terça-feira, 6 de setembro de 2011

Bienvenue

"Senhoras e senhores, bem-vindos a Paris". Quando o comandante do voo da Tam fez esse anúncio, eu senti borboletas no estômago. Milhares delas começaram a se movimentar dentro de mim. Foi um misto de ansiedade, nervoso e, claro, satisfação. Cheguei. Je suis arrivée. De acordo com o piloto, os termômetros marcavam 20 graus no Charles de Gaulle, por volta das 16h15 de segunda-feira, 5 de setembro.
Não tive problema algum com a imigração, mas foi meio complexo carregar toda a bagagem. Fiquei me remoendo, porque sempre soube que o ideal era viajar com pouco. Mas, enfim. Peguei táxi e vi o céu da capital francesa com poucas nuvens e sol. Aos poucos, chegaram os prédios com telhado azul e aí senti as borboletas de novo. Cheguei ao estúdio que vou chamar de meu por, pelo menos, dois meses. Ainda bem que o prédio tem elevador -- foi o primeiro pensamento. Aqui dentro tem um armário com quatro portas, que ainda me deixa maravilhada. Acho que não vi nenhum tão grande nas centenas de fotos de outros imóveis que pesquisei. Mas, assim. Ele não é graaaaande. Mas tem quatro portas. Estou (bem) instalada.
Liguei a TV e tava passando Barrados no baile, em francês (aqui chamado de Beverly Hills). Era um episódio de Natal. Em seguida, passou Friends.
Desarrumei as malas, tomei banho, dei uma volta no quartier, voltei. Falei com algumas pessoas, continuei tentando arrumar minhas coisas. Chegou o cansaço. E assim foi minha chegada.
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No dia seguinte -- também chamado de hoje --, acordei cedo, dei uma olhada no computador e fiz uns roteiros imaginários na cabeça. Fiquei arrasada porque esqueci um mapa de papel do metrô, daqueles que a gente leva na bolsa. Tive que pesquisar nos aplicativos e aí sim fui bater perna. Me perdi. Saí do prédio, virei para o lado errado. Conforme ia andando, sentia que a cidade ficava mais estranha. Vi lojas de roupas para travestis e até um top brilhante jogado no chão. Vi muitas lanchonetes e ficava meio que pesquisando o preço, pra ter uma ideia. Vi supermercados, praças. Resolvi dar meia volta. E lembrei que uma amiga me falou, ainda em SP: "Ah, tem uma parte boa do 17eme, mas depois da linha de trem é ruinzinho". Era isso. Eu cruzei a linha de trem antes de lembrar da dica.
Depois que consegui achar a estação de metrô que estava procurando, fui até a primeira parada, conforme havia planejado: a Capela da Medalha Milagrosa, na Rue du Bac. Cheguei atrasada, mas deu certo. Fui agradecer as graças recebidas no Brasil, em uma igreja francesa e tava rolando uma missa em italiano. Isso é mondialisation, minha gente.
Andei, andei, andei. Até dentro das estações de metrô. E voltei pra casa.
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Eu queria colocar uma foto. Mas, claro, esqueci a máquina em todos os momentos até agora. Porque eu sou assim, em Pira, em SP ou em Paris. Aí resolvi colocar um vídeo.

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