que eu nem sou daquelas fãs de academia que acha que seu dia muda depois de fazer exercicios e tals.
Ai que cheguei ao trabalho vermelha (porque, na versão europeia, sou branca e fico com as bochechas vermelhas facinho facinho) e, em seguida, resolvi fechar o plano anual de aluguel de bicicletas e baixar o app que mostra onde ha velibs disponiveis e onde ha postos disponiveis para vc estacionar a sua. E é o tipo de coisa que recomendo. Pra todo mundo.
A primeira vez que usei Vélib foram nas melhores férias do mundo, em 2008. Sedentarias empolgadas, eu e MRita resolvemos testar no dia que chegamos a Paris, depois de viajar durante a noite toda. Resultado: ficamos quebradas no dia seguinte, claro. Mas valeu a pena. Lembro que, seguindo nossa querida anfitriã, fomos do Quartier Latin para a Cité Universitaire. Desde que mudei para ca, não tinha feito isso ainda. E olha que tem um ponto na esquina desse meu apto.
O sistema "Vélib'" foi inaugurado em Paris em 2007. Segundo a Wikipedia (sorry, não achei fonte oficial -- os sites proprios estão com problemas), hoje, são 23 mil bicicletas espalhadas por 17 mil pontos na região. Nesses dias lindos e nem tão quentes, como os dessa época do ano, é uma otima maneira de se locomover. Tenho uma amiga que inclusive volta das baladas de velib. Para quem vem turistar, da para alugar por um dia.
E cheguei ao metrô atrasada, pensando que nem tinha tomado café. E dai que vi que a linha 4, que pego todos os dias, estava com problemas. Ontem a televisãozinha da estação de perto de casa dizia a mesma coisa e foi OK. Ai eu nem liguei e continuei andando. Peguei a linha de sempre e, na hora da correspondência, calculei a melhor maneira de sair do metrô. Quando coloquei o pé na plafatorma, ouvi, em português: “Ih, a 4 ta parada. Volta para o metrô e vamos até a 13”. Era meu chefe. Porque o metrô tem muitos vagões e claro que o meu chefe ia estar na minha frente, no dia que eu tô atrasada. Ai fomos conversando em português, fizemos a correspondência e ele me perguntou, no fim: “vc tem o cartão da Vélib?”. E eu, constrangida: “não”. E ele: “mas vamos pegar bicicletas e assim ganhamos tempo”. E foi assim que, às 9h, de um lindo dia de sol, estava eu de trench coat e bota de salto, andando de bicicleta nos arredores de Paris. E o tipo de coisa que deixa a gente feliz, né? E olha que eu nem sou daquelas fãs de academia que acha que seu dia muda depois de fazer exercicios e tals.
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| As bicicletas que podem ser alugadas (mas não é dos pontos que usei hj. A foto é do site de uma das "subprefeituras" daqui) |
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| Ah, o app <3 |
O sistema "Vélib'" foi inaugurado em Paris em 2007. Segundo a Wikipedia (sorry, não achei fonte oficial -- os sites proprios estão com problemas), hoje, são 23 mil bicicletas espalhadas por 17 mil pontos na região. Nesses dias lindos e nem tão quentes, como os dessa época do ano, é uma otima maneira de se locomover. Tenho uma amiga que inclusive volta das baladas de velib. Para quem vem turistar, da para alugar por um dia.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Bienvenu dans mon monde
Hoje, no trabalho, sai para almoçar e o clima é, de fato, outro. As pessoas até mudam os topicos, sabe? Em vez de reclamarem do pais, do trabalho, do metrô, da vida, elas se divertem. Falamos de séries e das grandes empresas espanholas (Santander e Telefonica, por exemplo). Ai chegamos à independência da Catalunha. E dai que isso era tão longe de mim, que eu achava que esses “movimentos separatistas, gente, que coisa...”. Mas dai que começamos a discutir que, se eles querem separar, vão ter de passar por todo o processo para entrar na União Europeia, na zona do euro...e dai que começamos a falar de idiomas, de dialetos. E de tanta coisa. Que me toquei porque continuo chegando tão cansada em casa, mesmo ja estando mais acostumada com a troca de idiomas no dia a dia*. E muita informação.
*Eu não comentei aqui. Mas, desde janeiro, tenho um chefe novo. Que veio de Londres e, portanto, fala em inglês comigo. “Nossa, isso é otimo pra vc”, vc deve estar pensando. Sim, é. Mas pensa. Eu tava me acostumando com o francês, sabe? Assim, como lingua oficial. E dai começa tudo de novo a troca de linguas. E ha de se levar em consideração que fiquei algum tempo mergulhada no francês e perdi um tanto do inglês (mesmo tendo aulas no Master). E é isso: francês-inglês-português. O tempo todo. Tem hora que ter passado dos 30 pesa.
terça-feira, 9 de abril de 2013
Nouvel an
Faz tempo que não venho aqui. Muito. E percebi que isso pode ser ruim. Porque é muito bom ter as memorias registradas. Aquela primeira impressao guardada. Depois de um tempo, a gente relê e ai as coisas tomam outra dimensão. Enfim.
2013 começou em uma soirée open bar. Com um sentimento estranho, sabe? Porque eu quis muita coisa pra 2011 e 2012. Mas o réveillon de 2013 foi assim, de vestido claro (como as brasileiras gostam, né? Pq aqui ninguém liga), mas sem saber o que desejar. Se tudo continuasse do mesmo jeito, ja estava legal. Mas a gente sempre quer mais, né?
E 2013 começou em uma soirée open bar, com uma mesa gigante cheia de brasileiros – mais importante, a maioria la da região do 019, onde o r é puxado de um jeito diferente. Ai que tinha musica, boa companhia que até inventou de pular sete ondas na frente do bar. Vai que funciona, né? Aqui, a gente abraça as nossas novas superstições.
Ai janeiro passou voando. Acabou com um fim de semana fantastico, com as visitas mais queridas. Susan Miller disse: “You are likely to have a beautiful event to attend on Saturday, January 26 - a wedding, anniversary, benefit, or other celebration. On this weekend, you'll be surrounded by lots of friendly faces”. Eu nem botava muita fé nela, mas foi lindo ter, ao mesmo tempo, três dos mais queridos amigos, aqueles que sempre apoiaram essa minha loucura de pegar as malas e parar em Paris.
Ai no começo de fevereiro, peguei o avião. De férias. No Brasil. Rodeada de novo por friendly faces. Mais que isso. Calor, de calor humano. E sofrimento com o calor da rua, sabe? Mas teve praia e carnaval do Rio. Era um plano. E deu certo. Teve bloco com dois dos amigos mais lindos que encontrei na vida. Teve Sapucai com a prima querida. Teve tantas manhãs de familia, com meu sobrinho roubando o mouse (ou qualquer outro objeto), correndo e a gente rindo atras dele. Mas eu voltei.
E fui pra Berlim a trabalho. E voltei. E recebi duas visitas queridas: uma amiga de infância e uma outra prima querida. Que cresceu tanto, meudeus. Ela queria ver neve e ficou presa na estrada, dentro do ônibus, a caminho de Amsterdan. Eu nem sabia o que pensar. Ta, ela cresceu tanto. Ainda bem.
Mas deu tudo certo. E nesse tempo foram dois fins de semana de viagem. Novas cidades, novo pais: Bordeaux e Roma. Conhecer a Italia com alguém tão italiana quanto eu foi bem legal. De quebra, duas netas de Francisco assistiram, ao vivo, a primeira bênção do papa Francisco. Dona Ada ficaria orgulhosa, eu sei. (e essa visita merece outro post. Vou tentar escrever logo)
Ai que a vida aqui sempre tem movimento. Gente que chega, gente que vai, gente que volta. Não é legal se acostumar a despedidas e eu não quero “saber” me despedir. Paris me ensinou que ninguém é insubstituivel, mas a gente sobrevive. Minhas sextas ficarão mais vazias. Mas ninguém disse que seria facil. E é assim, né?
2013 começou em uma soirée open bar. Com um sentimento estranho, sabe? Porque eu quis muita coisa pra 2011 e 2012. Mas o réveillon de 2013 foi assim, de vestido claro (como as brasileiras gostam, né? Pq aqui ninguém liga), mas sem saber o que desejar. Se tudo continuasse do mesmo jeito, ja estava legal. Mas a gente sempre quer mais, né?
E 2013 começou em uma soirée open bar, com uma mesa gigante cheia de brasileiros – mais importante, a maioria la da região do 019, onde o r é puxado de um jeito diferente. Ai que tinha musica, boa companhia que até inventou de pular sete ondas na frente do bar. Vai que funciona, né? Aqui, a gente abraça as nossas novas superstições.
Ai janeiro passou voando. Acabou com um fim de semana fantastico, com as visitas mais queridas. Susan Miller disse: “You are likely to have a beautiful event to attend on Saturday, January 26 - a wedding, anniversary, benefit, or other celebration. On this weekend, you'll be surrounded by lots of friendly faces”. Eu nem botava muita fé nela, mas foi lindo ter, ao mesmo tempo, três dos mais queridos amigos, aqueles que sempre apoiaram essa minha loucura de pegar as malas e parar em Paris.
| Muito amor |
| Carnaval na Sapucai (a foto ta péssima, mas garanto que foi legal) |
| No meio do hotel, em Berlim, tinha esse aquario |
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| O muro. Ou uma parte dele |
Mas deu tudo certo. E nesse tempo foram dois fins de semana de viagem. Novas cidades, novo pais: Bordeaux e Roma. Conhecer a Italia com alguém tão italiana quanto eu foi bem legal. De quebra, duas netas de Francisco assistiram, ao vivo, a primeira bênção do papa Francisco. Dona Ada ficaria orgulhosa, eu sei. (e essa visita merece outro post. Vou tentar escrever logo)
| La no Vaticano. Depois vou procurar a foto do papa (em outra janela, por sinal) |
| Pois é. Ta na hora de falar tchau :-( |
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Camille
Eu tinha um bom emprego, um bom salário. Pagava todas as minhas contas, tinha tempo até de "atividades paralelas". Eu morava bem. Ia a pé para o trabalho, podia pegar metrô ou ônibus para qualquer lugar. E ainda tinha um carro. Que era pequeno, mas era meu. Me levava para todos os lugares e ainda cabia na vaga da garagem. Eu tava perto da minha família, dos meus amigos...minha irmã tava grávida e me disse que eu seria madrinha do meu pequeno sobrinho. Eu tinha a comida da minha mãe nos fins de semana. O arroz doce da minha vó qdo tinha vontade. Mas faltava alguma coisa.
Resolvi que eu tinha saudades de Paris. Das ruas com construções antigas, dos telhados azuis. Da torre, da Champs Elysées. Dos franceses fazendo bico. Do metrô que vai para todos os cantos até de madrugada. Desse idioma tão lindo, dessa cultura tão presente.
Aí eu cheguei aqui. Peguei o metrô e desci na Notre Dame. Depois passei pelo Arco do Triunfo. Numa caminhada, cheguei à torre. Nas primeiras semanas, a cabeça estava tão cheia que não tive tempo de sentir falta. Fiz até uma "festinha" de aniversário num bar bem localizado, com uma mesa cheia de pessoas que eu mal conhecia, mas com quem já tinha laços bem fortes. Laços que só quem está longe de casa consegue construir (e entender). E nos meses seguintes a programação continuou intensa. Era tanta coisa que ainda não dava tempo de definir o que fazia parte da minha vida e o que me faltava.
Aí minha avó foi embora. E eu lembrava da cena da nossa despedida. Ela chorando no portão e limpando as lágrimas que escorriam pelas bochechas fofas e pelo nariz. Naquele momento, eu comecei a sentir falta. Comecei a pensar que, meudeus, tinha tanta coisa pra contar pra ela. Era uma falta estranha. Porque eu tava tão longe que não conseguia saber a medida de tanta saudade da mãozinha gordinha, do sorriso de criança, dos passos lentos. E essa saudade nunca mais ia ser amenizada.
E em seguida fui para o Brasil e fiquei agoniada porque tinha tanta coisa pra resolver na França. Eu voltei para Paris e tive uma dor no coração horrível de perder o carnaval e de saber que deixei longe meu pequeno sobrinho sorridente, que aprendia uma coisa nova por dia.
E daí que começou o estagio. Cabeça cheia de novo. Tanta novidade, tanta gente nova. Quando as coisas começaram a virar rotina, meus pais vieram me visitar. Foi tudo magico. E nem teve lagrima escorrendo na despedida. Minha mãe teve uma linda explicação: "Ela (eu, no caso) tá tão bem que meu choro não faz sentido". Logo ela, que tem o choro tão fácil (por isso sou assim).
Aí foi a vez da Deborinha, minha irmã de alma. E ela trouxe a Tati. Deborinha me avisou que a prioridade era conhecer o museu do Rodin, porque ela adorava Camille Claudel. Foi fácil passar quase uma semana indo dormir de madrugada, com a barriga doendo de tanto rir. Receber abraços e olhares de "compreensão" todos os dias. No fim da viagem das duas, fomos até a casa onde morou a Camille, na Île Saint Louis. Na parede, uma placa, informando da moradora ilustre. E uma frase: "Il y a toujours quelque chose d'absent qui me tourmente" (Há sempre alguma coisa faltando que me atormenta -- como mostra a foto abaixo).
Eu já tinha visto na internet. Mas foi diferente. Depois que as meninas foram embora, teve o casamento da Fernanda, no Rio. Foi a gota d'água. De repente, tudo e todos me faziam falta e essa falta me atormentava. Foram umas duas ou três semanas assim. Um misto de ansiedade, de medo, de pânico. Uma solidão que nunca tinha feito parte de mim. A frase da Camille não saía da minha cabeça.
A solução foi me acostumar com ela. E aí me lembrei que sempre tinha alguma coisa faltando. E, provavelmente, sempre terá. E daí? Daí que a gente tem de aprender a guardar essa saudade. A se virar com o Skype, com o telefone, com a chuva, com o sol...com a vida.
E devo começar mais um ano em Paris. Com um gostinho de que muitas missões foram cumpridas em 2012, apesar dos pesares. Quer coisa melhor?
**
PS: Helena, querida. Se vc passar de novo pelo blog, saiba que Camille vai me fazer pra sempre lembrar de vc. E mesmo que seu nome não tenha sido citado nos ultimos posts, vc ta dentro da parte francesa do meu coração. Merci por esse ano! E merci tb pra Fernanda, pro Thiago, pro Gui (de quem copiei a citação do coração), pra Alice e pra tantos outros que apareceram na minha vida por aqui e, espero, continuem comigo por um bom tempo
Resolvi que eu tinha saudades de Paris. Das ruas com construções antigas, dos telhados azuis. Da torre, da Champs Elysées. Dos franceses fazendo bico. Do metrô que vai para todos os cantos até de madrugada. Desse idioma tão lindo, dessa cultura tão presente.
Aí eu cheguei aqui. Peguei o metrô e desci na Notre Dame. Depois passei pelo Arco do Triunfo. Numa caminhada, cheguei à torre. Nas primeiras semanas, a cabeça estava tão cheia que não tive tempo de sentir falta. Fiz até uma "festinha" de aniversário num bar bem localizado, com uma mesa cheia de pessoas que eu mal conhecia, mas com quem já tinha laços bem fortes. Laços que só quem está longe de casa consegue construir (e entender). E nos meses seguintes a programação continuou intensa. Era tanta coisa que ainda não dava tempo de definir o que fazia parte da minha vida e o que me faltava.
Aí minha avó foi embora. E eu lembrava da cena da nossa despedida. Ela chorando no portão e limpando as lágrimas que escorriam pelas bochechas fofas e pelo nariz. Naquele momento, eu comecei a sentir falta. Comecei a pensar que, meudeus, tinha tanta coisa pra contar pra ela. Era uma falta estranha. Porque eu tava tão longe que não conseguia saber a medida de tanta saudade da mãozinha gordinha, do sorriso de criança, dos passos lentos. E essa saudade nunca mais ia ser amenizada.
E em seguida fui para o Brasil e fiquei agoniada porque tinha tanta coisa pra resolver na França. Eu voltei para Paris e tive uma dor no coração horrível de perder o carnaval e de saber que deixei longe meu pequeno sobrinho sorridente, que aprendia uma coisa nova por dia.
E daí que começou o estagio. Cabeça cheia de novo. Tanta novidade, tanta gente nova. Quando as coisas começaram a virar rotina, meus pais vieram me visitar. Foi tudo magico. E nem teve lagrima escorrendo na despedida. Minha mãe teve uma linda explicação: "Ela (eu, no caso) tá tão bem que meu choro não faz sentido". Logo ela, que tem o choro tão fácil (por isso sou assim).
Aí foi a vez da Deborinha, minha irmã de alma. E ela trouxe a Tati. Deborinha me avisou que a prioridade era conhecer o museu do Rodin, porque ela adorava Camille Claudel. Foi fácil passar quase uma semana indo dormir de madrugada, com a barriga doendo de tanto rir. Receber abraços e olhares de "compreensão" todos os dias. No fim da viagem das duas, fomos até a casa onde morou a Camille, na Île Saint Louis. Na parede, uma placa, informando da moradora ilustre. E uma frase: "Il y a toujours quelque chose d'absent qui me tourmente" (Há sempre alguma coisa faltando que me atormenta -- como mostra a foto abaixo).
Eu já tinha visto na internet. Mas foi diferente. Depois que as meninas foram embora, teve o casamento da Fernanda, no Rio. Foi a gota d'água. De repente, tudo e todos me faziam falta e essa falta me atormentava. Foram umas duas ou três semanas assim. Um misto de ansiedade, de medo, de pânico. Uma solidão que nunca tinha feito parte de mim. A frase da Camille não saía da minha cabeça.
A solução foi me acostumar com ela. E aí me lembrei que sempre tinha alguma coisa faltando. E, provavelmente, sempre terá. E daí? Daí que a gente tem de aprender a guardar essa saudade. A se virar com o Skype, com o telefone, com a chuva, com o sol...com a vida.
E devo começar mais um ano em Paris. Com um gostinho de que muitas missões foram cumpridas em 2012, apesar dos pesares. Quer coisa melhor?
**
PS: Helena, querida. Se vc passar de novo pelo blog, saiba que Camille vai me fazer pra sempre lembrar de vc. E mesmo que seu nome não tenha sido citado nos ultimos posts, vc ta dentro da parte francesa do meu coração. Merci por esse ano! E merci tb pra Fernanda, pro Thiago, pro Gui (de quem copiei a citação do coração), pra Alice e pra tantos outros que apareceram na minha vida por aqui e, espero, continuem comigo por um bom tempo
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Bonjour-excusez-moi-s'il-vous-plaît
Pronto. Ja faz mais de um ano que estou aqui e as dificuldades não acabam nunca, nunca.
Pelo menos agora acho que estou mais relaxada e acostumada ao aparente mau humor.
Fim de semana passado eu e a Fernanda, minha coloc, fomos almoçar no "Marché des Enfants Rouges", que é o mais antigo de Paris, dizem.
Vc chega, tem as bancas de flores e frutas, como nos mercados que ja visitei.
Mas tem um monte de "traiteur". E uma "vendinha" comum por aqui. Tem comida pronta, geralmente de uma região especifica. No marché em questão, de varios paises. A gente começou a passar nos traiteurs sem nem comentar nada com a outra.
De repente, escolhemos o libanês, pelo mesmo motivo: não tinha fila e daria pra gente perguntar como pede a comida. Maaaas. Não foi exatamente o que aconteceu. Escolhemos uma formule de "3 saladas" + uma "mistura" (sabe coisa do interior? Podia ser carne, frango, falafel...) + uma outra porção quente, de bxxx (não lembro mais o nome) ou legumes.
Tinha uma "vitrine" imensa com saladas, charutos, homus, coalhada...e como saber como falar coalhada e charuto em francês? Como perguntar qual formule tinha essa opção?
Olhei para o lado e o senhor que cuidava do caixa e da "mistura" tinha um prato na frente dele, com charuto. Do jeito mais francês, perguntei: "Bom dia, senhor, da licença! Desculpa te atrapalhar, por favor, como chama isso?". E apontei. Ele olhou pra mim e falou: "Em francês ou em arabe?" Nada é facil, gente. Nada. La no traiteur, nem kibe, que eu jurava que era assim no mundo todo, escreve igual. No fim, nem pedi charuto. Acho que foi o trauma.
Depois, chegou a hora da parte quente. Perguntei o que era bxxx.... Ele falou um monte. A gente so entendeu a parte "é como arroz". Resolvemos arriscar. E era bem bom.
Comemos dando risada, apertadas na mesa que a garçonete indicou.
Apesar de tudo, foi bem legal. Eu recomendo.
Ja me disseram que o traiteur japonês é bem gostoso. E nos gostamos do visual dos pratos italianos. So falta saber como pedir, né??
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| A foto é do lefigaro.fr, pq ainda não deu tempo de tirar... |
Ai ta em francês -- inclusive o corretor. Eu sei que posso mudar a configuração para o português, mas é bom saber usar essas coisas do dia a dia no "outro" idioma, né?
E dai que demoro cinco minutos pra escrever qualquer mensagem de duas linhas em português.
Cada vez mais tenho a impressão que não sei direito mais nenhum idioma do mundo...
Se alguém se interessar: Marché des Enfants Rouges
39 Rue de Bretagne
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