quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Ma vie en rose

Semana que vem eu completo um mês de Paris. Eu já havia visitado a França antes. Mas, somadas as três viagens de férias, fiquei pouco mais de 20 dias por aqui. O que significa que já dobrei minha estadia nesse país que gosto tanto.



Depois desse tempo, dá para fazer um balanço das primeiras impressões. Tá fácil? Não, não está. Lembro sempre que troquei uma vida já encaminhada por novos desafios. Não gosto de falar que joguei tudo para o alto porque vim para cá com um grande objetivo -- fazer um master professionnel na melhor escola de comunicação da França, que é vinculada a uma das universidades mais respeitadas do mundo, a Sorbonne. Aí é tudo novo -- o idioma, as pessoas com quem a gente divide o dia a dia, o supermercado e até a programação da televisão. Chego ao fim dos dias esgotada -- mas aí eu vejo cada prédio com telhado azul, lembro da torre, das pontes do Sena...e tudo isso já valeu a pena.

Aqui vão algumas características da minha versão francesa:
- Continuo saindo atrasada de casa, mas ando mais rápido que em SP. Sim, eu continuo saindo tarde de casa, mesmo tendo aulas, de vez em quando, às 10h. E aí vou correndo. Já cheguei a ultrapassar os franceses -- o que é incrível, porque eles estão mais acostumados às dezenas de degraus do metrô e são mais magros. Por isso, vão mais rápido...

- Estou me acostumando a ler em pé. É que comecei a ler os jornais distribuídos no metrô. E nem sempre tem lugar para sentar. Fico mega-orgulhosa quando consigo acabar pelo menos uma reportagem.

- Eu adoro o metrô. Todo mundo devia experimentar essa sensação de poder ir para qualquer canto da cidade, inclusive à noite, e chegar sã e salva em casa, sem precisar se preocupar com trânsito, com trombadinha que quer quebrar o vidro do carro, com blitz da Lei Seca...

 - Gosto de cozinhar (Sério. Nem eu acredito nisso). Eu adoro ficar vendo as coisas no supermercado e pensar no que dá pra fazer em casa. A cozinha é apertada, o fogão tem só duas bocas e a geladeira é, na verdade, um frigobar. Mas já me virei bem com os parcos recursos.

- Faço contas todos os dias. Vida de estudante. Sem previsão de salário no fim do mês. Nem do ano. É isso.

- Consegui ficar 3 semanas sem comprar roupas. Me dava gastura pensar que ainda vou ter de fazer uma mudança (já que meu studio é provisório). Mas aí entrei no site da H&M , tinha um aviso de solde e acabei indo para o Boulevard Haussmann. Mas gastei bem pouco. Mesmo.

- Ouço mais do que falo. Essa é a mudança mais drástica. Quem me conhece, sabe. Mas é que ainda tenho dificuldades de entrar numa conversa de franceses. Os mais jovens falam muito rápido e usam gírias. Eu até consigo entender a maior parte do que eles falam. Mas aí chega minha vez de falar e parece que quebra o ritmo da conversa, pq não falo tão rápido e me preocupo com construção de frases, tempo verbal e essas coisas. Ainda bem que tenho colegas brasileiros que estão passando pela mesma coisa. E nossa esperança é que, com o tempo, a gente consiga desenvolver uma 'intimidade' com o idioma.

((E me desculpem pq esse blog só tem fotos da torre. Não tenho culpa se ela aparece toda hora e fica bem em todos os registros))

Um comentário:

  1. Lu, descreveu muito bem o cotidiano. Minha sensação é meio essa mesmo. Ler jornal, fazer contas, entender a pressa dos franceses, fazer contas, pegar gosto pela cozinhar e, claro, fazer contas...

    Se, antes, eu já dizia isso, agora posso falar com certeza: - Todo mundo deveria ter oportunidade de viver sozinho no exterior. É uma experiência muito especial mesmo.

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